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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Cheiro de desonestidade intelectual no ar


A Editora Objetiva coloca em suspeição prêmio Jabuti concedido a Oscar Nakasato pelo romance Nihonjin

Embora a Câmara Brasileira do Livro defenda a lisura do regulamento que determina a eleição dos vencedores do Prêmio Jabuti, um odor nada agradável parece emergir na eleição do melhor romance, afinal, entre centenas de obras inscritas pelas mais diversas editoras, apenas dez são selecionadas para apuração final.  Sendo assim, parece notório que entre os finalistas todas as obras possuem valor e alguma importância. E mais: geralmente são obras escritas por autores de reconhecido talento. O vencedor foi o romance de Oscar Nakasato, Nihonjin, que a bem pouco tempo resenhei aqui pro blog (LEIA). Até aí, nada de mais, afinal, trata-se realmente de uma obra de muita qualidade.
O fato curioso, levando-se em conta a suposta qualidade de todos os finalistas, é que um dos jurados conceda nota zero para qualquer um dos concorrentes. Foi justamente o que aconteceu à “Infâmia”, de Ana Maria Machado. Entretanto, vejam só, os outros dois jurados atribuíram notas 10 e 9,5 à mesma obra.
Em nota oficial, a Objetiva (editora de Ana Maria Machado) colocou em suspeição o prêmio de melhor romance concedido a Oscar Nakasato (editado pela Benvirá). A editora quer saber se quando o jurado em questão definiu seu voto no último escrutínio, ele tinha conhecimento dos votos dos demais jurados na fase anterior. Pergunta ainda se o jurado teria atribuído a mesma nota zero ao romance em todas as rodadas de votação.
Concordo com a opinião de Roberto Feith (diretor do Grupo Objetiva) ao afirmar que esse voto (cujo jurado será conhecido apenas na entrega do prêmio) em vez de refletir uma avaliação qualificada (e neutra) de cada uma das obras finalistas, pode evidenciar a determinação de eleger uma obra a qualquer custo. Já Mansur Bassit, diretor executivo da CBL, comenta que o jurado não havia votado em “Infâmia” já na primeira etapa, e que tudo foi feito dentro do regulamento, mas reconhece que não chamaria o tal jurado novamente. 

domingo, 19 de agosto de 2012

NIHONJIN - A força e a leveza da narrativa de Oscar Nakasato


Quero indicar aos amigos a leitura de Nihonjin, obra de Oscar Nakasato, vencedor do 1º Prêmio Benvirá de Literatura. Trata-se de um romance espetacular, em verdade uma reconstrução histórica de alguns dos mais importantes aspectos da imigração japonesa no Brasil, o que por si só vale a indicação, tendo em vista ser essa uma vertente ainda pouco explorada na literatura brasileira. Mas o livro é muito mais que isso. Sua trama foi competentemente construída ao rés dos conflitos que marcaram a vinda e a vida daquelas pessoas oriundas de uma nação cuja cultura é muito diferente da nossa.
O protagonista é Hideo Inabata, “um japonês (nihonjin) orgulhoso de sua nacionalidade”, e o narrador é seu neto, um observador privilegiado dos acontecimentos que marcam não apenas a história e os conflitos do avó, mas a transformação social pela qual passa  toda uma sociedade, em princípio trabalhadores rurais semi-escravizados, e com o passar do tempo, comerciantes, profissionais liberais, agricultores.
As dificuldades de adaptação, a saudade, os costumes, o orgulho, a disciplina de um povo, enfim, os dramas, tudo é narrado em uma “linguagem objetiva”, mas nunca pobre, “sem firulas”, mas antes de tudo bela, onde prevaleça certa necessidade do autor por dizer nem mais nem menos que apenas o necessário, o que é feito brilhantemente, pois no correr da leitura a nossa percepção é a de que tudo está perfeitamente ajustado, as arestas aparadas, enfim, nada sobrando ou faltando.
Em Nihonjin, a tradicional literatura nipônica e a brasileira se interpenetram, mas tal é a força e a leveza da narrativa de Nakasato que temos a impressão de que é descendente direto de grandes ficcionistas japoneses, como Tanizaki, Okutagawa ou Kawabata, três décimos, digamos, de uma literatura quase ignorada do público brasileiro, mas tão antiga e rica quanto as melhores literaturas ocidentais.

* Confira AQUI artigo publicado no Rascunho e uma breve entrevista com o autor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Saiu o vencedor do Prêmio Benvirá


Diferentemente da Leya, que em 2010 não efetuou a premiação do seu concurso pelo fato da comissão editorial não ter percebido qualidades suficientes nos romances inscritos, a Benvirá anunciou o seu escolhido entre cerca de 1900 originais inscritos.  Trata-se do romance “Nihonjin”, de Oscar Fussato Nakasato, professor de literatura e linguagem para alunos do ensino médio e superior em Apucarana, no Paraná.
Hoje, seu nome ganha projeção nacional com o anúncio do resultado do 1º Prêmio Benvirá de Literatura. Por sua obra ganhou o grande prêmio da Editora Saraiva. Além de receber R$ 30 mil, terá o livro lançado já em abril pelo selo Benvirá.
A escolha foi unânime e a comissão julgadora formada por José Luiz Goldfarb, Nelson de Oliveira e Ana Maria Martins. “Esse romance é, antes de tudo, uma competente reconstrução histórica da imigração japonesa, tema pouco presente em nossa literatura. Sua força literária está não apenas na linguagem direta e sem firulas, nos personagens e nos conflitos marcantes, mas também no poder de comover o leitor”, informa a comissão.

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