Olhando
o dorso dos livros em minha pequena biblioteca, paro os olhos sobre algumas
obras do contista e romancista egípcio Naguib Mahfouz e, folheando um deles,
descubro que amanhã, se vivo estivesse, completaria 100 anos. Então me pego a
pensar que para quem lutou a vida inteira por democracia, liberdade e justiça
social em seu país, não poderia haver melhor presente do que a revolta do povo
egípicio contra Mubarak. Pena ele não ter visto esse que foi, diria, um ano
digno de suas obras-prima, como por exemplo, A trilogia do Cairo. Mahfouz foi o primeiro Nobel de língua árabe.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
Cobra de duas cabeças
Como editor da Mondrongo - a editora do Teatro Popular de Ilhéus, tenho a honra de
lhes apresentar Cobra de duas cabeças, livro de Herculano Assis que traz poesia
e prosa inéditas de Sosígenes Costa.
O lançamento será no próximo sábado, dia 17, às 19 horas, em Belmonte, cidade
natal do poeta. Também no dia 17 o site da editora entrará no ar, através do
qual se poderá adquirir essa e outras obras da editora. O endereço virtual
será: www.mondrongo.com.br.
Duas opiniões sobre Cobra de Duas Cabeças:
Cobra
de duas cabeças, obra que resulta de amorosa pesquisa e justificado penhor, caros
à memória de um poeta de excelência, aqui observado como pensador e crítico
notabilizado por uma verrina que de tão surpreendente constitui-se mais ainda
afeta à literatura baiana e brasileira.
Jorge de Souza Araujo
Os textos reunidos, particularmente a prosa,
desmistificam a imagem quase sempre contemplativa, compenetrada, e até sisuda
do poeta. O que aparenta pouco para um
autor da literatura brasileira, no caso específico de SC é muito significativo
porque ajuda a compor um complexo mosaico. Traços de uma personalidade
mitificada, exatamente, por ausência de informações precisas sobre sua vida e
seu pensamento “objetivo”.
Heitor Brasileiro Filho
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Orides Fontela e o Zen
Tenho
lido e relido a “Obra Reunida” de Orides Fontela (editada pela Cosac Naify), uma
poeta fatalmente influenciada pela filosofia zenista, um “Zen a meu modo”, como
diz ela sobre “Bucólicos”, obra em que encontramos poemas como esse – abaixo – que
se aproxima intensamente do haikai
A
chuva
lavou-me
toda
sem
deixar vestígios
de
ontem
cuja
diagramação bem poderia ser assim:
a
chuva lavou-me
toda
sem deixar vestígios
de ontem
Na
obra da autora paulista, muitos outros poemas seguem essa estética concisa e
significativa, cuja característica essencial é a naturalidade, a liberdade de
artifícios e a expressão da própria vida
Semeio
sóis
e sons
na
terra viva
afundo os
pés
no
chão: semeio e
passo
Não
me importa a colheita
Sobre
sua poesia Antônio Cândido disse o seguinte: Orides Fontela tem um dos dons essenciais da modernidade: dizer
densamente muita coisa por meio de poucas, quase nenhumas palavras [...] Denso,
breve, fulgurante, o seu verso é rico e quase inesgotável, convidando o leitor
a voltar diversas vezes.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Mais uma obra de Kawabata disponível no Brasil
O
romancista e contista Yassunari Kawabata é um escritor que recebeu forte
influência do classicismo japonês e tem seu nome no rol dos escritores do seu
país com prestígio literário internacional.
O
jogo japonês de tabuleiro em que um adversário procura encurralar o outro,
invadindo e controlando seu território, é o ponto de partida de Yasunari
Kawabata, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1968, em O mestre de go, agora publicado no
Brasil pela Estação Liberdade. A
narração da partida histórica de despedida do grande mestre Shusai foi
transformada em obra literária em 1954, tendo sido reconhecida pelo próprio
Kawabata como uma de suas obras mais autênticas. Sinopse e trechos da obra
podem ser lidos AQUI.
Outros
livros de Kawabara disponíveis no Brasil são: A casa das belas adormecidas, Contos
da palma da mão, Kyoto, O som da montanha e O lago, todos traduzidos diretamente do japonês por Meiko Shimon.
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Excesso de livros ou escassez de leitores?
A pergunta é de José Pastore, Professor
da USP e membro da Academia Paulista de Letras. O resumo abaixo foi feito a
partir de texto publicado n’O Estado de São Paulo, em 06.12.2011.
Os
dados sobre hábitos de leitura no Brasil nos levam a um paradoxo. O país
apresenta uma produção de obras bastante razoável. Ao mesmo tempo, a média
anual de livros lidos é muito baixa. Como explicar isso? Em 2010 as editoras
brasileiras publicaram quase 500 milhões de livros, um aumento de 23% em
relação a 2009, o que é muito expressivo. O número de exemplares vendidos no
mercado (livrarias, internet, porta em porta, etc.) cresceu 8,3%. Se incluirmos
as vendas ao governo, o aumento foi de 13% (Censo do Livro, Fipe/CBL/Snel,
2011). Ao mesmo tempo, fala-se que o brasileiro lê 1,8 livro não acadêmico por
ano. Nos países desenvolvidos essa média é de 10 obras lidas. Na França são 25
livros por ano! Num estudo da Unesco realizado em 52 países, o Brasil ocupou a
47.ª posição. Afinal, o que está havendo? Excesso de livros ou escassez de
leitores?
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Se eu fosse um padre
Mário
Quintana
Se eu fosse um padre,
eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem
no Pecado
— muito menos no Anjo
Rebelado
e os encantos das suas
seduções,
não citaria santos e
profetas:
nada das suas
celestiais promessas
ou das suas terríveis
maldições...
Se eu fosse um padre eu
citaria os poetas,
rezaria seus versos, os
mais belos,
desses que desde a
infância me embalaram
e quem me dera que
alguns fossem meus!
Porque a poesia
purifica a alma
...e um belo poema —
ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre
leva a Deus!
Poema extraído do livro
"Nariz de Vidro", Editora Moderna - São Paulo, 1984, pág. 52.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Valeu, Doutor Sócrates
Acordo
nesta manhã de um domingo primaveril, nublado e renitente em Ilhéus, sem praia,
portanto, enquanto uma notícia me acerta o fígado como um cruzado certeiro de Éder
Jofre. Leio-a e silencio. Leio-a e entendo porque o céu está enegrecido: lutuoso
chora a morte de um deus que se disfarçou de homem para dar-nos alegrias
dominicais.
Somente
um deus extremamente generoso deixaria o conforto do Olimpo, a companhia das
ninfas, os banquetes báquicos, para se misturar ao povo e encarnar o que ele tem
de melhor a fim de proporcionar-lhe um pouco de diversão, passatempo com altas
doses de emoção, anestésicos toques de calcanhar amenizando os efeitos da
opressão.
“Morreu
o Doutor Sócrates”, diz a notícia do jornal enquanto pela casa emana a voz de
Gonzaguinha ampliando a melancolia experimentada. “Não se espante, cante”, diz
a canção enquanto o meu coração teima em se pronunciar: “Não, ele não morreu”. Afinal,
a morte é um exagero para quem amou a vida, para quem nos braços do povo jamais
morrerá.
Tivera
tempo ou não de fazer como Manuel Bandeira em Consoada? “Alô, iniludível”, a mesa não estava posta! Deixou
esposa, seis filhos e uma legião de admiradores; parte deles por conta do
refinadíssimo futebol que jogava no Corinthians ou na Seleção; outra parte por
conta de posturas corajosas frente à realidade do país no seu tempo de jogador,
sobretudo no início dos anos 80.
Politizado,
fato raro para um jogador de futebol ainda hoje, Sócrates, o Calcanhar de ouro,
deixou-se envolver pelo movimento Diretas
Já ao ponto de garantir que se a emenda Dante de Oliveira, que estabelecia
o voto direto no País, fosse aprovada, ele permaneceria jogando aqui, mesmo
sendo muito assediado por clubes europeus. Como isso não aconteceu, se transferiu
para a Itália no ano de 1984. Como jogador foi craque, como homem foi um
intelectual. Escreveu para o teatro, fez letras de música e atuou na imprensa escrita
e televisiva brasileira, nem sempre falando apenas sobre futebol.
No
ano de 1992, durante as Olimpíadas de Barcelona, me encontrei ocasionalmente
com Sócrates no Vesúvio. Cada um tomava seu chopinho durante a final do vôlei
contra a Holanda, jogo que consagrou aquela geração formada por Tande, Giovane,
Marcelo Negrão, Maurício e companhia. Como as mesas estavam muito próximas, o
papo rolou naturalmente, e continuou após o jogo. Entre um gole e outro, falamos
inevitavelmente de futebol, sobretudo fut-volei, que ele andava praticando. Tudo
sem tietagem. Tenho horror a isso.
Quando
soube que sou natural de Marília, Sócrates começou a relembrar algumas partidas
que havia feito na cidade. A muitas delas eu assisti. Sim, embora fosse apenas
um garoto, e sãopaulino, tive o prazer de vê-lo ao vivo desfilar sua elegância
por um campo de futebol.
Agora
essa notícia... Embora isso, foi emocionante acompanhar pela TV tantas
homenagens, tantos minutos de silêncio nos estádios, tanto respeito por sua
figura. Quem acompanhou às resenhas pôde perceber que não houve especialista
que não o reverenciasse.
Sócrates
deixou a sua marca e foi em paz, no dia em que seu time de coração se sagrou
pentacampeão brasileiro, deixando-nos com a certeza de termos visto um Poeta do
futebol.
Adeus,
adeus Doutor. Sabes, agora, como é frágil a nossa existência. Sabes, agora,
sobre as nuvens pétreas, conheces o cais de onde partimos e como num passe de
mágica visitastes as maravilhas do mundo. Batestes suas asas de colibri e fostes, no fluxo do vento, beijar outra flor em outro jardim.
Gustavo Felicíssimo
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Sugestão de leitura
Belíssimo ensaio de Marinélia
Silva sobre um conto de Miguel Carneiro – que é um dos mais destacados
contistas aqui da Bahia – inserido em O
diabo em desordem. Vale à pena ler o texto. Eis AQUI o link.
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Fim de ano com boas notícias
Há poucos dias recebi os resultados do
29º Concurso Literário Yoshio Takemoto, promovido pela Associação Cultural e
Literária Nikkei Bungaku do Brasil, sediada em São Paulo, que para a minha
surpresa concedeu-me o prêmio máximo em duas categorias: conto e poesia. Para além
do valor recebido pela premiação há sempre a satisfação e a sensação, ainda que
vaga, de que estamos no caminho acertado, afinal a esses prêmios juntam-se
outros dois em que fui contemplado neste ano, que foram o Cataratas (PR) e o
Maximiano Campos (PE). O conto selecionado chama-se O amigo de Caymmi e o poema Um
poema novo a cada dia.
AQUI o link com a notícia completa.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Prêmio para Ferreira Gullar e Laurentino Gomes
Fonte: PublishNews
O
53° Prêmio Jabuti entregou ontem à noite o prêmio de Livro do Ano de Ficção ao
poeta Ferreira Gullar, pela obra Em alguma parte alguma (José Olympio). O
título de Livro do Ano de Não Ficção foi dado ao jornalista Laurentino Gomes
por 1822 (Nova Fronteira). As duas categorias são as mais importantes da
premiação e cada vencedor receberá R$ 30 mil.
Saiba
mais AQUI.
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Jabuti,
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