A Mondrongo Livros – Editora do Teatro Popular de Ilhéus, anuncia para os próximos dias 12 e 19 de janeiro, na Casa dos Artistas, em Ilhéus, e na sede da FICC - Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, em Itabuna, respectivamente, um evento incomum, pois serão lançados, na mesma noite, em um grande sarau, quatro livros, os primeiros da Série Diálogos, um conjunto de obras de novos poetas grapiúnas. São eles: Inúmera, de Daniela Galdino; Quintais do Tempo, de André Rosa; À Espera do Verão, de Geraldo Lavigne de Lemos e Outros Silêncios, de Gustavo Felicíssimo. Esses e outros bons livros já podem ser reservados através do site da editora, clicando AQUI
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
BLUES PARA MARÍLIA
Mas
como dói
Carlos Drummond de Andrade
Penso todos os dias em
Marília.
Sobretudo penso em tudo
que deixei por lá:
os companheiros de
infância, minha mãe,
o pão caseiro feito
pela Tia Vilder,
as férias em Panorama.
Penso principalmente no
cheiro do café;
café bom das lavras da
Fazenda Cascata.
Marília são flashes na
memória:
os passeios pela Praça
São Bento,
as visitas ao Paço
Municipal.
Por isso esse velho
Blues,
esse reverso n’alma,
o silêncio que revolve
a voz
e o olhar demorado para
as coisas sem sentido.
Marília é tudo que
ainda sangra.
Ilhéus
2009. X
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Meu poema de natal
Dezembro é o cruel mês
do natal,
hoje,
a sua véspera.
Além disso, faz um
calor insuportável.
Há grande
descontentamento no país,
enormes
congestionamentos nas cidades
e as pessoas parecem
felizes.
A miséria continua no
seu galope
e as pessoas parecem
felizes,
inclusive os
miseráveis.
Muitos se abundam nas
calçadas,
mendigam com seus
filhos
e com os filhos de
outros desgraçados.
Negócio promissor é esse...
Vou
sair pra ver o mar!
24.12.2007
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Site da Mondrongo Livros está no ar
É
com satisfação que anuncio que já está no ar o site da novíssima editora
baiana, a Mondrongo Livros. É acessar, conhecer e, quem sabe, adquirir um bom
livro: www.mondrongo.com.br
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Livro da MONDRONGO é destaque na imprensa
Foram
inúmeros os sites, blogues e jornais que noticiaram a publicação de Cobra
de duas cabeças – poesia e prosa inéditas e encontradas de Sosígenes Costa,
entre eles o jornal A Tarde, que deu
grande destaque para o assunto publicando excelente matéria do jornalista Marcos
Dias na capa do seu Caderno 2+,
edição de 17/12/2011, intitulada “Poesia e pimenta”, numa clara alusão ao
conteúdo impetuoso da obra de Herculano Assis que mostra um Sosígenes Costa a par da vida literária do seu tempo. O
material segue abaixo para os amigos tomarem conhecimento.
Ainda
nesta semana o site da Mondrongo Livros estará no ar com uma loja virtual,
vendendo seus livros através do sistema PAG SEGURO, que facilita a compra
através de todos os cartões de crédito. Embora isso, quem pretender adquirir Cobra
de duas cabeças (30,00), basta
manifestar interesse através do seguinte e-mail: editoramondrongo@hotmail.com.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
O lançamento do ano
Neste
sábado a Mondrongo Livros apresenta oficialmente
a grande vedete do meio editorial baiano na cidade de Belmonte, pois é de lá
que vem Cobra de duas cabeças - poesia e prosa encontradas e inéditas de Sosígenes
Costa, cidade natal do poeta. Cidade natal também de Herculano Assis, o
autor do livro. Na segunda-feira será a vez de Ilhéus, onde SC viveu. O evento
acontecerá às 19 horas na Academia de Letras, entidade da qual ele foi membro.
Tá combinado assim, gente: hoje em Belmonte, segunda-feira em Ilhéus. Em
janeiro será a vez da capital baiana.
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Padre leva Prêmio Literário da BN
Com informações do PublishNews
e Folha de São Paulo
Ontem,
15, a Fundação Biblioteca Nacional promoveu a entrega dos Prêmios Literários
2011, iniciativa que há 17 anos, em parceria com o Minc, premia os melhores
escritores e trabalhos literários do país. Entre os premiados de 2011 está o
teólogo pernambucano Daniel Lima, de 95 anos. Ele guardava seus poemas na
gaveta. Um dia, uma de suas alunas descobriu os textos e levou-os, sem ele
saber, para uma avaliação editorial. O resultado foi a obra Poemas
(Companhia Editora de Pernambuco). Ao saber da premiação pelo telefone, da cama
de um hospital recifense, Daniel Lima, apesar de lúcido e solar, parecia
confuso, como quando foi informado pela reportagem da Folha, que acabara de
receber um prêmio da Biblioteca Nacional pelo seu primeiro livro. "Não é
uma brincadeira não?", perguntou. Não. Não era uma brincadeira.
Reunião
de quatro livros, a obra foi inscrita pela "professora-ladra", Luzilá
Gonçalves Ferreira ("roubei mesmo", diverte-se ela), no prêmio
literário. Concorreu com outras 50 obras na categoria poesia. Padre Daniel,
como é conhecido, bateu nomes como Ferreira Gullar e Affonso Romano de
Sant'Anna. Composto por Alexei Bueno, Antônio José Jardim e Frederico Gomes, o
júri escolheu o livro por unanimidade.
Alguns
poemas da obra premiada:
Ao
nasceres, tinhas o prefigurado rosto
que
hoje terias se houvesses sido tu mesmo
no
tempo singular de tua vida.
Mas
viveste o relógio, não teu tempo,
e
agora vê teu rosto:
o
que dele te resta é a desfigurada
sombra
do primeiro rosto
que
não soubeste ter,
nem
mereceste
***
Há
misérias nos homens.
Os
anjos cantam nas nuvens.
Era
Sexta-feira Santa
Cristo
morria.
Judas
se enforcava.
E
eu tomava sorvete.
***
Eu
sou a metáfora de mim.
Por
isto, quando eu morrer
morrerá
meu poema.
Restarão
apenas palavras sem sentido,
formas
tornadas vãs de um mistério
cuja
chave perdida para sempre
no
silêncio de morte
ninguém
encontrará.
***
Minha
mãe era feita de incertezas.
Tecida
de solidão de infindas luas.
Nunca
assentou seu coração viajeiro
de
medo de esquecer o fim da viagem.
Não
dormia, sonhava,
vivia
os sonhos acordada e louca
e
amava a vida
com
tal ódio e paixão, que até se percebia nos seus sonhos,
nas
mãos, nos gestos,
na
vontade de ser e o desespero
de
não ser nunca e ainda.
E
eu perguntava coisas.
E
ela não respondia,
apenas
navegava incertos mares,
guiada
por estrelas que eu não via.
Minha
mãe era feita de incertezas,
mas,
por certo, sabia o que queria.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Essa é muito boa mesmo
Aqui
no sul da Bahia essa história corre fácil na boca dos escritores e está registrada
na contracapa de uma seleta de contistas da região cacaueira, organizada por
Euclides Neto. É o seguinte:
Consta que Manuel Bandeira em um evento teria feito a Adonias Filho a seguinte pergunta:
-
O que o sul da Bahia produz além de cacau?
A
resposta veio em uma única palavra:
-
Escritores.
Muito
apropriada a resposta de Adonias, afinal, o sul da Bahia, em se tratando de literatura,
deu ao estado alguns dos seus mais representativos nomes, como Jorge Amado, o
próprio Adonias Filho, o poeta Sosígenes Costa (considerado pela crítica o
maior poeta baiano ao lado de Casto Alves), Marcos Santarrita (romancista e um
dos mais importantes tradutores brasileiros), além de Euclides Neto, Jorge
Medauar, Ildásio Tavares, Adelmo Oliveira, Florisvaldo Mattos, Cyro de Mattos e
por aí – como dizemos aqui - lá vai.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Centenário de Naguib Mahfouz
Olhando
o dorso dos livros em minha pequena biblioteca, paro os olhos sobre algumas
obras do contista e romancista egípcio Naguib Mahfouz e, folheando um deles,
descubro que amanhã, se vivo estivesse, completaria 100 anos. Então me pego a
pensar que para quem lutou a vida inteira por democracia, liberdade e justiça
social em seu país, não poderia haver melhor presente do que a revolta do povo
egípicio contra Mubarak. Pena ele não ter visto esse que foi, diria, um ano
digno de suas obras-prima, como por exemplo, A trilogia do Cairo. Mahfouz foi o primeiro Nobel de língua árabe.
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sábado, 10 de dezembro de 2011
Cobra de duas cabeças
Como editor da Mondrongo - a editora do Teatro Popular de Ilhéus, tenho a honra de
lhes apresentar Cobra de duas cabeças, livro de Herculano Assis que traz poesia
e prosa inéditas de Sosígenes Costa.
O lançamento será no próximo sábado, dia 17, às 19 horas, em Belmonte, cidade
natal do poeta. Também no dia 17 o site da editora entrará no ar, através do
qual se poderá adquirir essa e outras obras da editora. O endereço virtual
será: www.mondrongo.com.br.
Duas opiniões sobre Cobra de Duas Cabeças:
Cobra
de duas cabeças, obra que resulta de amorosa pesquisa e justificado penhor, caros
à memória de um poeta de excelência, aqui observado como pensador e crítico
notabilizado por uma verrina que de tão surpreendente constitui-se mais ainda
afeta à literatura baiana e brasileira.
Jorge de Souza Araujo
Os textos reunidos, particularmente a prosa,
desmistificam a imagem quase sempre contemplativa, compenetrada, e até sisuda
do poeta. O que aparenta pouco para um
autor da literatura brasileira, no caso específico de SC é muito significativo
porque ajuda a compor um complexo mosaico. Traços de uma personalidade
mitificada, exatamente, por ausência de informações precisas sobre sua vida e
seu pensamento “objetivo”.
Heitor Brasileiro Filho
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Orides Fontela e o Zen
Tenho
lido e relido a “Obra Reunida” de Orides Fontela (editada pela Cosac Naify), uma
poeta fatalmente influenciada pela filosofia zenista, um “Zen a meu modo”, como
diz ela sobre “Bucólicos”, obra em que encontramos poemas como esse – abaixo – que
se aproxima intensamente do haikai
A
chuva
lavou-me
toda
sem
deixar vestígios
de
ontem
cuja
diagramação bem poderia ser assim:
a
chuva lavou-me
toda
sem deixar vestígios
de ontem
Na
obra da autora paulista, muitos outros poemas seguem essa estética concisa e
significativa, cuja característica essencial é a naturalidade, a liberdade de
artifícios e a expressão da própria vida
Semeio
sóis
e sons
na
terra viva
afundo os
pés
no
chão: semeio e
passo
Não
me importa a colheita
Sobre
sua poesia Antônio Cândido disse o seguinte: Orides Fontela tem um dos dons essenciais da modernidade: dizer
densamente muita coisa por meio de poucas, quase nenhumas palavras [...] Denso,
breve, fulgurante, o seu verso é rico e quase inesgotável, convidando o leitor
a voltar diversas vezes.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Mais uma obra de Kawabata disponível no Brasil
O
romancista e contista Yassunari Kawabata é um escritor que recebeu forte
influência do classicismo japonês e tem seu nome no rol dos escritores do seu
país com prestígio literário internacional.
O
jogo japonês de tabuleiro em que um adversário procura encurralar o outro,
invadindo e controlando seu território, é o ponto de partida de Yasunari
Kawabata, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1968, em O mestre de go, agora publicado no
Brasil pela Estação Liberdade. A
narração da partida histórica de despedida do grande mestre Shusai foi
transformada em obra literária em 1954, tendo sido reconhecida pelo próprio
Kawabata como uma de suas obras mais autênticas. Sinopse e trechos da obra
podem ser lidos AQUI.
Outros
livros de Kawabara disponíveis no Brasil são: A casa das belas adormecidas, Contos
da palma da mão, Kyoto, O som da montanha e O lago, todos traduzidos diretamente do japonês por Meiko Shimon.
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Yasunari Kawabata
Excesso de livros ou escassez de leitores?
A pergunta é de José Pastore, Professor
da USP e membro da Academia Paulista de Letras. O resumo abaixo foi feito a
partir de texto publicado n’O Estado de São Paulo, em 06.12.2011.
Os
dados sobre hábitos de leitura no Brasil nos levam a um paradoxo. O país
apresenta uma produção de obras bastante razoável. Ao mesmo tempo, a média
anual de livros lidos é muito baixa. Como explicar isso? Em 2010 as editoras
brasileiras publicaram quase 500 milhões de livros, um aumento de 23% em
relação a 2009, o que é muito expressivo. O número de exemplares vendidos no
mercado (livrarias, internet, porta em porta, etc.) cresceu 8,3%. Se incluirmos
as vendas ao governo, o aumento foi de 13% (Censo do Livro, Fipe/CBL/Snel,
2011). Ao mesmo tempo, fala-se que o brasileiro lê 1,8 livro não acadêmico por
ano. Nos países desenvolvidos essa média é de 10 obras lidas. Na França são 25
livros por ano! Num estudo da Unesco realizado em 52 países, o Brasil ocupou a
47.ª posição. Afinal, o que está havendo? Excesso de livros ou escassez de
leitores?
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Se eu fosse um padre
Mário
Quintana
Se eu fosse um padre,
eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem
no Pecado
— muito menos no Anjo
Rebelado
e os encantos das suas
seduções,
não citaria santos e
profetas:
nada das suas
celestiais promessas
ou das suas terríveis
maldições...
Se eu fosse um padre eu
citaria os poetas,
rezaria seus versos, os
mais belos,
desses que desde a
infância me embalaram
e quem me dera que
alguns fossem meus!
Porque a poesia
purifica a alma
...e um belo poema —
ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre
leva a Deus!
Poema extraído do livro
"Nariz de Vidro", Editora Moderna - São Paulo, 1984, pág. 52.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Valeu, Doutor Sócrates
Acordo
nesta manhã de um domingo primaveril, nublado e renitente em Ilhéus, sem praia,
portanto, enquanto uma notícia me acerta o fígado como um cruzado certeiro de Éder
Jofre. Leio-a e silencio. Leio-a e entendo porque o céu está enegrecido: lutuoso
chora a morte de um deus que se disfarçou de homem para dar-nos alegrias
dominicais.
Somente
um deus extremamente generoso deixaria o conforto do Olimpo, a companhia das
ninfas, os banquetes báquicos, para se misturar ao povo e encarnar o que ele tem
de melhor a fim de proporcionar-lhe um pouco de diversão, passatempo com altas
doses de emoção, anestésicos toques de calcanhar amenizando os efeitos da
opressão.
“Morreu
o Doutor Sócrates”, diz a notícia do jornal enquanto pela casa emana a voz de
Gonzaguinha ampliando a melancolia experimentada. “Não se espante, cante”, diz
a canção enquanto o meu coração teima em se pronunciar: “Não, ele não morreu”. Afinal,
a morte é um exagero para quem amou a vida, para quem nos braços do povo jamais
morrerá.
Tivera
tempo ou não de fazer como Manuel Bandeira em Consoada? “Alô, iniludível”, a mesa não estava posta! Deixou
esposa, seis filhos e uma legião de admiradores; parte deles por conta do
refinadíssimo futebol que jogava no Corinthians ou na Seleção; outra parte por
conta de posturas corajosas frente à realidade do país no seu tempo de jogador,
sobretudo no início dos anos 80.
Politizado,
fato raro para um jogador de futebol ainda hoje, Sócrates, o Calcanhar de ouro,
deixou-se envolver pelo movimento Diretas
Já ao ponto de garantir que se a emenda Dante de Oliveira, que estabelecia
o voto direto no País, fosse aprovada, ele permaneceria jogando aqui, mesmo
sendo muito assediado por clubes europeus. Como isso não aconteceu, se transferiu
para a Itália no ano de 1984. Como jogador foi craque, como homem foi um
intelectual. Escreveu para o teatro, fez letras de música e atuou na imprensa escrita
e televisiva brasileira, nem sempre falando apenas sobre futebol.
No
ano de 1992, durante as Olimpíadas de Barcelona, me encontrei ocasionalmente
com Sócrates no Vesúvio. Cada um tomava seu chopinho durante a final do vôlei
contra a Holanda, jogo que consagrou aquela geração formada por Tande, Giovane,
Marcelo Negrão, Maurício e companhia. Como as mesas estavam muito próximas, o
papo rolou naturalmente, e continuou após o jogo. Entre um gole e outro, falamos
inevitavelmente de futebol, sobretudo fut-volei, que ele andava praticando. Tudo
sem tietagem. Tenho horror a isso.
Quando
soube que sou natural de Marília, Sócrates começou a relembrar algumas partidas
que havia feito na cidade. A muitas delas eu assisti. Sim, embora fosse apenas
um garoto, e sãopaulino, tive o prazer de vê-lo ao vivo desfilar sua elegância
por um campo de futebol.
Agora
essa notícia... Embora isso, foi emocionante acompanhar pela TV tantas
homenagens, tantos minutos de silêncio nos estádios, tanto respeito por sua
figura. Quem acompanhou às resenhas pôde perceber que não houve especialista
que não o reverenciasse.
Sócrates
deixou a sua marca e foi em paz, no dia em que seu time de coração se sagrou
pentacampeão brasileiro, deixando-nos com a certeza de termos visto um Poeta do
futebol.
Adeus,
adeus Doutor. Sabes, agora, como é frágil a nossa existência. Sabes, agora,
sobre as nuvens pétreas, conheces o cais de onde partimos e como num passe de
mágica visitastes as maravilhas do mundo. Batestes suas asas de colibri e fostes, no fluxo do vento, beijar outra flor em outro jardim.
Gustavo Felicíssimo
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Sugestão de leitura
Belíssimo ensaio de Marinélia
Silva sobre um conto de Miguel Carneiro – que é um dos mais destacados
contistas aqui da Bahia – inserido em O
diabo em desordem. Vale à pena ler o texto. Eis AQUI o link.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Fim de ano com boas notícias
Há poucos dias recebi os resultados do
29º Concurso Literário Yoshio Takemoto, promovido pela Associação Cultural e
Literária Nikkei Bungaku do Brasil, sediada em São Paulo, que para a minha
surpresa concedeu-me o prêmio máximo em duas categorias: conto e poesia. Para além
do valor recebido pela premiação há sempre a satisfação e a sensação, ainda que
vaga, de que estamos no caminho acertado, afinal a esses prêmios juntam-se
outros dois em que fui contemplado neste ano, que foram o Cataratas (PR) e o
Maximiano Campos (PE). O conto selecionado chama-se O amigo de Caymmi e o poema Um
poema novo a cada dia.
AQUI o link com a notícia completa.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Prêmio para Ferreira Gullar e Laurentino Gomes
Fonte: PublishNews
O
53° Prêmio Jabuti entregou ontem à noite o prêmio de Livro do Ano de Ficção ao
poeta Ferreira Gullar, pela obra Em alguma parte alguma (José Olympio). O
título de Livro do Ano de Não Ficção foi dado ao jornalista Laurentino Gomes
por 1822 (Nova Fronteira). As duas categorias são as mais importantes da
premiação e cada vencedor receberá R$ 30 mil.
Saiba
mais AQUI.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
ESTRELA DO NATAL
Carvalho
Filho
É a estrela primeira da
tarde, a que surge
alta e só num céu ainda
claro
de silêncio e luz
morrente,
em pleno espaço
violáceo que coroa
os horizontes submissos
do crepúsculo.
A que arde lúcida além
da alma dos longes
no escampo ar marinho,
tão intensa e solitária
que nem no mistério
das águas anoitecendo
ensimesmadas
se reflete.
Queima no ermo a
estrela virgem do Natal:
é asa de fogo, asa de
fogo vencendo
num obscuro céu de
memória.
É a anunciação
apocalíptica da noite.
É a luz da Eternidade.
Cintila única na tarde
descolorindo
e no universo parado
a estrela rútila do
Natal:
- sobre os morros
flutuando na luz crepuscular
- sobre os mares
exaustos
- sobre distâncias de
tempo azul e cinza
- sobre distâncias
siderais
- sobre a cidade
satânica
- sobre o coração
humano.
É o espírito de Deus
velando a treva.
Em
Breve Romanceiro do Natal
Salvador;
Editora Beneditina, 1972.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Boi Morto
Um
amigo me escreve dizendo que ao fazer sua necessária e obrigatória remada
matinal na Enseada do Pontal, em Ilhéus, passou por ele, levado pela corrente,
um cavalo morto, com apenas as patas podendo ser avistadas por sobre as águas. Tal
relato me fez lembrar, e, inevitavelmente, me levou a reler o poema Boi Morto,
do Manuel Bandeira.
Boi
Morto
Como em turvas águas de
enchente,
Me sinto a meio
submergido
Entre destroços do
presente
Divido, subdividido,
Onde rola, enorme, o
boi morto,
Boi morto, boi morto,
boi morto.
Árvore da paisagem
calma,
Convosco – altas tão
marginais!
Fica a alma, a atônita
alma,
Atônita para jamais.
Que o corpo, esse vai
com o boi morto,
Boi morto, boi morto,
boi morto.
Boi morto, boi
desconhecido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou
sentido
Ou significado. O que
foi
Ninguém sabe. Agora é
boi morto,
Boi morto, boi morto,
boi morto.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Hitler após a 2ª Guerra na Argentina?
Hitler
e a mulher não se suicidaram num "bunker" em Berlim no dia 30 de
abril de 1945? É o que dizem os livros de história. A Folha de São Paulo do último dia 20, noticia que em The Grey Wolf - The
Escape of Adolf Hitler, livro que acaba de ser lançado no Reino Unido, os
britânicos Gerrard Williams e Simon Dunstan sustentam que Hitler escapou do
"bunker" três dias antes de seu suposto suicídio. Então, voou para a
Dinamarca e para a Espanha, e foi embarcado, com ajuda do general Franco, num
submarino com destino à Argentina. Hitler teria se instalado em mais de uma
residência na Patagônia, com Eva e duas filhas. Viveria mais 17 anos, e teria
morrido no dia 13 de fevereiro de 1962, aos 72 anos. Os autores reuniram
depoimentos de pessoas que dizem ter visto o Führer ou trabalhado para ele na
Patagônia.
Parece
ficção, e essa possibilidade de Hitler ter vivido até a morte na Argentina, um
delírio. Entretanto, se o Führer tivesse escapado ileso da derrocada alemã, um
dos lugares prováveis onde ele se exilaria seria sem dúvidas a nossa vizinha
Argentina, pois é por demais sabido os laços de amizade que o regime nazista
mantinha com o peronismo.
Para
quem quiser conhecer mais detalhes sobre o assunto, sugiro o livro “La
autentica Odessa”, do jornalista com faro de historiador, Uki Goñi, onde está revelado
um capítulo negro da história argentina: o país foi um porto seguro para
nazistas depois da 2ª Guerra Mundial. Nessa obra, como afirma Sergio Kiernan, uma
das coisas que mais chamam a atenção é o rigor do autor: cada afirmação possui
uma nota citando um documento.
Tocar
nesse assunto com nossos hermanos é
muito desagradável. Para eles essa vergonha deveria ser sepultada e esquecida. Também,
pudera!
domingo, 20 de novembro de 2011
PIANO
Arrebata-me ao
pôr-do-sol
o som de um piano
distante;
sua canção, que
desconheço,
é magia por um
instante;
entra pela porta e
janela,
faz do aposento
passarela
enquanto uma réstia de
luz
cintila sobre o meu
poema
que nesse momento
transluz:
à folha toda iluminada
não cabe acrescentar
mais nada.
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retranca
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Poemas de Lya Luft
Fonte: O Estado de S.
Paulo
O
sono tornou-se inquieto por alguns instantes. “Sonhei que estavam me matando”,
comentou o psicanalista Hélio Pellegrino com a mulher, a escritora e tradutora
Lya Luft, durante a madrugada da segunda-feira, dia 21 de março de 1988. Tema
comum na obra de ambos, a morte parecia ser apenas objeto de inspiração.
Infelizmente, não era – incomodado por um desconforto gástrico, Pellegrino foi
internado naquela manhã, depois de constatado um pequeno infarto. E, quando
parecia que a recuperação se finalizava, uma parada cardíaca fulminante o
matou. Era 23 de março. Ele estava com 64 anos e com muitos projetos. A perda
súbita transtornou Lya. Suspensa da realidade pela dor, ela decidiu transformar
o travo no coração em poesia. Nascia O
lado fatal (Record, 96 pp., R$ 24,90). Trata-se de 40 poemas escritos num
rompante, um por dia, que conciliam sentimentos contraditórios como raiva e
pesar, esperança e desalento, dor e esperança.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Em algum lugar do paraíso
novíssimas
crônicas de Veríssimo
Há
quem diga que a crônica não se constitui como gênero literário, especialmente
por ser, em princípio, um relato cronológico de fatos sucedidos, caracterizando-se
como, digamos, a memória escrita, embora muitas possuam nitidamente alto grau
de fabulação. Há vários tipos de crônicas, as que mais gosto são as
humorísticas e as líricas, terrenos em que Luis Fernando Veríssimo vai muito,
mas muito bem. Por isso o seu novo livro, Em
algum lugar do paraíso (Objetiva, 184 pp., R$ 36,90), que traz 41 crônicas,
todas inéditas em livro e escritas ao longo dos últimos cinco anos, era esperado
com expectativa desde o anúncio da entrega dos originais para publicação. Nelas,
o escritor fala sobre a vida, a morte, o tempo e o amor, sempre com um ar
nostálgico e repleto de reflexões acerca das escolhas feitas ao longo da
existência. O livro é cheio de personagens idiossincráticos e ao mesmo tempo banais.
Todos possuem as mesmas inquietações, tão comuns a todo mundo.
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crônica,
Em algum lugar do paraíso,
luis fernando veríssimo,
veríssimo
Outros Silêncios por Edson Kenji Iura
O haikai, forma poética de origem japonesa, nasceu para o Brasil no início do século passado, através da pena de Afrânio Peixoto. Até hoje, prestamos tributos a esse e a outros baianos pioneiros, que ajudaram a forjar com talento a tradição do haikai nacional. Ao lado dos poetas nativos, a Bahia revelou também um estudioso do calibre de Carlos Verçosa, paranaense que adotou essa terra e que muito tem contribuído com seus estudos para resgatar a justa dimensão do haikai dentro da literatura brasileira. É o mesmo caso de outro forasteiro, o paulista de Marília Gustavo Felicíssimo, que, uma vez seduzido pelos encantos do sul da Bahia, deixou-se ficar entre Ilhéus e Itabuna, para formar família e dedicar-se à literatura. Transitando com destemor através do haikai e de suas formas conexas, o senryu, o renga e o haibun, todas registradas neste livro, Gustavo Felicíssimo soube plasmar todas as influências recebidas de baianos como Afrânio, Oldegar Vieira, Gil Nunesmaia e Abel Pereira numa obra que aponta para o futuro, ao honrar a tradição haikaísta do grande estado nordestino.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Tomás Segovia morre aos 84 anos
O
poeta espanhol Tomás Segovia, exilado no México desde 1940, por conta da guerra
civil espanhola, faleceu nesta segunda-feira, dia 7, aos 84 anos, na capital
mexicana. Ele foi vítima de câncer, informou o Instituto Nacional de Belas
Artes (INBA). Para Teresa Vicencio Álvarez, diretora geral do INBA, "Segovia
é um dos poetas mais importantes das letras em língua espanhola”. De
sua obra possuo apenas um livro, Lapso (1987), presente que recebi de um grande
amigo. Dele retirei o belo soneto abaixo.
Tus pechos se dormían
en sosiego
Tus
pechos se dormían en sosiego
entre
mis manos, recobrando nido,
fatalmente
obedientes al que ha sido
el
amor que una vez los marcó al fuego;
tu
lengua agraz bebía al fin el riego
de
mi saliva, aún ayer prohibido,
y
mi cuerpo arrancaba del olvido
el
tempo de tu ronco espasmo ciego.
Qué
paz... Tu sexo agreste aún apresaba
gloriosamente
el mío. Todo estaba
en
su sitio otra vez, pues que eras mía.
Afuera
revivía un alba enferma.
Devastada
y nupcial, la cama olía
a
carne exhausta y ácida y a esperma.
Para
conhecer melhor o poeta e sua obra basta CLICAR AQUI.
domingo, 6 de novembro de 2011
Outros Silêncios em São Paulo
O lançamento de Outros Silêncios em São Paulo foi ótimo. Emocionante rever amigos da Bahia na terra da garoa e haikaístas como Teruko Oda e Guin Ga que até então apenas "conhecia" via internet. Abaixo, algumas fotografias do evento. Agora estou em Marília, minha cidade natal, onde sábado o público e amigos conhecerão também o livro.
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com o monge francisco handa |
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auditório lotado no colégio santo agostinho |
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guin ga, benedita azevedo e teruko oda (em pé) |
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convento santo agostinho |
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com edson kenji após autografar muitos livros |
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
OUTROS SILÊNCIOS
meu novo livro será lançado neste sábado, em
São Paulo
Trata-se
do meu terceiro livro, ocorrerá em importante evento literário, o 23º Encontro Nacional de Haikaístas, em
São Paulo, oportunidade em que farei uma palestra intitulada O haikai no
nordeste e suas peculiaridades.
Depois
da capital paulista lanço Outros Silêncios em Marília, minha cidade natal, na
quinta-feira, dia 10. Será motivo de enorme alegria retornar ao meu berço após
tantos anos, sobretudo para lançar um livro, rever familiares e amigos de
longuíssimas datas.
Pode-se
dizer que Outros Silêncios é o resumo do meu trabalho nos últimos dez anos em
que estive imerso em formas poéticas oriundas do Japão. A grande novidade da
obra fica por conta de uma série de 40 poemas sobre o rio Cachoeira, escritos
em parceria com George Pellegrini, intitulados Renga do Rio Cachoeira, poemas
que refletem nossa indignação com o descaso e irresponsabilidade das
autoridades para com os rios do Brasil, sintetizados no Cachoeira, o principal aqui
da região onde vivo, o sul da Bahia.
Quem quiser
adquiri-lo (ao preço de 20,00, incluso o frete) pode escrever para: gfpoeta2@hotmail.com
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