
Quem nunca classificou alguma cena terrível de “dantesca”, por conta da Divina Comédia de Dante? Quem nunca chamou o herói de uma causa perdida – como Vitorino Papa Rabo, de Zé Lins; ou o Príncipe Michkin, de Dostoiévsky - de “quixotesco” devido à obra de Cervantes? Quem nunca disse que um sujeito em dúvida terrível é “hamletiano”? Caramba, já vi muita gente demasiado séria ser chamada de “Dom Casmurro”, por causa do livro de Machado de Assis. E de “masoquista”, devido ao romance A Vênus de Peles , de Leopold Ritter von Sacher-Masoch, no qual um personagem somente chega ao orgasmo depois de surrado pelo amante da esposa. Claro que você acaba de se lembrar de que “sádico”, se deve ao Marquês de Sade e a seus romances – como Os 120 Dias de Sodoma. Do mesmo modo, “pantagruélico” é o comilão por excelência, desde que Rabelais escreveu seu romance Pantagruel, e “acaciana” é sempre uma figura pública tipo Conselheiro Acácio,pseudo-intelectual pomposo, desde que Eça de Queirós escreveu o romance O Primo Basílio.
A quanto mulherengo já demos o nome de “casanova”, devido ao libertino escritor Giácomo Casanova, que – segundo afirma nos vinte e oito volumes de suas memórias – enumerou cento e vinte e duas mulheres que possuiu ao longo da vida! Ou de “Don Juan”, por causa do personagem fictício que, por suas inúmeras conquistas amorosas, compareceu em várias obras de arte, como a peça Don Juan Tenório, de José Zorrilla, e a ópera Don Giovanni, de Mozart!
Um dos casos mais famosos de apropriação desse tipo é o de Freud, que viu no personagem clássico de Sófocles – Édipo Rei – o protótipo do portador do complexo emocional que envolve amor e ódio na relação filho-mãe-pai, tendo Gustav Jung estabelecido a mesma relação filha-pai-mãe no Complexo de Eletra, partindo das peças de Sófocles e Eurípedes que contam como essa personagem matou a mãe, Clitemnestra, pra vingar a morte do pai, Agamênon.
Quanta História por trás de cada palavra!
(26-07-2010)
W. J. Solha é escritor, dramaturgo, ator e poeta paulista, radicado na Paraíba
ATENÇÃO!
O autor oferece o seu belíssimo e intrigante romance "Relato de Prócula" a quem se interessar por ele. Basta que mande nome e endereço para wjsolha@superig.com.br que receberá o livro pelo correio, sem qualquer despesa.
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4 comentários:
Gustavo, esse camarada sabe das coisas, é um texto excelente para trabalhar em sala de aula sobre os 'clichês' e suas origens. Já pedi o livro. Valeu pela dica!
Muito bom ver aqui um texto de W. J. Solha, de quem sou admirador. Excelente. Certamente essa lista de casos de influência ainda poderia ser muito aumentada.
Abraço.
Obrigado Gustavo.
Gostei muito de ler. E deixo aqui a minha reflexao sobre o que diría um outro homem, igualmente versado em letras, mas emergido da esfera chinesa, talvez junto com um sábio indiano (nao ocidentalizado). Pagava para entender o diálogo. Até onde chegou Perseu e onde pousou "holocausto".
Abraço,
Pedro
Gostei de saber das histórias das palavras. Acertou na escolha do post.
Jefhcardoso do
http://jefhcardoso.blogspot.com
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