sábado, 26 de maio de 2012

Ladrando feito um cão


Certo! Um dia verei Deus
com esses olhos que a terra há de comer.
O que face a face me dirá, não sei,
mas lhe beijarei as mãos
e tomarei a sua benção
como outrora fiz à minha mãe.
Então mostrarei o nome do seu filho
impresso nas paredes dos prostíbulos
e nas páginas de antigos livros
que unem e separam os homens.
Mostrarei tantos clamores inauditos,
os discursos pela paz mundial
e aquele franzino Davi
montado em poderosos helicópteros
e tanques de guerra subjugando o seu irmão.
Estarei ladrando feito um cão
e ele me lembrará
que a videira é seca, suja e torta,
que esse vale é feito de lágrimas.

            Gustavo Felicíssimo

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