sexta-feira, 5 de junho de 2009

HAICAIS PARA O RIO CACHOEIRA

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, lamento demais a triste situação da cidade onde moro, Itabuna, Bahia, que despeja todo o seu esgoto in natura no belíssimo Rio Cachoeira, matando peixes e destruindo a natureza. Por isso esses meus haicais encadeados, como uma forma de protesto, ainda que nenhum político, nenhum pseudo-ambientalista nos ouça ou leia.

I
madruguei chorando -
silenciou-se o grande rio
ao me ver nascer.

II
e seguiu seu curso -
infinito em suas curvas
terno em meu olhar.

III
silente e calado
ele desfez os mistérios -
canções ao luar.

IV
puro em sua nascente
desce o rio cortando o campo
espalhando vida.

V
e vai todo em brasa
dentro da noite ferida
onde os sonhos erram.

VI
vai feroz e louco
abrindo as portas do peito
galopando a dor.

VII
não é o rio da aldeia
mas o rio de todos nós -
Cachoeira o seu nome.

VIII
eu sigo o seu curso
sem lume, sem remo ou âncora -
triste e indignado.

IX
pois rio sem carinho
quando avista arranha-céus
vê-se a fenecer.

X
não morre de vez
porque é valente esse rio -
tinhoso e audaz.

XI
nada singra mais
as correntes deste rio -
só a lama humana.

XII
perdeu o vigor
e jaz de um modo indevido -
na forma de esgoto.

XIII
pois repousa agora
pousado em sua fortuna -
com febre e com frio.

XIV
lá vai o Cachoeira
faminto pelo caminho -
descendo pro mar.

XV
se querem um rio
para chamá-lo de seu
que venham salvá-lo

5 comentários:

Dauri Batisti disse...

Pelo blog do Jorge Elias caí aqui. Estou reconhecendo seu espaço. Que bom ver a poesia resistindo, levantando a voz da natureza.

Um abraço

José Carlos Brandão disse...

Excelentes haicais, cantando e deplorando a lamentável a situação do rio Cachoeira.
Parabéns. Persista nessa luta - pela poesia e pela natureza.
Abraços.

S. R. disse...

A Natureza não "é" nossa, somos parte dela. Segue um poema 'ecológico', do meu livro ATINGUASSU, no prelo. Autorizo a publicação, desde que citados fonte e autor. Saudações Poéticas!

Predador

Pesa o peso
pois pesado
porque predas
paga o preço
pelo pouco
poetar


S. R. Tuppan,
Poeta pernambucano, editor da Revista POÉTICA XXI.

Clarice Villac disse...

Gustavo,

seus haicais têm a Vida em si,
e merecem ser muito difundidos !

Abraços solidários !

Wesley M Ferreira disse...

Que bela surpresa encontrar seu blog. Vou visitar sempre!