
Escrevo emocionado essas insuficientes palavras enquanto uma pergunta se agiganta: Porque os canalhas não se vão antes dos poetas?
Vai com todos os anjos e orixás, Poeta. Sentiremos sua falta!
Abaixo, uma entrevista que Damário concedeu a Revista Muito do Jornal A Tarde.
Qual é sua lembrança mais remota de querer ser escritor? Quando decidi dormir longe de todos. Tinha 15 anos e inventei um quarto para mim no porão da casa paterna.
Qual é o tema que acaba invadindo os seus poemas, mesmo quando você não quer? Todos os temas invadem a poesia. Mas, o efêmero, das coisas e dos sentimentos, anda sempre me cercando. Adoro relâmpagos e palavras rápidas no ouvido.
Você foi para Cachoeira atrás de que? Da pequena e forte aldeia que universaliza o poeta.
Você às vezes tem a impressão de que tudo o que era importante já foi escrito? Se sim, quem foi que já disse tudo? Ninguém é capaz de dizer tudo sozinho. Ninguém é grande sozinho. Somos uma mistura do muito que muitos nos dizem. Por incrível que possa parecer, acredito que a grande vedete deste milênio será a PALAVRA publicada em outros suportes
Escritor é um ser mais angustiado que as outras pessoas? Poeta mais ainda? Conheço gente bem mais angustiada fora da literatura do que dentro dela. A minha vida e a minha poesia estão distante disto. Elas estão a serviço, inclusive, da não-agonia humana.
Página em branco te dá pesadelo? Ao contrário. Produz o sonho das imensas possibilidades.
Qual foi o caminho que você evitou por medo, como diz em “Todo Risco”? O caminho da dedicação exclusiva à minha obra poética e fotográfica como muitos fizeram. Mas, obtive belos ganhos, por navegar em águas distintas.
Literatura é mais conforto ou agonia? As duas coisas na medida de cada um. Literatura substitui certas brincadeiras proibidas após a infância. Literatura é liberdade perseverante. E a Liberdade,às vezes, também doi.
Dê uma definição poética para a poesia. De vez em quando me perguntam para que serve a poesia. A minha resposta tem sido dada com duas perguntas e duas respostas: Para que serve a poesia ?, para fazer o homem. Para que serve o homem ?, para fazer poesia.
Todo risco
Damário Dacruz
A possibilidade de arriscar
É que nos faz homens
Vôo perfeito
no espaço que criamos
Ninguém decide
sobre os passos que evitamos
Certeza
de que não somos pássaros
e que voamos
Tristeza
de que não vamos
por medo dos caminhos
6 comentários:
Namastê!
Damário foi, talvez, o ser humano mais bacana que conheci no meio literário baiano.
Damário foi, talvez, o ser humano mais bacana que conheci no meio literário baiano.
Todo Risco me acompanha há muito tempo. Triste o Recôncavo.
Perda dupla: o poeta e o amigo.
Conheci o Damário há mais de 30 anos. Ao longo desses anos aplaudi a sua coragem/dedicação para realizar seus ideais, notadamente, o 'Pouso da Palavra' em Cachoeira, onde quase sempre o encontrava. Muito bom os papos, a curtição, naquele espaço. A última vez que vi o amigo foi no ano passado e notei que o seu sofrimento aumentava. Agora ele está livre do tormento humano.
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