sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os três irmãos da curriola: Chico Tampa, Zé Tabaca e Mané Sola

Nesta segunda-feira lanço meu primeiro folheto de cordel pela Edições Tocaia, em convênio com a Editus, a editora da UESC. Os três irmãos da curriola conta a fantasiosa história de Chico Tampa, Zé Tabaca e Mané Sola, três diabinhos que vieram à terra pra fazerem muita estripulia. O folheto foi escrito a seis mãos, juntamente com George Pellegrini e Piligra, meus amigos e parceiros de diversas travessias, e seu lançamento marca ainda a despedida do Piligra do nosso convívio por um tempo, pois ele está de malas prontas para passar um tempo na Alemanha, se preparando para o doutorado em Frankfurt.
Apareçam! O folheto será vendido pela bagatela de 2,00. No cartaz abaixo estão locais e horários.
clique para ver a imagem maior

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sexta canção para Flora


Se lhe tirarem o sorriso
ou lhe fecharem os caminhos
não se incomode, filha minha,
são os temores, os espinhos;

são as tormentas, logo passam,
mas os que ficam, nos abraçam;

os que nos amam nos confortam 
e logo formam grande coro –
contra a penúria, nos amparam:

quando tentarem lhe ferir
só não se esqueça de sorrir.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um soneto de Ferreira Gullar

Reli o belo soneto, publicado abaixo, pela milionésima oportunidade, e dessa vez no vôo sem pouso, blog do meu amigo João Filho. Trata-se do poema nº 5 da série Sete poemas portugueses, inseridos em A luta corporal, segundo livro de Ferreira Gullar.

5.
Prometi-me possuí-la muito embora
ela me redimisse ou me cegasse.
Busquei-a na catástrofe da aurora,
e na fonte e no muro onde sua face,

entre a alucinação e a paz sonora
da água e do musgo, solitária nasce.
Mas sempre que me acerco vai-se embora
como se me temesse ou me odiasse.

Assim persigo-a, lúcido e demente.
Se por detrás da tarde transparente
seus pés vislumbro, logo nos desvãos

das nuvens fogem, luminosos e ágeis!
Vocabulário e corpo — deuses frágeis —
eu colho a ausência que me queima as mãos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ferreira Gullar em dois tempos


De acordo com informações de Ancelmo Gois n’O Globo do último dia 22, Ferreira Gullar entregou à Editora José Olympio os originais de dois livros inéditos. Um monólogo teatral e um livro para crianças, chamado A menina Cláudia e o rinoceronte, com colagens do escritor.

***

Ferreira Gullar havia acabado de cair na clandestinidade - era 1970 - quando leu a seguinte notícia no jornal: pai é acusado de roubar rubi encravado no umbigo do filho (por razões medicinais) para sanar dívidas da família. "Eu achei isso tão engraçado e louco que me veio a ideia, independentemente de ser verdade ou não", lembra o poeta e colunista da Folha. A ideia era usar a história como mote para a peça, Um rubi no umbigo, que estreou na sexta-feira (19) para o público carioca. Ao escrever, Gullar não perdeu de vista o caráter cômico da história, mas, até como reflexo dos tempos sombrios em que vivia, retratou no texto "a relação do ser humano com a riqueza" de modo crítico e desesperançado.

Transe

Como é doce a lembrança de outras faces,
bem mais doce, porém, a imagem desta
que em meu ser encontrou pequena fresta
e adentrou de mansinho, sem disfarces.

Delícia que me leva à realidade,
assegura a certeza na ilusão
vivida, no porvir e na visão
que me encarcera, assim, noutra verdade.

Embora eu não estranhe a voz do medo,
esse ser que atormenta e também cega,
vivo agora o que ao homem não se nega:
entregar-se ao amor sem arremedo.

Apesar de sentir o véu da morte
insisto em ser senhor da minha sorte.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

No ar a 59ª edição da Diversos Afins


Está no ar a 59ª edição da revista virtual Diversos Afins. Segundo informa o meu querido amigo e editor Fabrício Brandão, o conteúdo é o seguinte:
 - uma valiosa entrevista com o libertador de livros João do Corujão da Poesia
- suaves perspectivas das telas de Staëll Di Lukka
- todos os versos de Lívia Soares, Felipe Stefani, Luciano Fraga, Maria Quintans, Romério Rômulo, Iracema Macedo e Fabrício Clemente
- a prosa marcante nas linhas de Maria da Conceição Paranhos, Regina M. A. Machado e Alice Fergo
- a veia cinéfila cada vez mais perspicaz de Larissa Mendes
- os percursos de Maria João Cantinho em torno da obra recente do poeta lusitano Casimiro de Brito
- o mais novo disco de Ana Paula da Silva

 É clicar AQUI e conferir

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Os 110 anos de Sosígenes Costa


A grande comemoração pelos 110 anos de Sosígenes Costa acontecerá em Belmonte, sul da Bahia, sua terra natal, no próximo mês de novembro. Além de um show com as prováveis participações de Xangai e Renato Teixeira, ainda haverá o lançamento de Cobra de duas cabeças, título provisório do livro que estou organizando - que é fruto da dedicação do meu amigo Herculano Assis - com poemas, crônicas e dois artigos inéditos do autor, além de uma rara entrevista publicada na década de 50 na extinta revista Marca, do Rio de Janeiro. 

Mega celebração para os 110 anos de Drummond


Com informações da Folha de S. Paulo

Não será apenas Jorge Amado que será megacelebrado em 2012. Carlos Drummond de Andrade que já é o poeta mais consagrado do Brasil, nos próximos meses tudo estará conspirando para torná-lo também o mais célebre com um livro de poemas inéditos, nova editora, títulos especiais, acervo pessoal sob nova guarda, homenagem na Flip, exposições, uma nova antologia em inglês e uma enxurrada de grandes acontecimentos. As prévias começam em 31 de outubro, quando o Instituto Moreira Salles promove o "Dia D", série de eventos na data em que nasceu o poeta. A ideia é que o festejo extrapole os limites do instituto e entre para o calendário cultural do país, como o Bloomsday para a obra de James Joyce. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O exercício crítico segundo a cátedra


O Estado de S. Paulo - 13/08 – Antônio Gonçalves Filho

O professor de literatura da Uerj e crítico literário João Cezar de Castro Rocha, acaba de lançar um livro que deve provocar incômodo no meio universitário, Crítica literária: Em busca do tempo perdido? (Argos, 443 pp., R$ 49). Tudo porque, ao analisar a polêmica iniciada em 1948 por Afrânio Coutinho contra o "impressionismo" dos rodapés literários publicados pelos jornais da época, assinados por críticos como Álvaro Lins, atestou que ela não acabou. Os acadêmicos, de modo geral, desconfiam da clareza do texto jornalístico e preferem se dedicar ao ensaísmo para poucos. O que Castro Rocha propõe é atualizar as lições de Antonio Candido e Mário Faustino, imaginando uma crítica literária insubmissa ao cânone, ideologicamente independente e disposta a um corpo a corpo com o texto.
Clique AQUI para ler a entrevista

Acervo de Glauber Rocha está todo em São Paulo


O que faltou para que o acervo glauberiano fosse trazido para a Bahia, terra natal do cineasta?


No dia 22 de agosto completa-se 30 anos da morte de Glauber Rocha. Nesse mês o cineasta baiano certamente será muito lembrado e homenageado. Muitas matérias estamparão jornais, sites e blogues do país. A primeira delas, nada agradável – pelo menos é assim que a vejo – para os baianos, quem deu foi O Estado de São Paulo no último dia 12. Abaixo, alguns trechos da matéria:

  Originado da obstinação da mãe de Glauber em fazer as palavras do filho ecoarem mundo afora, o Tempo Glauber, no Rio, (...) sempre viveu na corda bamba. Desde o início do ano, não recebe recursos do Ministério da Cultura destinados a seu custeio, o que faz com que a família Rocha use dinheiro próprio para mantê-lo aberto, abrigando e difundindo sua produção intelectual. Anteontem, a luz chegou a ser cortada. (...) Sem querer arriscar um acervo riquíssimo salvaguardado por Dona Lúcia com doses iguais de amor e meticulosidade, eles venderam em dezembro à Cinemateca Brasileira, por R$ 3 milhões, roteiros, fotografias, manuscritos, poemas (cabem et ceteras) - tudo digitalizado -, num total de 25 metros lineares reveladores do pensamento e da poética do cineasta. A transferência para São Paulo já foi feita.

***

Em relação ao acervo glauberiano, o que me intriga é o fato dele não estar aqui na Bahia, em Salvador ou na sua cidade natal, Vitória da Conquista, onde a casa em que o cineasta nasceu continua bem preservada, com um jardim lateral bem cuidado e enormes janelas frontais ao estilo colonial.
Em março de 2008, na abertura da exposição Glauber, Uma Revolução Baiana, no foyer do Teatro Castro Alves, filha e mãe do cineasta, Paloma Rocha e Lúcia Rocha, anunciavam que todo acervo do cineasta poderia vir para a Bahia, que "tudo agora está nas mãos dos poderosos". Entre os tais "poderosos", estava o secretário de Cultura do Estado, Marcio Meirelles, que fez o convite para que acontecesse aquela exposição em homenagem aos 69 anos de Glauber. Na abertura da exposição, Meirelles e familiares do cineasta assinaram um compromisso de intenção para trazer o acervo digital do Tempo Glauber para Salvador.
Segundo o Jornal A Tarde de 14 de março de 2008, as conversas iniciais indicavam que havia o interesse de que este ponto digital, que daria acesso aos quase 70 mil documentos da produção intelectual do cineasta, fosse para a Diretoria de Artes Visuais e Multimeios, mas a maior possibilidade é que fosse instalado dentro da UFBA. Entretanto, em 2010 o acervo em questão foi adquirido pela Cinemateca Brasileira, órgão do Ministério da Cultura, e foi para a sua sede em São Paulo.
Nada contra a Cinemateca Brasileira, de belíssima história, onde tenho certeza que o acervo de Glauber estará muito bem preservado, tampouco contra a cidade da garoa, mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: o que faltou para que o acervo glauberiano fosse trazido para a Bahia, terra natal do cineasta? Se alguém puder nos responder...

Visite o site do Tempo Glauber clicando AQUI.
AQUI para ler ótimo texto do mestre André Setaro sobre Glauber Rocha.