domingo, 30 de maio de 2010

ARTES PLÁSTICAS: O MESTRE SANTE SCALDAFERRI É O ENTREVISTADO DO MÊS

Sante Scaldaferri é uma legenda das artes plásticas no Brasil. Baiano de Salvador, fez exposições individuais e coletivas em diversos países do mundo. Passou por diversos momentos estéticos sem fazer concessões, senão ao seu modo próprio de fazer e enxergar a arte. Foi assistente de Lina Bo Bardi quando da implantação do Museu de Arte Moderna da Bahia. Aliás, o MAM baiano e a Secretaria de Cultura do Estado devem à sociedade uma grande exposição panorâmica da obra do artista.
Sante também participou do cinema novo, com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, como ator e cenógrafo e faz parte de uma das mais frutíferas gerações de artistas baianos, a Geração MAPA.
Na presente entrevista ele mostra as diversas fases artísticas pela qual passou e nos brinda com imagens de obras que vão desde a sua fase colegial até os dias de hoje. É ler e conferir.

Gustavo Felicíssimo - Nesses mais de 80 anos de vida, quais foram as mudanças mais importantes pelas quais você viu a arte passar?
Sante -
Em todas as atividades da vida é constante o surgimento de coisas novas. É a evolução natural. Com a arte, não poderia ser de outra maneira. Daí o surgimento de novas linguagens, cada vez mais rápidas, devido aos atuais meios de comunicação ou as mídias.
Com esta certeza poderemos afirmar que todas as mudanças foram muito importantes, não só para a arte, como para o meu trabalho, devido que, à medida que as novas linguagens iam surgindo, eu as absorvia.
Melhor explicando. As grandes tendências da arte, mesmo antes dos clássicos gregos e romanos permaneceram, por muito tempo, quase intactas, com os mesmos conteúdos, características próprias, segundo a procedência nativa e os mesmos procedimentos técnicos. As mudanças foram muito lentas e duraram anos para se espalharem pelo mundo. Aos poucos, e naturalmente, foram recebendo novos elementos, mudanças, novas técnicas, transformações. Daí o surgimento de novas linguagens, inclusive algumas com rupturas consideráveis.
Em todas as expressões de arte, de todos os povos, e de todos os períodos, ficou, e vai ficar, naturalmente, o que de melhor foi realizado durante naquele período. E o que melhor foi realizado, com certeza, foi à inovação, foi quem inventou a coisa. Foram artista ou grupos de artistas que romperam e criaram novas formas de arte, hoje chamadas de linguagens. Portanto, querer destruir, não só o que foi implantado anteriormente, com diversos nomes, mas todos enquadrados como linguagem contemporânea de determinada época, e os artistas que adotaram estas linguagens, de nada adianta. Se o artista, de qualquer lugar do mundo, seguidor de alguma nova tendência contemporânea de alguma época, tiver ou deixar uma obra que possua as condições para ser considerada uma obra de arte, fica para a história. Por esta razão é que eu sempre digo. O que importa para mim é a minha obra. E eu, graças a Deus, queiram ou não, possuo uma obra já bem estudada por profissionais, gente do ramo. O resto é o resto.
Assim passaram-se os séculos e chegamos a Salvador , no princípio da década de cinquenta, quando entrei para a Escola de Belas Artes, ainda não pertencente a Universidade Federal da Bahia.
Será necessário um ligeiro retrospecto. Na década de trinta dominavam em Salvador os artistas acadêmicos, na maioria, professores da Escola de Belas Artes. Alguns, os mais conhecidos e importantes na época, foram estudar em Paris. No retorno, diziam-se impressionistas, que foi uma linguagem revolucionaria surgida na segunda metade do século XIX. Nos anos trinta, já existiam os Nabis, os Fouves, o Abstracionismo, o Cubismo, o Expressionismo, o Futurismo, o movimento Dada, o Surrealismo, para somente citar algumas das novas linguagens que não foram por eles absorvidas. Em 1922 acontece em São Paulo a Semana da Arte Moderna. Participou deste marco histórico da arte brasileira, o pintor pernambucano Vicente do Rego Monteiro e um pouco mais tarde, o seu conterrâneo Cícero Dias, em Recife, já adotara o surrealismo. Em 1932, volta de Paris, após ganhar uma bolsa de estudos, o pintor baiano José Tertuliano Guimarães. Ele, apesar de não absorver nenhuma das novas linguagens contemporâneas da época, conseguiu compreender a pintura de Cézanne que muito o influenciou, e com isso, foi o primeiro a dar um passo adiante do que aqui era chamado de impressionismo. José Guimarães, também inovou realizando pela primeira vez trabalhos recriados sobre a cultura afro-baiana, que ilustraram a edição nº 4 da revista SEIVA, de maio de 1939, toda ela dedicada ao negro. Esta diferença, e o rompimento com os procedimentos anteriores, lhe conferem a maior importância nas artes plásticas baianas. Assim ele se torna o primeiro artista que começa a diminuir a defasagem entre as novas linguagens e a arte anacrônica que era praticada na Bahia. O modernismo começou a surgir em Salvador, no meio da década de quarenta quando surgiu a primeira geração de artistas plásticos modernos da Bahia. Portanto, vinte anos depois da Semana de Arte Moderna de 22, que também começou com vinte anos de atraso.
Enquanto tudo isso acontecia, eu e a maioria dos que se interessavam pelo assunto, pouco ou nada sabíamos do que acontecia na arte contemporânea que se fazia na época. Dai a importância dos meios de comunicação, principalmente os jornais e revistas que começavam a publicar reportagens, textos de críticos de arte, a divulgarem as novas linguagens. Atualmente, e infelizmente, na maioria dos jornais brasileiros, foram eliminadas as colunas de crítica de arte. Daí em diante várias linguagens foram surgindo em espaço de tempo cada vez menores. E como todas eram importantes, eu as absorvia, mudando a forma de minha pintura, porém conservando o mesmo conteúdo.
Nunca fui, e não sou um artista comercial, interessado em pintar coisas agradáveis à vista, elaborando trabalhos de fácil leitura, exclusivamente para vender. Ou tecnicamente, nunca fui seguidor da “Estética da Norma”. Em todos os sentidos, nunca folclorizei minha pintura. Sei muito bem distinguir o que é popular do que é folclore. Nunca repeti durante anos a mesma forma de minha pintura. Nunca tirei constantemente “xerox” do meu trabalho. Adotando o procedimento de absorver as várias linguagens contemporâneas de cada época, assim que iam surgindo, surgiram também as várias fases de meu trabalho. Assim, é conveniente, para uma maior compreensão, mostrar imagens de algumas destas fases:

Fase ESCOLAR – 1952 a 1957



1ª Fase POPULAR – 1958 a 1960
Foram os literatos os primeiros a trabalhar para, no campo da arte, criar uma identidade cultural brasileira. Ela começou através da transfiguração da cultura popular do Nordeste. José Américo de Almeida foi o primeiro com A BAGACEIRA, de 1928. Depois vieram muitos, e entre eles Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Mario Sette, Gilberto Freire, entre outros. Gilberto Freire, no livro NORDESTE, usa pela primeira vez o termo ECOLOGIA, e, com chamada de página explicando o seu significado. Ele denunciava o escoamento na natureza pelas Usinas de Açúcar, do Vinhoto, que é um elemento venenoso. Esta minha fase é o inicio da mesma preocupação dos literatos. Ela tem, sobretudo, uma influência muito grande nos escritos de Mario de Andrade, também no meu trabalho, como nos de minha geração, hoje chamada de “Geração MAPA”.


Fase ABSTRATA – 1960 A 1964
Nesta fase houve dois momentos. O AEROFOTOGRAMÉTRICO e o CÓSMICO.


2ª.Fase POPULAR – 1964 a 1980
Esta fase é uma retomada, mais elaborada da primeira fase POPULAR.



Fase ANTROPOMÓRFICA -1980 a 2000
Em princípios de 1980, houve uma mudança brusca na forma em minha pintura. Continuando com o mesmo conteúdo, adotei a TRANSVANGUARDA que é uma linguagem mais contemporânea do expressionismo. Ela foi liderada pelo crítico italiano Achille Bonito Oliva, e, seguida na época, por importantes artistas. Entretanto também adotei, em alguns trabalhos, o NEO-EXPRESSIONISMO, que também pode ser sinônimo da TRANSVANGUARDA, e a POP ART. Neste mesmo rumo surgiram várias outras, que chamaria de sub-fases, sem serem um compartimento estanque e com características de “Pop”, “Monocromáticas”, “Linhas marcadas”, “Sem linhas”, “Coloridas” e “As fraquezas do caráter humano”. Porém tudo isso se enquadra numa fase geral que a chamo ANTROPOMÓRFICA.
Naquela época, um repórter argentino, que não me lembro o nome e nem qual o meio de comunicação trabalhava, me solicitou uma visita/entrevista dizendo que estava muito interessado na transfiguração da arte e cultura popular do Nordeste brasileiro. Quando ele chegou a minha casa e viu os novos trabalhos, se espantou, não sabia o que havia acontecido. Ai eu expliquei a ele que:

ANTES ERA EX-VOTOS COM CARA DE GENTE, E AGORA SÃO GENTE COM CARA DE EX-VOTOS

Não é gorda, gordinha, gorduchinha, fofinha ou fortinha. É uma arte muito seria e forte, possuindo um conteúdo profundo. São os ex-votos assumindo a condição humana para expressarem suas dores, angústias, invejas, ódios, ressentimentos, ciúmes, paixões, amores, mentiras, poder, alegria, medo, pavor, terror, corrupção de todo tipo, violência, assassinatos, enfim, tudo inerente ao ser humano. É a verificação plástica/visual entre o bem e o mal. Como a anterior, a forma desta fase é que a distingue de outros pintores. É a minha “escrita” pessoal, porém o conteúdo, não é um fato inédito. Ele remonta uns dois mil anos.



Fase atual
Por exaustão e o surgimento de novas linguagens dei por encerrada a fase ANTROPOMÓRFICA. Entretanto digo: O Homem-Porco e a Mulher-Porca são Anjos Exterminadores que cumpriram sua missão na terra. O que não impede deles retornarem a qualquer momento, caso seja necessário.
Acho que respondi com pequenos textos e imagens a sua pergunta sobre quais as mudanças mais importantes que vi passar na arte durante estes aos anos todos que a Graça de Deus me abençoou. Só falta agora falar sobre a absorção das atuais linguagens da arte contemporânea. Ela tem vários segmentos como Instalações, Performances, Vídeos, Arte Digital em muitas formas, Fotografia, Arte Conceitual, etc. Não sou absolutamente contra nenhumas delas. Ao contrario, as acho todas legitimas. Inclusive em todas elas posso adaptar o mesmo conteúdo que sempre usei na minha obra. Entretanto, por absoluta incompetência de minha parte, não sei captar recursos para a elaboração da maioria destas novas linguagens. Daí ter escolhido, dentro da arte digital, realizar a INFORGRAVURA.
Sempre existiu, uma maioria, que, mesmo com a publicação de inúmeros textos da crítica elogiando o meu trabalho e exaustivas explicações minhas, persiste até hoje uma incompreensão a respeito de meu trabalho da década de oitenta. Não só incompreensões, mas terríveis agressões, que às vezes sou capaz de distinguir quando é ignorância ou maldade.
Agora, os baianos, evidente, não todos, quando adotei a INFORGRAVURA, e com muito sucesso, já tendo participado de exposições em diversos de nossos estados, e por duas vezes seguida, participado da coletiva MUESTRA DE GRABADOS Y ARTE IMPRESSO MERCOSUR, de gravadores latinos americanos em Buenos Ayres, Argentina, ao verem os trabalhos, dizem maldosamente, é PHOTOSHOP. Assim querem desvalorizar, insinuando que é um trabalho exclusivamente técnico do computador. Aí aparecem novamente os elementos maldade e ignorância. Devido a estas novas incompreensões ou maldades, e mesmo sem ser perguntado, peço licença, para dar uma sucinta explicação.
PHOTOSHOP – Superposição ou composição de imagens geradas no próprio computador, ou colocadas nele. Pode ser com arte, como brincadeira, ironia, humor, etc. É exclusivamente usado o computador.
COMPUTAÇÃO GRÁFICA – Muito importante. Exige conhecimentos profundos de computação. É muito usado em Televisão, Cinema, Publicidade e proporciona os mais variados efeitos.
INFORGRAVURAS - Realizadas com inúmeros elementos ou imagens, tanto existentes no computador ou a ele acrescentadas. Pode haver superposição de imagens ou composição. Porém o mais importantes é que na INFORGRAVURA, tem de haver necessariamente a intervenção manual do artista. Não é só computador. Não é Photoshop, como pensam os desavisados. É Arte Gráfica. As gravuras são assinadas em serie, como qualquer outro tipo de gravura. Seguem algumas imagens de minhas INFORGRAVURAS.




GF - Sua obra já influenciou poetas. Eu gostaria de saber como a obra dos poetas influenciam a sua obra...
Sante
– Diretamente e intencionalmente, talvez não houvesse nenhuma influência considerável. Mas, sinceramente, não posso negar que, com certeza, houve. Houve devido à leitura, quando muito jovem, principalmente de Castro Alves, e mais tarde de Augusto dos Anjos. Outros poetas lidos com muito carinho foram meus contemporâneos e grandes amigos/companheiros. Por exemplo, da força dos poemas de Florisvaldo Mattos, “robei” os títulos de seus poemas e os coloquei nos quadros da minha fase abstrata. Wilson Rocha, Fernando da Rocha Peres, Frederico José de Souza Castro, João Carlos Teixeira Gomes, Albérico Mota, Lina Gadelha, José da Silva Dultra, Myrian Fraga, Carlos Anísio Melhor, Ildásio Tavares, lidos com o mesmo carinho, mesmo sem querer, devem ter influído.
Porém a minha maior influência desde 1957, ano em que me formei em Pintura, foi uma cadeira, hoje extinta na Escola de Belas Artes, chamada “Estudos Brasileiros”, onde comecei a elaborar o conteúdo da minha pintura. Esta cadeira dava uma visão do Brasil, não com profundidade, mas abrangendo todos os campos de nossa cultura. O catedrático era o psiquiatra e poeta Hélio Simões. Ele dava a aula inicial e poucas outras, mas durante o ano letivo as aulas eram proferidas por Carlos Eduardo da Rocha e Cid Teixeira. Pertencente a esta cadeira e em anexo, havia um pequeno museu onde constavam materiais de artesanato, de antropologia, etnologia, fotografias, santos barrocos, etc. E, sobretudo, uma bela coleção de ex-votos. Daí surgiu a minha paixão.
É muito importante a preservação das manifestações espontâneas da nossa cultura popular. Principalmente as do Nordeste, de uma riqueza imensa. De todas as manifestações populares do povo do Nordeste, como artesanato, arte e cultura, messianismo, religiosidade, as represento através da apropriação do ex-voto, que, no meu trabalho, é um signo/símbolo para expressar toda esta riqueza, todo o meu pensamento, e todo o meu sentimento. Desde o inicio da minha carreira que penso assim. O surgimento da obra de arte na minha pintura é decorrente da transfiguração de uma temática abrangente da cultura e arte do Nordeste brasileiro, associada a uma linguagem contemporânea internacional vigente na época. A forma muda conforme o aparecimento de novas linguagens, mas o conteúdo permanece o mesmo. É uma busca incessante de uma identidade cultural brasileira. Isto acontece até hoje, sempre coerente com o meu pensamento, sem fazer qualquer tipo de concessão.

GF – A essa altura da vida continua difícil explicar aquele movimento interior que nos orienta, inspira e nos motiva a criar?
Sante
- Como sou homem de muita Fé, não é difícil explicar. Ao contrario, é muito fácil. Quando somos batizados, recebemos doados pelo Divino Espírito Santo, um ou mais carismas. Isto é que explica a sua pergunta, e não a inspiração. Repetindo o que comumente é dito, não se trata de inspiração e sim de transpiração.
O que ocorre é que, devemos, através, de inúmeros processos aprimorar estes carismas. No caso da pintura, por exemplo, não adianta ter visões inspiradíssimas, se você não conhece a técnica de transpor o que sentiu para a tela. Com o carisma recebido, com certeza, você tem todas as condições de adquirir todos os conhecimentos teóricos e práticos para realizar ao que se propôs. E por ai vai.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

TERCEIRA CANÇÃO PARA FLORA

Enfim chegaste à nossa casa
como um anjo feito de luz,
primavera em forma de flor
cuja essência não se traduz;

enfim, chegaste colorida,
doando vida à própria vida

enquanto um pássaro, indo e vindo,
repousava em nossa janela
para te receber sorrindo:

de olhos acesos para o mundo
viste o sol suspirar profundo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dois poemas de Firmino Rocha

ESPERA

Não acordar a palavra.
Deixar que ela sinta no silêncio
os frêmitos de todos os mistérios
até o último instante.
Nova e virgem então ela virá
e ao poema dará seiva e fervor.
Não acordar a palavra.
Deixar que ela durma no silêncio
o seu fecundo sono
até que como o sol desperte
e descubra as coisas
e nada deixe em escuridão e frio.
O poema então será verdade,
amor e carinho.

Diário da Tarde, Ilhéus - 14/03/1959. Edição 8.976.



QUANDO UM POEMA NASCE

Quando um poema nasce
há festa no coração.

Bailam ondas,
cantam fontes,
tocam sinos aleluias.

Amadas de longe vêm
vestidas de sol, de lua,
de arrebóis das montanhas,

nos seus seios
palpitando
todas as bondades do mundo,

nos seus sorrisos
esplendendo
todas as belezas do mundo,

nas suas vozes
fremindo
todas as alegrias do mundo.

Quando um poema nasce
há festa no coração.

Diário da Tarde, Ilhéus - 28/06/1960. Edição 9.338.


Poeta muito querido na Bahia, Firmino Rocha nasceu em Itabuna, em 07 de junho de 1910, faleceu em Ilhéus em 1 de julho de 1971. Exerceu grande influência em muitos poetas da sua geração e de gerações posteriores. Seu poema mais conhecido é “Deram um fuzil ao menino”. Em 2008, sob a batuta de Flávio Simões e com alguns colaboradores, fiz a recuperação da sua obra, inclusive de inúmeros poemas inéditos e fizemos publicar pela Via Litterarum.

Em breve:
Entrevista do mês com o artista plástico e mestre Sante Scaldaferri

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Que país é este?

Imperdivel Aula-conferência com Affonso Romano de Sant’Anna no Campus da UFBA, em Ondina - Salvador.

Confira mais sobre o poeta em seu site:
http://www.affonsoromano.com.br

Hoje tem Cordel & Cantoria em Ilhéus

Despedida do evento será em alto astral, com a Banda Improviso Nordestino & Piligra mostrando trechos dos seus cordéis. Farei pequena participação lendo com o poeta da noite o cordel "A Peleja Virtual Entre Dois Vates Arretados", com o qual vencemos o Prêmio Bahia de Todas as Letras, cuja premiação acontecerá em 02 de junho, próxima quarta-feira, no Teatro Municipal de Ilhéus. Como diz o meu amigo Cabeça, lider da Improviso Nordestino: vamos botar pra felvê!


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segunda-feira, 24 de maio de 2010

BAHIA DE TODAS AS LETRAS

Nossa literatura em primeiro lugar

Premiação & Debate Literário

Diálogos sobre literatura, lançamento de livros, homenagens e bate-papo com escritores serão alguns dos ingredientes que irão compor a premiação da 4ª edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus, com o patrocínio da Fundação Chaves e apoio da Fundação Cultural de Ilhéus.
O evento acontecerá no dia 02 de Junho, das 9h às 21h no Teatro Municipal de Ilhéus, e reunirá poetas, pesquisadores e escritores da cena literária da região em uma grande celebração das nossas letras.
Para tornar o dia mais lúdico está planejado o lançamento de uma coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade e a apresentação da peça teatral “As Aventuras de João e Maria”, baseada na obra do autor ilheense. Ainda haverá o lançamento de diversas outras obras, entre elas “Floração de Imaginários – O Romance Baiano no Século XX”, de Jorge de Souza Araújo, vencedor do Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia; “Vassoura”, do jornalista Daniel Thame; “A Pele de Esaú”, de Silvério Duque; e “Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna”, de Gustavo Felicíssimo.
A organização do evento também vai promover um bate-papo com novos poetas baianos, além de palestras de estudiosos, entre eles Jorge de Souza Araújo e Ildásio Tavares que, pela passagem dos seus 70 anos, será homenageado com a leitura dramatizada de alguns dos seus poemas.
Espera-se, com as palestras, compartilhar experiências e incitar adeptos a participarem de pesquisas relacionadas à nossa literatura. Os princípios orientadores das palestras são:
- Apresentar criticamente a literatura produzida por autores baianos, reconhecendo assim um sistema literário absolutamente particular;
- Colocar em diálogo os atores principais na produção estética e crítica da literatura baiana: os escritores, críticos e público.

Pretende-se assim fazer uma abordagem de excelência, a sua relação com a sociedade, o espaço e o tempo, trabalhando literatura e história, a criação literária e a natureza da poesia.

BREVE HISTÓRICO

O BAHIA DE TODAS AS LETRAS é um prêmio que está em sua quarta edição. Foi criado pela editora Via Litterarum em parceria com a Editus, a Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.


PROGRAMAÇÃO

CADASTRAMANTO: DE 8 à 8:45hs

9:00h – Saudação – As Palavras Mágicas
Prof. Pawlo Cidade

9:15 h - Abertura
Prefeito Newton Lima
Maurício Corso - Presidente da Fundação Cultural de Ilhéus
Agenor Gasparetto - Editora Via Litterarum
Baísa Nora – Editus/UESC

Manhã

9h30 - Palestra I –
Tema:
Narrar Histórias: Ação mediadora nas práticas leitoras
Palestrante: Glória de Fátima Lima dos Santos (UESC) – Mestre em Estudos Linguisticos pela UFMG

10:00h - Palestra II
Tema:
Lobato e o leitor
Palestrante: Neila Brasil Bruno - Mestranda em Letras: Linguagens e Representações pela UESC

10h40 - Peça Teatral: “As Aventuras de João e Maria”,
baseada na obra infanto-juvenil de Pawlo Cidade.

11:20 – Lançamento da coleção de livros infanto-juvenis de Pawlo Cidade, cujos títulos são: “Mistério na Lama Negra”, “A Batalha dos Nadadores”, “O Caminho de Volta” e “As Aventuras de João e Maria”, editados pela Via Litterarum.

Tarde

14:00h - Palestra III
Tema: Jorge Amado e a ideia de grapiunidade
Palestrante: André Rosa (UESC) - Doutor em História pela UFBA

15:00h – Café Literário: A Nova Poesia Baiana
Participantes: Lourival P. Júnior (Piligra), Poeta e mestre em Filosofia pela UFPB
George Pellegrini, Poeta e Doutorando em Literatura e Comunicação pela Universidade de Sevilla (Espanha);
Heitor Brasileiro Filho, poeta e pós-graduado em Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa pela UESC
Mediador: Gustavo Felicíssimo

16:00h – Apresentação dramatizada de trechos do poema “Iararana”, de Sosígenes Costa, pelo ator José Delmo

16:30h - Palestra IV
Tema: O romance baiano no século XX
Palestrante: Jorge de Souza Araújo (UEFS) - Doutor em Letras Vernáculas (Literatura Brasileira) pela UFRJ

17:30h – Palestra V
Tema: Sonoridade e Cromatismo em Sosígenes Costa
Palestrante: Ildásio Tavares – Phd em Literatura Portuguesa pela Universidade de Lisboa

18:30h – Homenagem a Ildásio Tavares
Apresentação dramatizada de poemas de Ildásio Tavares, pelo Grupo Teatro Total.

19:30h - Entrega do Prêmio Bahia de Todas as Letras

20:30h - Lançamento de livros

OBS: O Certificado de Participação será emitido pelo Departamento de Letras e Artes da UESC.

Curadoria:
Gustavo Felicíssimo / 8842.2793
Pawlo Cidade / 8845.5569

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Morreu o poeta Damário Dacruz

Não tenho palavras para descrever o tamanho da perda ou o carinho que sempre tive por Damário Dacruz, um poeta que, se para mim não era dos melhores, ao menos havia criado um belo poema, “Todo Risco”. Não me esqueço da oportunidade que o recebi para um encontro dentro do projeto Soltando o Verbo, em Salvador. Prosa fácil, convincente e cativante, Damário deu um show para a plateia que lotou o espaço do Extudo, no Rio Vermelho. Em outra oportunidade, no Pouso da Palavra, em Cachoeira, adentramos na noite ouvindo Neruda, o poeta mais querido por Damário. Conversamos muito e esvaziamos algumas garrafas da melhor cachaça feita na Bahia.
Escrevo emocionado essas insuficientes palavras enquanto uma pergunta se agiganta: Porque os canalhas não se vão antes dos poetas?
Vai com todos os anjos e orixás, Poeta. Sentiremos sua falta!

Abaixo, uma entrevista que Damário concedeu a Revista Muito do Jornal A Tarde.

Qual é sua lembrança mais remota de querer ser escritor? Quando decidi dormir longe de todos. Tinha 15 anos e inventei um quarto para mim no porão da casa paterna.

Qual é o tema que acaba invadindo os seus poemas, mesmo quando você não quer? Todos os temas invadem a poesia. Mas, o efêmero, das coisas e dos sentimentos, anda sempre me cercando. Adoro relâmpagos e palavras rápidas no ouvido.

Você foi para Cachoeira atrás de que? Da pequena e forte aldeia que universaliza o poeta.

Você às vezes tem a impressão de que tudo o que era importante já foi escrito? Se sim, quem foi que já disse tudo? Ninguém é capaz de dizer tudo sozinho. Ninguém é grande sozinho. Somos uma mistura do muito que muitos nos dizem. Por incrível que possa parecer, acredito que a grande vedete deste milênio será a PALAVRA publicada em outros suportes

Escritor é um ser mais angustiado que as outras pessoas? Poeta mais ainda? Conheço gente bem mais angustiada fora da literatura do que dentro dela. A minha vida e a minha poesia estão distante disto. Elas estão a serviço, inclusive, da não-agonia humana.

Página em branco te dá pesadelo? Ao contrário. Produz o sonho das imensas possibilidades.

Qual foi o caminho que você evitou por medo, como diz em “Todo Risco”? O caminho da dedicação exclusiva à minha obra poética e fotográfica como muitos fizeram. Mas, obtive belos ganhos, por navegar em águas distintas.

Literatura é mais conforto ou agonia? As duas coisas na medida de cada um. Literatura substitui certas brincadeiras proibidas após a infância. Literatura é liberdade perseverante. E a Liberdade,às vezes, também doi.

Dê uma definição poética para a poesia. De vez em quando me perguntam para que serve a poesia. A minha resposta tem sido dada com duas perguntas e duas respostas: Para que serve a poesia ?, para fazer o homem. Para que serve o homem ?, para fazer poesia.

Todo risco
Damário Dacruz

A possibilidade de arriscar
É que nos faz homens
Vôo perfeito
no espaço que criamos
Ninguém decide
sobre os passos que evitamos
Certeza
de que não somos pássaros
e que voamos
Tristeza
de que não vamos
por medo dos caminhos

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Escutando Tom Zé

Taí um programa imperdível para quem estiver em Salvador no dia 02 de junho, véspera de feriado: prestigiar a sessão de Escutando Tom Zé, Avant première do documentário de Jorge Alfredo, com a presença do diretor e equipe.
Lembro-me que Tom Zé, em rápida entrevista que me concedeu há tempos atrás, após ter sido perguntado sobre a sua pré-disposição à desconstrução da música pop contemporânea, me respondeu: “meu nego, você já viu alguém desconstruir aquilo que não sabe construir?” Pois bem, pra quem sabe ler...

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VI PANORAMA COISA DE CINEMA
QUARTA-FEIRA (02/06)
ESPAÇO UNIBANCO DE CINEMA – SALA 3
18hs30 – Panorama Bahia III

Após a sessão haverá bate-papo com os diretores

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Encontros Literários na Academia de Letras da Bahia

Bate-papo com escritores, leitura e discussão de textos previamente selecionados, objetivando a aproximação do público leitor com autores baianos, no oferecimento de uma visão panorâmica de nossa literatura atual, é a proposta do Encontros Literários da Academia de Letras da Bahia que, nesta próxima edição, conta com a participação de Aleilton Fonseca e Állex Leylla. Os comentários são de Mirella Márcia e Rosei Soares.


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Data: 21 de maio, sexta-feira, às 17h

Local: Academia de Letras da Bahia - Av. Joana Angélica, 198 - Salvador

Mais informações: (71) 3321-4308

USP promove seminário sobre Jorge Amado


A Falcudade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP promove nos dias 24 e 25 de maio o Seminário Acadêmico Internacional Jorge Amado. Entre os temas abordados no evento estarão a cultura afro-baiana, a mestiçagem, questões de gênero e a política, todos de alguma forma envolvidos na obra do escritor baiano. O seminário é coordenado pelo Departamento de Antropologia da FFLCH e acontece no anfiteatro da História (Av. Professor Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo).

Veja a programação e como participar clicando aqui: http://www.fflch.usp.br/da/uploads/2010/Flyer_Seminario_Jorge_Amado_SP.jpg

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

UMA PEQUENA PAUSA

Caríssimos, enquanto dou uma pausa para curtir a chegada da minha primeira filhota, Flora, convido a todos para conhecerem três poemas que estarão em meu primeiro livro solo, Revelação & Outros Poemas, que já está em diagramação e deve vir a público entre Julho e Agosto. Eis o link: http://poesiadiversidade.blogspot.com/2010/04/o-poeta-gustavo-felicissimo.html

sábado, 8 de maio de 2010

RESPEITO ENTRE DESAFETOS & INIMIGOS

Gustavo Felicíssimo

Não é fácil e muito pouco confortável escrever sobre o tema a que me proponho, embora apenas o faça devido ao terrível e nada agradável ambiente que vivemos no meio literário baiano, especificamente em Salvador. Também não escrevo para apontar ou nominar diretamente algum desafeto meu, mas, sobretudo, para oferecer uma reflexão sobre o momento que passamos.
No cerne de uma briga de egos estão alguns poetas emergentes, divididos basicamente em duas vertentes. De um lado aqueles que se mostram preocupados em dar ao texto algum valor de interesse fundamental; e do outro aqueles que produzem uma poesia vacilante, cuja leitura não proporciona nada mais que uma intelecção abstrata.
Os poetas que fazem parte desta segunda vertente são aqueles que ao invés de trabalharem pela sua poesia, trabalham pelos seus nomes, ainda que para isso seja necessário diminuir com palavras arbitrárias a obra do outro, sem oferecer-lhe uma crítica consistente. Esses, em verdade, trabalham intensamente para verem a mediocridade festejada.
Os poetas da primeira vertente, ao invés de ignorarem os da segunda, os abominam, e não é pela baixa poesia que produzem, mas pelo fato desses serem aqueles que melhor se articulam entre si e com o poder, os financiadores e meios de comunicação. O resultado é que são os da segunda vertente que conseguem grassar a maior parte do todo.
O resultado inevitável de uma situação como essa é o embate, pois nenhum dos lados está sendo capaz de enxergar que a temporada que passamos neste inferno é a nossa única oportunidade de transcendência, de construção, que temos. E olha, um dos poetas mais amargos que conheço é justamente aquele que mais fala em transcendência.
O pior é que antes de ser um embate apenas no campo das ideias, este está sendo um embate de ofensas, com resultados desastrosos, pois a situação supera qualquer limite. De um lado, poetas afrontam outros com epigramas assinados sob pseudônimo e atingem o oponente com palavras desnecessárias e agressivas. Do outro, aqueles que foram ofendidos pelos epigramistas, mesmo sem saberem com certeza quem são, andam a ameaçar aqueles de quem desconfiam com empurrões pelas ruas e ofensas em mesa de bar.
Sei que ao longo do tempo a convivência entre poetas nunca foi muito pacífica, pois sob a carapaça de cada um existe uma angústia que deveria nos ajudar em nosso processo evolutivo, nos obrigando a resolver dilemas profundos. Mas não é assim que funciona.
Alerto para o fato de que essa convivência precisa ser ao menos honesta, por isso conclamo a todos a refletirem sobre suas posturas e que procurem exercer a tolerância.
Estou certo que o conflito entre poetas deve habitar apenas o campo das ideias, pois cabe a cada um de nós o direito de ter a sua poesia conhecida pelo leitor comum e pelos seus pares, uma vez que, como atestam os versos de Alberto da Cunha Melo, cada vez mais escrevemos “para esse público dos ermos/ composto apenas de nós mesmos”. Do mesmo modo, aqueles que pretendem exercer a crítica possuem o direito de, sobretudo, tecer críticas negativas, porém construtivas.
Sei que muitos vão torcer o nariz para essas poucas e insuficientes palavras, muito embora possamos considerar que apenas agindo com ética, com bom juízo moral, poderemos exercer plenamente a dialética e tornar o nosso meio um pouco mais enriquecido de reais valores. Mas se assim não for, proponho que cada um se afogue dentro do seu narcisismo.