sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Euclides da Cunha poeta?

100 anos da morte do autor de “Os Sertões”
Colóquios literários, eventos, debates, ensaios e até um romance baseado na vida e obra de Euclides da Cunha estão vindo a público em função dos 100 anos da sua morte.

Figurando entre os mais importantes escritores da literatura brasileira, Euclides da Cunha morreu em 15 de agosto de 1909, aos 43 anos de idade, em um duelo com o militar Dilermando de Assis, amante de sua mulher, Ana. Nascido em 1866, na então província do Rio de Janeiro, cursou a Escola Politécnica e tornou-se engenheiro militar. Mas sua vocação sempre foi a escrita. Em 1897 viajou para Canudos, no sertão da Bahia, como correspondente do jornal A Província de São Paulo, futuro O Estado de S. Paulo. Foi designado como correspondente do jornal para cobrir a Guerra de Canudos, quando o Exército Brasileiro enfrentou e derrotou a resistência popular liderada por Antônio Conselheiro. As reportagens que escreveu para o jornal paulista transformaram-se em base para os relatos de “Os Sertões”, ícone da literatura brasileira.
Nas três famosas partes em que se divide - “A terra”, “O homem” e “A luta” - Euclides pôs o Brasil inteiro, as peculiaridades do nosso povo e a complexidade da nossa história. “Sua obra teve uma repercussão que o tempo só tem feito crescer”, afirmou o crítico literário Tristão de Athayde.
Euclides da Cunha pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico e à Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 1903. Além do clássico “Os Sertões”, publicou também “Contrastes e Confrontos”, “Peru versus Bolívia” e “À Margem da História”, editado após sua morte. Oito anos após matar Euclides, Dilermando de Assis também assassinou o jovem Quidinho – Euclides da Cunha Filho –, que tentava vingar a morte do pai.

Cem anos após a sua trágica morte, Euclides da Cunha continua vivo na admiração e no respeito dos seus milhões de leitores, pela admirável obra, entretanto, pouca gente sabe que o escritor também fora poeta, de talento parco, é verdade, mas que à luz da historicidade não pode e não pode ser ignorado. Como prova o poema “Eu quero”, escrito ao que nos parece, aos 17 anos de idade.


EU QUERO [1883]

Eu quero à doce luz dos vespertinos pálidos
Lançar-me, apaixonado, entre as sombras das matas
_ Berços feitos de flor e de carvalhos cálidos
Onde a Poesia dorme, aos cantos das cascatas...

Eu quero aí viver _ o meu viver funéreo,
Eu quero aí chorar _ os tristes prantos meus...
E envolto o coração nas sombras do mistério,
Sentir minh'alma erguer-se entre a floresta de Deus!

Eu quero, da ingazeira erguida aos galhos úmidos,
Ouvir os cantos virgens da agreste patativa...
Da natureza eu quero, nos grandes seios túmidos,
Beber a Calma, o Bem, a Crença _ ardente a altiva.

Eu quero, eu quero ouvir o esbravejar das águas
Das ásperas cachoeiras que irrompem do sertão...
E a minh'alma, cansada ao peso atroz das mágoas,
Silente adormecer no colo da solidão...

Sugestões de leituras externas:

Revista de HISTÓRIA da Biblioteca Nacional, edição de agosto, onde há uma coletânea de textos sobre Euclides da Cunha e sua maior obra

Outros poemas de Euclides da Cunha em:
http://www.culturabrasil.pro.br/ondas.htm

5 comentários:

Eliana Mora (El) disse...

Muito bom que tenhas trazido a poesia dele; gostei.


Abraços a ti,

El

Anônimo disse...

POETA GUSTAVO FELICÍSSIMO,
DEUS VOS SALVE E TE PROTEJA!

COMO GOSTO DA TEMÁTICA DE CANUDOS E DESTE EPISÓDIO SANGRENTO DE NOSSA HISTÓRIA EM TERRAS BAIANAS. O TÃO ACLAMADO "EUCLIDES DA CUNHA", OMITIU PROPOSITALMENETE EM SUA OBRA, NEM COLOCOU NO RODAPÉ DADOS DE TEODORO SAMPAIO. PARA MIM QUEM MELHOR FOI FELIZ ESCREVENDO SOBRE A GUERRA FOI O ACADÊMICO DE MEDICINA BAIANO: MARTIN ALVIM HORCADES EM SEU LIVRO: "UMA VIAGEM A CANUDOS". NÃO DEVEMOS ESQUECER QUE O EX-REITOR DA UFBA, PROFESSOR JOSÉ CALAZANS DA SILVA DEIXOU UMA VASTA OBRA SOBRE O TEMA, COM SUA PENA PRODUZIU AQUILO QUE EUCLIDES OMITIU,A BIOGRAFIA DE CADA CANUDISTA QUE ACOMPANHAVA MEU BOM JESUS CONSELHEIRO. OUTRA OBRA IMPORTANTE, PELO LADO DOS VENCIDOS: É DE DANTE DE MELO " A VERDADE SOBRE OS "SERTÕES", PUBLICADA PELA BIBLIOTECA DO EXÉRCITO. E A RESPOSTA A DANTE FEITA POR LUIZ VIANNA FILHO, EDITADO PELA LIVRARIA PROGRESSO DA BAHIA POR PINTO DE AGUIR "A MARGEM D'OS SERTÕES". SOBRE A TEMÁTICA DE CANUDOS HÁ UMA VASTIDÃO DE LIVROS. O QUERIDO AMIGO ANTONIO OLAVO, QUE É UM APAIXONADO PELO TEMA, DISPONIBOLIZOU EM SEU SITE TODA UMA BIBIOGRAFIA A CERCA DA TEMÁTICA: EIS O LINK DO PESQUISADOR ANTONIO OLAVO:

http://www.portfolium.com.br

RECEBA O MEU ABRAÇO,
MIGUEL CARNEIRO.

Anônimo disse...

CORREÇÃO:
ONDE SE LER: "VENCIDOS", LEIA-SE: "VENCEDORES". MIGUEL CARNEIRO

Anônimo disse...

POETA Gustavo Felicíssimo,

o Poeta baiano COMBATENTE E AGUERRIDO JOSÉ DE OLIVEIRA FALCÓN,JÁ FALECIDO, QUANDO SE EMBRENHOU NO CHILE NA ÉPOCA DE ALENDE, NUMA EDIÇÃO RARA DA GRÁFICA SÃO JOSÉ, NA BAHIA,PUBLICOU UM LIBELO:"CANUDOS, GUERRA SANTA NO SERTÃO", À MANEIRA DOS VERSOS DE FEDERICO GARCIA LORCA. E OUTRO BAIANO GENIAL: PAULO GIL SOARES, ESCREVEU "EVANGELHO DE COURO", PEÇA DE TEATRO, DE UMA BELEZA EXTRAORDINÁRIA. CANUDOS NÃO SE RENDEU,E O MOVIMENTO QUE PADRE ENOQUE OLIVEIRA, DESENVOLVEU EM MONTE SANTO TEMPOS DEPOIS REVIVEU E REVIVE ATÉ A HOJE A CELEBRAÇÃO AOS MÁRTIRES DA GUERRA. JOÃO BÁ, MÚSICO BAIANO DA CIDADE BAIANA DE CRISOPÓLIS, ONDE CONSELHEIRO ERGEU UMA IGREJA, FEZ UMA CANÇÃO LINDA SOBRE ESTA TEMÁTICA QUE A CANTORA DE TUCANO ROSE GRAVOU. HÁ DOIS CENTROS DE REFERÊNCIA A ESTA TEMÁTICA: O CENTRO DE ESTUDOS BAIANOS COM O ACERVO DE PROFESSOR JOSÉ CALAZANS DA SILVA BRANDÃO E O CENTRO DE ESTUDOS BAIANOS TENDO À FRENTE O PROFESSOR PINHEIRO DA UNEB. PARA NÃO SE FALAR NA BELA ESCULTURA QUE MÁRIO CRAVO JÚNIOR ESCULPIU DE UM TRONCO DE UMA JAQUEIRA SOBRE A FIGURA DO MESSIÂNICO ANTÔNIO VICENTE MENDES MACIEL. GRANDE ABRAÇO, MIGUEL CARNEIRO

Anônimo disse...

PS: NÃO ESQUEÇEMOS DE "MEMORIAL DE CANUDOS" DO ARTISTA PLÁSTICO BAIANO TRIPOLI GAUDENZI.