sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ildásio Tavares leva o Prêmio do Pen Clube de Portugal

Foi Adelmo Oliveira que na terça-feira cedinho me deu a noticia, mas nem o poeta sabia ao certo os detalhes da premiação. Ildásio, que esteve comigo em Ilhéus por três dias participando do Bahia de Todas as Letras, levou o prêmio com o livro “Flores do Caos”, editado em Portugal pela Labirinto, uma editora que apenas publica poesia. Tive o prazer de ler essa obra ainda antes da publicação e sobre ela fiz uma palestra na Academia de Letras da Bahia, dentro do evento Encontros Literários, onde também falei sobre a obra de Myriam Fraga.
Sempre digo ser impossível se ater à história da literatura baiana no Século XX sem se dedicar demoradamente a Ildásio Tavares. É tão vasta a sua obra, sua formação e suas incursões literárias que seria inviável e extravagante discorrer sobre essa questão. Ildásio Tavares estréia na poesia no ano de 1967, com poemas inseridos na antologia Moderna Poesia Bahiana. Seu primeiro livro veio ao público em 1968, “Somente Canto”, a esse seguem-se outros, entre os quais se destacam: “Tapete do Tempo”, 1980; “IX Sonetos da Inconfidência”, 1997; o moderno “Odes Brasileiras”, de 1999; e “Flores do Caos”.

DOIS POEMAS DE ILDÁSIO TAVARES

O MEU TEMPO

Não existe hora certa, existe o meu relógio,
Lembrando sempre com seu tic-tac
Que há vida
Para ser vivida,
Que houve a vida
Que não se viveu.
Não importa que o rádio renitente ruja
São tal hora e tal minuto,
Hora oficial,
Afinal,
Que há de oficial em minha vida?


RESTOS

Há um resto de noite pela rua
Que se dissolve em bruma e madrugada.

Há um resto de tédio inevitável
Que se evola na tênue antemanhã.

Há um resto de sonho em cada passo
Que antes de ser, se foi, já não existe.

Há um resto de ontem nas calçadas
Que foi dia de festa e fantasia.

Há um resto de mim em toda a parte
Que nunca pude ser inteiramente.

Um comentário:

Por que você faz poema? disse...

Genial, como sempre.
E reconhecimento em vida, o melhor prêmio.