segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A poesia de Paulo César Pinheiro


Paulo César Pinheiro nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 28/04/1949. Com seu primeiro parceiro, João de Aquino, compôs "Viagem", em 1964. A partir de 1965 deu início à parceria com o violonista Baden Powell, que durou muitos anos e abriu as portas do sucesso para sua poesia. "Lapinha", "Quaquaraquaqua", "Aviso aos navegantes" e "Refém da solidão" foram algumas das canções que surgiram nessa época. É parceiro de inúmeros compositores nacionais, tendo mais de 2.000 composições de sua lavra, sendo que 900 delas gravadas Em 2003, foi agraciado com o Prêmio Shell de Musica Brasileira. 

Em 2009, um estudo biográfico aprofundado foi lançado e celebrou seus 60 anos de uma vida e 40 de carreira. Trata-se de A Letra Brasileira de Paulo César Pinheiro - Uma jornada musical, projeto de Conceição Campos, escritora e pesquisadora que por dez anos se dedicou à pesquisa e ao estudo sobre a obra e vida do multimídia Paulo César Pinheiro, aliando o cunho biográfico ao olhar analítico sobre sua obra e sua importância para a cultura nacional.
Desavisados, alguns leitores poderão achar que Pinheiro é basicamente letrista e compositor. Enganam-se, pois ele é, sobretudo, poeta, e dos bons. Tipo de autor com o qual vivo me batendo aqui na minha biblioteca, apaixonado que sou por redondilhas e octossílabos, versos no qual ele é mestre.
Em 1983 lançou o LP "Poemas Escolhidos", registrando 33 poemas de sua autoria. Tem cinco livros publicados: "Canto Brasileiro" (1973), "Viola Morena" (1984), "Atabaques, Violas e Bambus" (2000), “Clave de Sal” (2003), obra com a qual me entreti neste final de semana. E mais recentemente lançou o romance "Pontal de Pilar" (2009).
Abaixo, dois poemas e um vídeo, onde recita Obá de Xangô, poema sobre Dorival Caymmi e que muito me lembra meu grande amigo e mestre Ildásio Tavares, de grande memória, também um Obá de Xangô.

PRAIA DO PORTO

Na praia do porto amanheço.
Na pedra do cais tomo assento.
Na água salgada eu me benzo.
No brilho do sol me oriento.

Na orla deserta eu caminho.
Na trilha de concha me enfeito.
No espelho de prata mergulho.
No pé da palmeira me deito.

No vento do mar me penteio.
No cheiro do sal me perfumo.
Na rede de palha balanço.
No azul do horizonte me aprumo.

Na estrela da tarde te chamo.
Na ponte de tábuas te vejo.
Num vão de maré te contemplo.
Na luz do luar te desejo.

No branco da espuma te encontro.
Na areia do chão te desenho.
No ronco das ondas te encanto.
No sangue da aurora te tenho.

No corpo moreno eu me esvaio.
Na arrebentação me energizo.
Na vela do barco adormeço.
No canto do mar me eternizo.


A GRANDE VIAGEM

O mar tem muito mistério,
A vida muito segredo.
O mar às vezes assusta,
A vida às vezes dá medo.

A gente é só marinheiro,
A vida é como oceano.
No mar tem barco-fantasma,
Na vida tem desengano.

O mar é pura aventura,
A vida é a grande viagem.
Por isso o mar tem quimera
E tem a vida miragem.

O mar é estrada comprida,
A vida é um barco no mar.
O mar vai dar em que vida?
E a vida onde é que vai dar?


Poemas extraídos do livro Clave de Sal, 2003. Editora Griphus – Rio de Janeiro.

4 comentários:

sinfonia disse...

Olá, foi um prazer estar aqui.
Acha que posso colocar num dos
meus blogues um destes poemas?
Basta me deixar um comentário.
Um abraço

Gustavo Felicíssimo disse...

Claro que pode, meu caro! Ademais, P.C.Pinheiro é um bom poeta e merece ter sua obra cada vez mais divulgada.

margoh werneck disse...

Adorei! ja te sigo.
beijo

Neuzza Pinhero disse...

Salve, Gustavo!

P. C. Pinheiro é mestre.
Tenho me emocionado cada vez mais
ouvindo as parcerias dele com Guinga(outro mago) no cd "Delírios Cariocas" de Guinga: Saci e Passarinhadeira, obras-primas da Música. E ainda tem gente que escolhe o Zé Carioca como símbolo de sei-lá-o-que...outros escolhem o pica-pau...
Pertenço à Sociedade de Criadores de Saci e observo o Saci como se observam as estrelas no céu.
Abraços, meu amigo!
Recomendações aos sacis e passarin hos da sua terra!