terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ainda Bandeira e Medauar

Após o Pasticho a que nos referimos na postagem anterior, Manuel Bandeira em uma de suas crônicas transcreveu os versos de Medauar e lhes deu resposta impressa no poema “A Jorge Medauar”, justificando a tréplica dizendo com o seguinte argumento: Eu poderia me limitar a agradecer ao poeta o abraço e dizer-lhe que lhe ficam muito bem os sentimentos expressos nesses versos. Mas, em mim, pelo menos, verso puxa verso. Aquelas “tintas da madrugada” alvoroçaram o que ainda me resta de bossa poética, no coração contrito. O resultado foi essa insignificância, que ofereço, dedico e consagro

A Jorge Medauar
Manuel Bandeira

Há trint’anos (tanto corre
O tempo! escrevi a poesia
Onde disse que fazia
Meus versos como quem morre.

Ainda não eras nascido.
Agora, orgulhosamente
Moço, ao poeta velho e doente
Parodiaste destemido:

“Das batalhas em que estive
É o suor que em meu verso escorre!
Tu o fazes como quem morre:
Eu o faço como quem vive!”

Façam-no como quem morre
Ou quem vive, que ele viva!
Vive o que é belo e deriva

Da alma e para outra alma corre.

Verso que dele se prive,
Ai dele! Quem lhe socorre?
Nem Marx nem Deus! Ele morre.
Só o verso, com alma, vive.

Deste ou daquele pensar,
Esta me parece a reta,
A justa linha do poeta,
Poeta Jorge Medauar.

3 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Tempos de muita poesia.
Abração para vc, Gustavo.

Hilton Valeriano disse...

Ele faz parte da geração 45?

Gustavo Felicíssimo disse...

Sim, vc foi em cima. Aliás, sua poesia e a forma adotada denunciam isso.