Muitas
homenagens foram e continuam sendo feitas a Jorge Amado pela passagem do seu
centenário, a mais relevante, aquela que mais satisfaria o escritor, me parece,
foi feita por Piligra, poeta aqui da zona cacaueira da Bahia, que escreveu uma
competente biografia de Jorge Amado em forma de poesia. Ou melhor, ele fez uma
narrativa em forma de poesia, uma "viagem criativa através dos romances e biografia do escritor". São 100 sonetos, dodecassílabos trímetros, ricamente ilustrados por George Pellegrini com pinturas de Jane Hilda Badaró, reunidos em A Odisseia de Jorge Amado
(Editus, 2012), um trabalho hercúleo que acompanhei de perto e sugiro tanto a
sua leitura quanto o material preparado pelo também poeta, sonetista, Henrique
Pimenta, sobre a obra, inclusive uma competente entrevista com o autor. É só
clicar AQUI.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Poesia em versos e cores
A Feira do Livro de
Ilhéus, que homenageou Jorge Amado em seu centenário, trouxe-me, em alguns
momentos, grande satisfação. Tive o prazer de
reencontrar amigos e de voltar a me apresentar com a banda Enttropia, revivendo
o espetáculo Catedrais Suspensas, mas disso falarei em outra oportunidade.
Agora, o que gostaria de apresentar aos amigos é o quadro – aí abaixo – que
Jane Hilda Badaró pintou a partir da leitura de um poema – Zordo – que escrevei
a cerca de três anos.
Jane
possui uma pincelada que entendo como transcendental e refletora de uma visão
espiritualista de mundo. Ela é firme e decidida, mas nessa atitude o que impera
é a leveza. O resultado são quadros que denotam uma característica peculiar,
muito própria da artista, causando grande impacto no apreciador de artes
plásticas e interesse de especialistas. Uma prova do que afirmamos foi o
convite que recebeu para expor na França, em Paris, nos próximos meses. De seu
acervo foram escolhidas seis telas, uma delas é justamente esta, que Jane
intitulou “Poesia”.
Ocorre
que a tela, como não poderia deixar de ser, já pertence ao meu modesto acervo. Jane
Hilda agora se prepara para pintar uma obra gêmea, que está chamando
momentaneamente de “Poesia II”. Estou seguro que ela fará um trabalho ainda
melhor, pois como diz a própria autora, cada pintura é única, não se repetirá
jamais.
Agora, o poema:
Zordo
Haverá
um dia
do
espírito humano
brotarão
versos
em
forma de hóstia
e
do coração
um
poema lírico
tão
puro e claro
quanto
uma criança.
Haverá
um dia
das
consciências
nascerá
um rio
de
água límpida
e
das bocas
uma
coluna de fogo
para
iluminar
o
breu das noites.
Haverá
um dia
como
nenhum outro
feito
de música
esplendor
e lucidez
em
que a poesia
pássaro
liberto
repousará
fecunda
na
casa dos homens.
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