quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Novos lançamentos da Mondrongo Livros

A Mondrongo Livros – Editora do Teatro Popular de Ilhéus, anuncia para os próximos dias 12 e 19 de janeiro, na Casa dos Artistas, em Ilhéus, e na sede da FICC - Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, em Itabuna, respectivamente, um evento incomum, pois serão lançados, na mesma noite, em um grande sarau, quatro livros, os primeiros da Série Diálogos, um conjunto de obras de novos poetas grapiúnas. São eles: Inúmera, de Daniela Galdino; Quintais do Tempo, de André Rosa; À Espera do Verão, de Geraldo Lavigne de Lemos e Outros Silêncios, de Gustavo Felicíssimo. Esses e outros bons livros já podem ser reservados através do site da editora, clicando AQUI



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

BLUES PARA MARÍLIA


Mas como dói
Carlos Drummond de Andrade

Penso todos os dias em Marília.
Sobretudo penso em tudo que deixei por lá:
os companheiros de infância, minha mãe,
o pão caseiro feito pela Tia Vilder,
as férias em Panorama.
Penso principalmente no cheiro do café;
café bom das lavras da Fazenda Cascata.
Marília são flashes na memória:
os passeios pela Praça São Bento,
as visitas ao Paço Municipal.
Por isso esse velho Blues,
esse reverso n’alma,
o silêncio que revolve a voz
e o olhar demorado para as coisas sem sentido.
Marília é tudo que ainda sangra.

Ilhéus
2009. X

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Meu poema de natal


Dezembro é o cruel mês do natal,
hoje, a sua véspera.
Além disso, faz um calor insuportável.
Há grande descontentamento no país,
enormes congestionamentos nas cidades
e as pessoas parecem felizes.
A miséria continua no seu galope
e as pessoas parecem felizes,
inclusive os miseráveis.
Muitos se abundam nas calçadas,
mendigam com seus filhos
e com os filhos de outros desgraçados.
Negócio promissor é esse...
Vou sair pra ver o mar!

24.12.2007

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Site da Mondrongo Livros está no ar


É com satisfação que anuncio que já está no ar o site da novíssima editora baiana, a Mondrongo Livros. É acessar, conhecer e, quem sabe, adquirir um bom livro: www.mondrongo.com.br

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Livro da MONDRONGO é destaque na imprensa

Foram inúmeros os sites, blogues e jornais que noticiaram a publicação de Cobra de duas cabeças – poesia e prosa inéditas e encontradas de Sosígenes Costa, entre eles o jornal A Tarde, que deu grande destaque para o assunto publicando excelente matéria do jornalista Marcos Dias na capa do seu Caderno 2+, edição de 17/12/2011, intitulada “Poesia e pimenta”, numa clara alusão ao conteúdo impetuoso da obra de Herculano Assis que mostra um Sosígenes Costa a par da vida literária do seu tempo. O material segue abaixo para os amigos tomarem conhecimento.
Ainda nesta semana o site da Mondrongo Livros estará no ar com uma loja virtual, vendendo seus livros através do sistema PAG SEGURO, que facilita a compra através de todos os cartões de crédito. Embora isso, quem pretender adquirir Cobra de duas cabeças (30,00), basta manifestar interesse através do seguinte e-mail: editoramondrongo@hotmail.com.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O lançamento do ano


Neste sábado a Mondrongo Livros apresenta oficialmente a grande vedete do meio editorial baiano na cidade de Belmonte, pois é de lá que vem Cobra de duas cabeças - poesia e prosa encontradas e inéditas de Sosígenes Costa, cidade natal do poeta. Cidade natal também de Herculano Assis, o autor do livro. Na segunda-feira será a vez de Ilhéus, onde SC viveu. O evento acontecerá às 19 horas na Academia de Letras, entidade da qual ele foi membro. Tá combinado assim, gente: hoje em Belmonte, segunda-feira em Ilhéus. Em janeiro será a vez da capital baiana.

Padre leva Prêmio Literário da BN


Com informações do PublishNews e Folha de São Paulo

Ontem, 15, a Fundação Biblioteca Nacional promoveu a entrega dos Prêmios Literários 2011, iniciativa que há 17 anos, em parceria com o Minc, premia os melhores escritores e trabalhos literários do país. Entre os premiados de 2011 está o teólogo pernambucano Daniel Lima, de 95 anos. Ele guardava seus poemas na gaveta. Um dia, uma de suas alunas descobriu os textos e levou-os, sem ele saber, para uma avaliação editorial. O resultado foi a obra Poemas (Companhia Editora de Pernambuco). Ao saber da premiação pelo telefone, da cama de um hospital recifense, Daniel Lima, apesar de lúcido e solar, parecia confuso, como quando foi informado pela reportagem da Folha, que acabara de receber um prêmio da Biblioteca Nacional pelo seu primeiro livro. "Não é uma brincadeira não?", perguntou. Não. Não era uma brincadeira.
Reunião de quatro livros, a obra foi inscrita pela "professora-ladra", Luzilá Gonçalves Ferreira ("roubei mesmo", diverte-se ela), no prêmio literário. Concorreu com outras 50 obras na categoria poesia. Padre Daniel, como é conhecido, bateu nomes como Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant'Anna. Composto por Alexei Bueno, Antônio José Jardim e Frederico Gomes, o júri escolheu o livro por unanimidade.

Alguns poemas da obra premiada:

Ao nasceres, tinhas o prefigurado rosto
que hoje terias se houvesses sido tu mesmo
no tempo singular de tua vida.

Mas viveste o relógio, não teu tempo,
e agora vê teu rosto:
o que dele te resta é a desfigurada
sombra do primeiro rosto
que não soubeste ter,
nem mereceste

***

Há misérias nos homens.
Os anjos cantam nas nuvens.

Era Sexta-feira Santa
Cristo morria.
Judas se enforcava.
E eu tomava sorvete.

***

Eu sou a metáfora de mim.
Por isto, quando eu morrer
morrerá meu poema.

Restarão apenas palavras sem sentido,
formas tornadas vãs de um mistério
cuja chave perdida para sempre
no silêncio de morte
ninguém encontrará.

***

Minha mãe era feita de incertezas.
Tecida de solidão de infindas luas.
Nunca assentou seu coração viajeiro
de medo de esquecer o fim da viagem.
Não dormia, sonhava,
vivia os sonhos acordada e louca
e amava a vida
com tal ódio e paixão, que até se percebia nos seus sonhos,
nas mãos, nos gestos,
na vontade de ser e o desespero
de não ser nunca e ainda.

E eu perguntava coisas.
E ela não respondia,
apenas navegava incertos mares,
guiada por estrelas que eu não via.

Minha mãe era feita de incertezas,
mas, por certo, sabia o que queria.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Essa é muito boa mesmo


Aqui no sul da Bahia essa história corre fácil na boca dos escritores e está registrada na contracapa de uma seleta de contistas da região cacaueira, organizada por Euclides Neto. É o seguinte:
Consta que Manuel Bandeira em um evento teria feito a Adonias Filho a seguinte pergunta:
- O que o sul da Bahia produz além de cacau?
A resposta veio em uma única palavra:
- Escritores.
Muito apropriada a resposta de Adonias, afinal, o sul da Bahia, em se tratando de literatura, deu ao estado alguns dos seus mais representativos nomes, como Jorge Amado, o próprio Adonias Filho, o poeta Sosígenes Costa (considerado pela crítica o maior poeta baiano ao lado de Casto Alves), Marcos Santarrita (romancista e um dos mais importantes tradutores brasileiros), além de Euclides Neto, Jorge Medauar, Ildásio Tavares, Adelmo Oliveira, Florisvaldo Mattos, Cyro de Mattos e por aí – como dizemos aqui - lá vai. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Centenário de Naguib Mahfouz


Olhando o dorso dos livros em minha pequena biblioteca, paro os olhos sobre algumas obras do contista e romancista egípcio Naguib Mahfouz e, folheando um deles, descubro que amanhã, se vivo estivesse, completaria 100 anos. Então me pego a pensar que para quem lutou a vida inteira por democracia, liberdade e justiça social em seu país, não poderia haver melhor presente do que a revolta do povo egípicio contra Mubarak. Pena ele não ter visto esse que foi, diria, um ano digno de suas obras-prima, como por exemplo, A trilogia do Cairo. Mahfouz foi o primeiro Nobel de língua árabe.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Cobra de duas cabeças


Como editor da Mondrongo - a editora do Teatro Popular de Ilhéus, tenho a honra de lhes apresentar Cobra de duas cabeças, livro de Herculano Assis que traz poesia e prosa inéditas de Sosígenes Costa. O lançamento será no próximo sábado, dia 17, às 19 horas, em Belmonte, cidade natal do poeta. Também no dia 17 o site da editora entrará no ar, através do qual se poderá adquirir essa e outras obras da editora. O endereço virtual será: www.mondrongo.com.br.

Duas opiniões sobre Cobra de Duas Cabeças:

Cobra de duas cabeças, obra que resulta de amorosa pesquisa e justificado penhor, caros à memória de um poeta de excelência, aqui observado como pensador e crítico notabilizado por uma verrina que de tão surpreendente constitui-se mais ainda afeta à literatura baiana e brasileira.
Jorge de Souza Araujo

Os textos reunidos, particularmente a prosa, desmistificam a imagem quase sempre contemplativa, compenetrada, e até sisuda do poeta.  O que aparenta pouco para um autor da literatura brasileira, no caso específico de SC é muito significativo porque ajuda a compor um complexo mosaico. Traços de uma personalidade mitificada, exatamente, por ausência de informações precisas sobre sua vida e seu pensamento “objetivo”.

Heitor Brasileiro Filho

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Orides Fontela e o Zen


Tenho lido e relido a “Obra Reunida” de Orides Fontela (editada pela Cosac Naify), uma poeta fatalmente influenciada pela filosofia zenista, um “Zen a meu modo”, como diz ela sobre “Bucólicos”, obra em que encontramos poemas como esse – abaixo – que se aproxima intensamente do haikai

A chuva
lavou-me
toda
sem deixar vestígios
de ontem

cuja diagramação bem poderia ser assim:

a chuva lavou-me
toda sem deixar vestígios
                            de ontem

Na obra da autora paulista, muitos outros poemas seguem essa estética concisa e significativa, cuja característica essencial é a naturalidade, a liberdade de artifícios e a expressão da própria vida

Semeio sóis
 e sons
na terra viva

 afundo os
pés
no chão: semeio e
passo

Não me importa a colheita

Sobre sua poesia Antônio Cândido disse o seguinte: Orides Fontela tem um dos dons essenciais da modernidade: dizer densamente muita coisa por meio de poucas, quase nenhumas palavras [...] Denso, breve, fulgurante, o seu verso é rico e quase inesgotável, convidando o leitor a voltar diversas vezes.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mais uma obra de Kawabata disponível no Brasil


O romancista e contista Yassunari Kawabata é um escritor que recebeu forte influência do classicismo japonês e tem seu nome no rol dos escritores do seu país com prestígio literário internacional.
O jogo japonês de tabuleiro em que um adversário procura encurralar o outro, invadindo e controlando seu território, é o ponto de partida de Yasunari Kawabata, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1968, em O mestre de go, agora publicado no Brasil pela Estação Liberdade. A narração da partida histórica de despedida do grande mestre Shusai foi transformada em obra literária em 1954, tendo sido reconhecida pelo próprio Kawabata como uma de suas obras mais autênticas. Sinopse e trechos da obra podem ser lidos AQUI.

Outros livros de Kawabara disponíveis no Brasil são: A casa das belas adormecidas, Contos da palma da mão, Kyoto, O som da montanha e O lago, todos traduzidos diretamente do japonês por Meiko Shimon.

Excesso de livros ou escassez de leitores?


A pergunta é de José Pastore, Professor da USP e membro da Academia Paulista de Letras. O resumo abaixo foi feito a partir de texto publicado n’O Estado de São Paulo, em 06.12.2011.

Os dados sobre hábitos de leitura no Brasil nos levam a um paradoxo. O país apresenta uma produção de obras bastante razoável. Ao mesmo tempo, a média anual de livros lidos é muito baixa. Como explicar isso? Em 2010 as editoras brasileiras publicaram quase 500 milhões de livros, um aumento de 23% em relação a 2009, o que é muito expressivo. O número de exemplares vendidos no mercado (livrarias, internet, porta em porta, etc.) cresceu 8,3%. Se incluirmos as vendas ao governo, o aumento foi de 13% (Censo do Livro, Fipe/CBL/Snel, 2011). Ao mesmo tempo, fala-se que o brasileiro lê 1,8 livro não acadêmico por ano. Nos países desenvolvidos essa média é de 10 obras lidas. Na França são 25 livros por ano! Num estudo da Unesco realizado em 52 países, o Brasil ocupou a 47.ª posição. Afinal, o que está havendo? Excesso de livros ou escassez de leitores? 

Se eu fosse um padre


Mário Quintana

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Poema extraído do livro "Nariz de Vidro", Editora Moderna - São Paulo, 1984, pág. 52.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Valeu, Doutor Sócrates


Acordo nesta manhã de um domingo primaveril, nublado e renitente em Ilhéus, sem praia, portanto, enquanto uma notícia me acerta o fígado como um cruzado certeiro de Éder Jofre. Leio-a e silencio. Leio-a e entendo porque o céu está enegrecido: lutuoso chora a morte de um deus que se disfarçou de homem para dar-nos alegrias dominicais.
Somente um deus extremamente generoso deixaria o conforto do Olimpo, a companhia das ninfas, os banquetes báquicos, para se misturar ao povo e encarnar o que ele tem de melhor a fim de proporcionar-lhe um pouco de diversão, passatempo com altas doses de emoção, anestésicos toques de calcanhar amenizando os efeitos da opressão.
“Morreu o Doutor Sócrates”, diz a notícia do jornal enquanto pela casa emana a voz de Gonzaguinha ampliando a melancolia experimentada. “Não se espante, cante”, diz a canção enquanto o meu coração teima em se pronunciar: “Não, ele não morreu”. Afinal, a morte é um exagero para quem amou a vida, para quem nos braços do povo jamais morrerá.
Tivera tempo ou não de fazer como Manuel Bandeira em Consoada? “Alô, iniludível”, a mesa não estava posta! Deixou esposa, seis filhos e uma legião de admiradores; parte deles por conta do refinadíssimo futebol que jogava no Corinthians ou na Seleção; outra parte por conta de posturas corajosas frente à realidade do país no seu tempo de jogador, sobretudo no início dos anos 80.
Politizado, fato raro para um jogador de futebol ainda hoje, Sócrates, o Calcanhar de ouro, deixou-se envolver pelo movimento Diretas Já ao ponto de garantir que se a emenda Dante de Oliveira, que estabelecia o voto direto no País, fosse aprovada, ele permaneceria jogando aqui, mesmo sendo muito assediado por clubes europeus. Como isso não aconteceu, se transferiu para a Itália no ano de 1984. Como jogador foi craque, como homem foi um intelectual. Escreveu para o teatro, fez letras de música e atuou na imprensa escrita e televisiva brasileira, nem sempre falando apenas sobre futebol.
No ano de 1992, durante as Olimpíadas de Barcelona, me encontrei ocasionalmente com Sócrates no Vesúvio. Cada um tomava seu chopinho durante a final do vôlei contra a Holanda, jogo que consagrou aquela geração formada por Tande, Giovane, Marcelo Negrão, Maurício e companhia. Como as mesas estavam muito próximas, o papo rolou naturalmente, e continuou após o jogo. Entre um gole e outro, falamos inevitavelmente de futebol, sobretudo fut-volei, que ele andava praticando. Tudo sem tietagem. Tenho horror a isso.
Quando soube que sou natural de Marília, Sócrates começou a relembrar algumas partidas que havia feito na cidade. A muitas delas eu assisti. Sim, embora fosse apenas um garoto, e sãopaulino, tive o prazer de vê-lo ao vivo desfilar sua elegância por um campo de futebol.
Agora essa notícia... Embora isso, foi emocionante acompanhar pela TV tantas homenagens, tantos minutos de silêncio nos estádios, tanto respeito por sua figura. Quem acompanhou às resenhas pôde perceber que não houve especialista que não o reverenciasse.
Sócrates deixou a sua marca e foi em paz, no dia em que seu time de coração se sagrou pentacampeão brasileiro, deixando-nos com a certeza de termos visto um Poeta do futebol.
Adeus, adeus Doutor. Sabes, agora, como é frágil a nossa existência. Sabes, agora, sobre as nuvens pétreas, conheces o cais de onde partimos e como num passe de mágica visitastes as maravilhas do mundo. Batestes suas asas de colibri e fostes, no fluxo do vento, beijar outra flor em outro jardim.

                                     Gustavo Felicíssimo

Sugestão de leitura


Belíssimo ensaio de Marinélia Silva sobre um conto de Miguel Carneiro – que é um dos mais destacados contistas aqui da Bahia – inserido em O diabo em desordem. Vale à pena ler o texto. Eis AQUI o link.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fim de ano com boas notícias


        Há poucos dias recebi os resultados do 29º Concurso Literário Yoshio Takemoto, promovido pela Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil, sediada em São Paulo, que para a minha surpresa concedeu-me o prêmio máximo em duas categorias: conto e poesia. Para além do valor recebido pela premiação há sempre a satisfação e a sensação, ainda que vaga, de que estamos no caminho acertado, afinal a esses prêmios juntam-se outros dois em que fui contemplado neste ano, que foram o Cataratas (PR) e o Maximiano Campos (PE). O conto selecionado chama-se O amigo de Caymmi e o poema Um poema novo a cada dia.

AQUI o link com a notícia completa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Prêmio para Ferreira Gullar e Laurentino Gomes


Fonte: PublishNews

O 53° Prêmio Jabuti entregou ontem à noite o prêmio de Livro do Ano de Ficção ao poeta Ferreira Gullar, pela obra Em alguma parte alguma (José Olympio). O título de Livro do Ano de Não Ficção foi dado ao jornalista Laurentino Gomes por 1822 (Nova Fronteira). As duas categorias são as mais importantes da premiação e cada vencedor receberá R$ 30 mil.

Saiba mais AQUI.

terça-feira, 29 de novembro de 2011


no criado-mudo
um livro de poemas
chegados à prosa

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ESTRELA DO NATAL


Carvalho Filho

É a estrela primeira da tarde, a que surge
alta e só num céu ainda claro
de silêncio e luz morrente,
em pleno espaço violáceo que coroa
os horizontes submissos do crepúsculo.

A que arde lúcida além da alma dos longes
no escampo ar marinho,
tão intensa e solitária que nem no mistério
das águas anoitecendo ensimesmadas
se reflete.

Queima no ermo a estrela virgem do Natal:
é asa de fogo, asa de fogo vencendo
num obscuro céu de memória.
É a anunciação apocalíptica da noite.
É a luz da Eternidade.

Cintila única na tarde descolorindo
e no universo parado
a estrela rútila do Natal:
- sobre os morros flutuando na luz crepuscular
- sobre os mares exaustos
- sobre distâncias de tempo azul e cinza
- sobre distâncias siderais
- sobre a cidade satânica
- sobre o coração humano.

É o espírito de Deus velando a treva.

Em Breve Romanceiro do Natal
Salvador; Editora Beneditina, 1972.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Boi Morto


Um amigo me escreve dizendo que ao fazer sua necessária e obrigatória remada matinal na Enseada do Pontal, em Ilhéus, passou por ele, levado pela corrente, um cavalo morto, com apenas as patas podendo ser avistadas por sobre as águas. Tal relato me fez lembrar, e, inevitavelmente, me levou a reler o poema Boi Morto, do Manuel Bandeira.

Boi Morto

Como em turvas águas de enchente,
Me sinto a meio submergido
Entre destroços do presente
Divido, subdividido,
Onde rola, enorme, o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Árvore da paisagem calma,
Convosco – altas tão marginais!
Fica a alma, a atônita alma,
Atônita para jamais.
Que o corpo, esse vai com o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Boi morto, boi desconhecido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi
Ninguém sabe. Agora é boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Hitler após a 2ª Guerra na Argentina?


Hitler e a mulher não se suicidaram num "bunker" em Berlim no dia 30 de abril de 1945? É o que dizem os livros de história. A Folha de São Paulo do último dia 20, noticia que em The Grey Wolf - The Escape of Adolf Hitler, livro que acaba de ser lançado no Reino Unido, os britânicos Gerrard Williams e Simon Dunstan sustentam que Hitler escapou do "bunker" três dias antes de seu suposto suicídio. Então, voou para a Dinamarca e para a Espanha, e foi embarcado, com ajuda do general Franco, num submarino com destino à Argentina. Hitler teria se instalado em mais de uma residência na Patagônia, com Eva e duas filhas. Viveria mais 17 anos, e teria morrido no dia 13 de fevereiro de 1962, aos 72 anos. Os autores reuniram depoimentos de pessoas que dizem ter visto o Führer ou trabalhado para ele na Patagônia.
Parece ficção, e essa possibilidade de Hitler ter vivido até a morte na Argentina, um delírio. Entretanto, se o Führer tivesse escapado ileso da derrocada alemã, um dos lugares prováveis onde ele se exilaria seria sem dúvidas a nossa vizinha Argentina, pois é por demais sabido os laços de amizade que o regime nazista mantinha com o peronismo.  
Para quem quiser conhecer mais detalhes sobre o assunto, sugiro o livro “La autentica Odessa”, do jornalista com faro de historiador, Uki Goñi, onde está revelado um capítulo negro da história argentina: o país foi um porto seguro para nazistas depois da 2ª Guerra Mundial. Nessa obra, como afirma Sergio Kiernan, uma das coisas que mais chamam a atenção é o rigor do autor: cada afirmação possui uma nota citando um documento.
Tocar nesse assunto com nossos hermanos é muito desagradável. Para eles essa vergonha deveria ser sepultada e esquecida. Também, pudera!

domingo, 20 de novembro de 2011

PIANO


Arrebata-me ao pôr-do-sol
o som de um piano distante;
sua canção, que desconheço,
é magia por um instante;

entra pela porta e janela,
faz do aposento passarela

enquanto uma réstia de luz
cintila sobre o meu poema
que nesse momento transluz:

à folha toda iluminada
não cabe acrescentar mais nada.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Poemas de Lya Luft


              Fonte: O Estado de S. Paulo

O sono tornou-se inquieto por alguns instantes. “Sonhei que estavam me matando”, comentou o psicanalista Hélio Pellegrino com a mulher, a escritora e tradutora Lya Luft, durante a madrugada da segunda-feira, dia 21 de março de 1988. Tema comum na obra de ambos, a morte parecia ser apenas objeto de inspiração. Infelizmente, não era – incomodado por um desconforto gástrico, Pellegrino foi internado naquela manhã, depois de constatado um pequeno infarto. E, quando parecia que a recuperação se finalizava, uma parada cardíaca fulminante o matou. Era 23 de março. Ele estava com 64 anos e com muitos projetos. A perda súbita transtornou Lya. Suspensa da realidade pela dor, ela decidiu transformar o travo no coração em poesia. Nascia O lado fatal (Record, 96 pp., R$ 24,90). Trata-se de 40 poemas escritos num rompante, um por dia, que conciliam sentimentos contraditórios como raiva e pesar, esperança e desalento, dor e esperança.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Em algum lugar do paraíso


novíssimas crônicas de Veríssimo

Há quem diga que a crônica não se constitui como gênero literário, especialmente por ser, em princípio, um relato cronológico de fatos sucedidos, caracterizando-se como, digamos, a memória escrita, embora muitas possuam nitidamente alto grau de fabulação. Há vários tipos de crônicas, as que mais gosto são as humorísticas e as líricas, terrenos em que Luis Fernando Veríssimo vai muito, mas muito bem. Por isso o seu novo livro, Em algum lugar do paraíso (Objetiva, 184 pp., R$ 36,90), que traz 41 crônicas, todas inéditas em livro e escritas ao longo dos últimos cinco anos, era esperado com expectativa desde o anúncio da entrega dos originais para publicação. Nelas, o escritor fala sobre a vida, a morte, o tempo e o amor, sempre com um ar nostálgico e repleto de reflexões acerca das escolhas feitas ao longo da existência. O livro é cheio de personagens idiossincráticos e ao mesmo tempo banais. Todos possuem as mesmas inquietações, tão comuns a todo mundo.

Outros Silêncios por Edson Kenji Iura

O haikai, forma poética de origem japonesa, nasceu para o Brasil no início do século passado, através da pena de Afrânio Peixoto. Até hoje, prestamos tributos a esse e a outros baianos pioneiros, que ajudaram a forjar com talento a tradição do haikai nacional. Ao lado dos poetas nativos, a Bahia revelou também um estudioso do calibre de Carlos Verçosa, paranaense que adotou essa terra e que muito tem contribuído com seus estudos para resgatar a justa dimensão do haikai dentro da literatura brasileira. É o mesmo caso de outro forasteiro, o paulista de Marília Gustavo Felicíssimo, que, uma vez seduzido pelos encantos do sul da Bahia, deixou-se ficar entre Ilhéus e Itabuna, para formar família e dedicar-se à literatura. Transitando com destemor através do haikai e de suas formas conexas, o senryu, o renga e o haibun, todas registradas neste livro, Gustavo Felicíssimo soube plasmar todas as influências recebidas de baianos como Afrânio, Oldegar Vieira, Gil Nunesmaia e Abel Pereira numa obra que aponta para o futuro, ao honrar a tradição haikaísta do grande estado nordestino.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tomás Segovia morre aos 84 anos


O poeta espanhol Tomás Segovia, exilado no México desde 1940, por conta da guerra civil espanhola, faleceu nesta segunda-feira, dia 7, aos 84 anos, na capital mexicana. Ele foi vítima de câncer, informou o Instituto Nacional de Belas Artes (INBA). Para Teresa Vicencio Álvarez, diretora geral do INBA, "Segovia é um dos poetas mais importantes das letras em língua espanhola”. De sua obra possuo apenas um livro, Lapso (1987), presente que recebi de um grande amigo. Dele retirei o belo soneto abaixo.

Tus pechos se dormían en sosiego

Tus pechos se dormían en sosiego
entre mis manos, recobrando nido,
fatalmente obedientes al que ha sido
el amor que una vez los marcó al fuego;

tu lengua agraz bebía al fin el riego
de mi saliva, aún ayer prohibido,
y mi cuerpo arrancaba del olvido
el tempo de tu ronco espasmo ciego.

Qué paz... Tu sexo agreste aún apresaba
gloriosamente el mío. Todo estaba
en su sitio otra vez, pues que eras mía.

Afuera revivía un alba enferma.
Devastada y nupcial, la cama olía
a carne exhausta y ácida y a esperma.

Para conhecer melhor o poeta e sua obra basta CLICAR AQUI

domingo, 6 de novembro de 2011

Outros Silêncios em São Paulo

O lançamento de Outros Silêncios em São Paulo foi ótimo. Emocionante rever amigos da Bahia na terra da garoa e haikaístas como Teruko Oda e Guin Ga que até então apenas "conhecia" via internet. Abaixo, algumas fotografias do evento. Agora estou em Marília, minha cidade natal, onde sábado o público e amigos conhecerão também o livro.

com o monge francisco handa

auditório lotado no colégio santo agostinho
guin ga, benedita azevedo e teruko oda (em pé)
convento santo agostinho
com edson kenji após autografar muitos livros

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

OUTROS SILÊNCIOS

meu novo livro será lançado neste sábado, em São Paulo


Trata-se do meu terceiro livro, ocorrerá em importante evento literário, o 23º Encontro Nacional de Haikaístas, em São Paulo, oportunidade em que farei uma palestra intitulada O haikai no nordeste e suas peculiaridades.
Depois da capital paulista lanço Outros Silêncios em Marília, minha cidade natal, na quinta-feira, dia 10. Será motivo de enorme alegria retornar ao meu berço após tantos anos, sobretudo para lançar um livro, rever familiares e amigos de longuíssimas datas.
Pode-se dizer que Outros Silêncios é o resumo do meu trabalho nos últimos dez anos em que estive imerso em formas poéticas oriundas do Japão. A grande novidade da obra fica por conta de uma série de 40 poemas sobre o rio Cachoeira, escritos em parceria com George Pellegrini, intitulados Renga do Rio Cachoeira, poemas que refletem nossa indignação com o descaso e irresponsabilidade das autoridades para com os rios do Brasil, sintetizados no Cachoeira, o principal aqui da região onde vivo, o sul da Bahia. 

Quem quiser adquiri-lo (ao preço de 20,00, incluso o frete) pode escrever para: gfpoeta2@hotmail.com

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O modernismo visto do avesso


Fonte: Folha de S. Paulo - 29/10/2011

A história da literatura brasileira, tal como é ensinada nos manuais e reproduzida na universidade, arma-se sobre uma lógica "centralista, centrípeta e excludente", traços que partilha com a organização política e econômica do país, afirma Luís Augusto Fischer, Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e um dos principais nomes da nova geração de críticos literários no Brasil, em O modernismo visto do avesso. É preciso, portanto, reescrevê-la, conclui o autor de Literatura Brasileira: Modos de usar (L&PM) e Machado e Borges (Arquipélago).
Comprarei o meu exemplar hoje mesmo, pois esse texto eu quero ver de perto, pois sempre observei o Modernismo no Brasil a certa distância e como um modelo frouxo e permissivo, prestador de um desserviço à poesia brasileira que a partir da mal entendida liberdade, caiu, muitas vezes, como dizia o mestre Ildásio Tavares, na permissividade e no vulgarismo.

Clicando AQUI se poderá ler uma boa entrevista com o autor.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E por falar em Jorge Amado...


Fonte: Folha de S. Paulo - 29/10/2011

O centenário de nascimento de Jorge Amado, no ano que vem, é a oportunidade de atrair leitores para o "Balzac brasileiro", como o descreve Charles Buchan, agente literário sediado em Londres que negocia novas traduções do autor baiano para o mercado europeu. A Morte e a morte de Quincas Berro D´Água é o primeiro título dessa fornada: sai pela Penguin, com tradução de Gregory Rabassa, no começo de 2012. De acordo com a coluna Painel das Letras, editores da França, Itália, Suécia e até da China estão comprando também Jubiabá, Capitães da Areia, Bahia de Todos os Santos e Tocaia Grande.