sábado, 14 de novembro de 2009

UMA BURCA PARA GEISY

a incrível história da moça que foi esculachada numa faculdade paulista por andar de mini saia. se fosse aqui na Bahia ela seria colocada num altar.

I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
"Arrocha a tampa, gostosa!"

III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: "oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!"

VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.

Miguezim de Princesa

6 comentários:

Xadrez da Esther Felix disse...

Gustavo, parece-me que esse Miguezim é das bandas de Marília. O humor esculachado lembra o mestre Cuíca. Valeu ter divulgado o cordel no blog, mostra o seu ecletismo cultural. Abreijos,
Jotacê

Gerana Damulakis disse...

Bacana. Acabei rindo aqui.

BAR DO BARDO disse...

Genial, Miguezim. Parabéns!

Heitor Brasileiro disse...

O Miguezim é um dos nossos.

Anônimo disse...

"BECO DO BAZAR" DE VILA NOVA DA RAINHA DEVERIA ACHAR UM MELHOR PSEUDÔNIMO. NEM DE CORDEL EU GOSTO! ADMIRO SIM AS XILOGRAVURAS, É O MESTRE DE TODOS ELES, AIDA É VIVO E TEM SUA OFICINA TIPOGRÁFICA EM BEZERROS (PERNAMBUCO)E SE CHAMA J. BORGES. JÁ QUE O SOBRENOME DADO AO PSEUDÔNIMO QUERO, POIS A PIOR COISA DO MUNDO É LABUTAR COM POETA IGNORANTE. O PRIMEIRO CORDEL PUBLICADO NA BAHIA FOI JUSTAMENETE EM FEIRA DE SANTANA, TAMBÉM CHAMADA "A PRINCESA DO SERTÃO", E QUEM O PUBLICOU FOI O MEIRINHO SOUZA VELHO, DE NOME "O ABC DE LUCAS DA FEIRA". NA SEÇÃO DE OBRAS RARAS DA BIBLIOTECA PÚBLICA DOS BARRRIS HÁ LÁ UM ÚNICO ORIGINAL. MEU AVÔ PATERNO COSTUMAVA QUANDO MENINO ME COLOCAR PARA DORMIR ME NINANDO COM ESTE ABC. AINDA HOJE LEMBRO-ME DE UMA DE SUAS ESTROFES:
LÁ na tapera eu tinha / Manoel Nunes confiado / um dia preguei-lhe o beiço / num pau bem afiado". Miguel Carneiro que não é este tal das Princesas.

Mai disse...

muito bom este.

abraços.