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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Se eu fosse um padre


Mário Quintana

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Leia a biografia de Mário Quintana.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Se eu fosse um padre


Mário Quintana

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Poema extraído do livro "Nariz de Vidro", Editora Moderna - São Paulo, 1984, pág. 52.

sábado, 6 de agosto de 2011

O Mapa

          Mário Quintana

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Quem merece ser membro de uma academia de letras?


Merval Pereira, quem diria, foi parar na Academia Brasileira de Letras. Ao ser eleito há poucos dias para uma cadeira da Academia Brasileira de Letras, o jornalista carioca, colunista de O Globo e comentarista do canal Globonews, tornou-se um dos temas mais comentados no meio literário. Virou assunto por reavivar uma antiga discussão: quem merece ser membro de uma academia de letras e quais os requisitos para isso?
Tudo porque Merval Pereira tem apenas dois livros publicados, um deles em co-autoria com outros autores. Embora isso, venceu com folga o renomado escritor baiano Antônio Torres, autor de 17 obras publicadas, entre romances, contos e crônicas.
A controvérsia deriva, na verdade, de um debate onde se destaca o componente político de uma eleição na casa. Um dos acadêmicos chegou a afirmar que "o Merval é um homem da mídia, alguém que, na política brasileira, tem importância”. E que “isso pesa para alguns acadêmicos."
Outra distorção histórica ocorreu com Mário Quintana. O poeta gaúcho, um dos maiores da língua portuguesa em todos os tempos, tentou por três vezes uma vaga à Academia Brasileira de Letras, mas não obteve êxito. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.
Um caso clássico desse tipo de distorção é o do ex-senador e governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães que, por ter sido benfeitor da Academia de Letras da Bahia, teve lá o seu nome imortalizado.
Pelos interiores do Brasil a coisa piora, multiplicam-se as academias de letras, onde se acotovelam inúmeros alpinistas sociais, pessoas que buscam alguma visibilidade pública muitas vezes à força do dinheiro ou do poder político, mas que em nada contribuem com a língua ou literatura. São, em geral, políticos, advogados, jornalistas, professores, colunistas sociais, mas escritores com obras relevantes, como diria meu falecido pai, neca de pitibiribas. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Só com os poetas se pode aprender algo novo

Tudo já está nas enciclopédias e todas dizem as mesmas coisas. Nenhuma nos pode dar uma visão inédita do mundo. Por isso é que leio os poetas. Só com os poetas se pode aprender algo novo.

                                        Mário Quintana