segunda-feira, 18 de julho de 2011

O rei do paraíso


Ao vagar nos rastros da lua
e despir os sonhos
nos lábios do Jequitinhonha,
saí coberto de prata.
Por isso meu berro é rouco
e revela pouco que sou cria de Belmonte,
senão, todos descobrem
que sou rei.
Pois se a vida consagrou Belmonte,
senhora de minh’alma,
então, do paraíso já sou íntimo.

Herculano Assis, em Rua dos Avessos (Via Litterarum)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Paulo Leminski e o haikai


Recentemente a revista Sibila publicou um texto - de Paulo Franchetti - fundamental para se entender a relação de Paulo Leminski com o haikai. Como o texto não se limita ao tema proposto, também se mostra importante para outros debates como, por exemplo, o da poesia concreta.
Saiba mais clicando AQUI.

Rock & Poesia na terra de Sosígenes Costa


Amanhã estarei me apresentando com a banda Enttropia na cidade de Belmonte - terra do inigualável Sosígenes Costa - na sede da Filarmônica 15 de Setembro, no evento de lançamento do livro Rua dos Avessos, de Herculano Assis.
            Levaremos para lá o espetáculo Catedrais Suspensas, o mesmo que apresentamos em Ilhéus, na Casa dos Artistas, no mês de maio, em que acompanhado do rock’n roll puro sangue da banda, recito poemas de Spleen, meu próximo livro.
O Espetáculo está dividido em quatro atos contando com uma progressão impetuosa e estética entre as músicas e os poemas.
O primeiro ato, intitulado O lúdico Surreal, estabelece uma relação íntima e primordial com o quimérico e o onírico presente na infância recordada ou imaginada. O segundo ato, A Ruptura com o Onírico, proporciona um contato
com a dor, o torpe, o cotidiano e com o tédio, o maior dos grilhões para o esteta.
Este ato personifica a melancolia, fruto da relação entre o olhar poeticamente onírico de outrora e as rupturas nocivas do cotidiano mortal e pueril.
            Terceiro ato: A Revolta dos Estetas. É o clímax do espetáculo. A revolta poética e estética contra tudo aquilo que outrora acorrentou os estetas, revolta retomada sob forma de reflexão poética e musical, estabelecida pelos poemas e músicas que se encaixaram nesta perspectiva com muita sofisticação.
O quarto ato é Retorno ao Surrealismo Onírico. Retorno aos domínios perdidos. Ruptura com os grilhões que aprisionam as almas dos poetas e selam as portas da percepção dos mesmos. Este ato conclusivo afirma a autonomia e a consciência, emancipados também no exílio interno que deve ser descoberto dentro de cada ser. Bem descrito no poema “Canção do meu Exílio” e na música “Catedrais Suspensas” que personificam esses exílios sob um prisma estético e surreal. Apresentamos neste ato, em perspectiva poética e filosófica, uma visão do donjuanismo, que também fomenta essa relação com o retorno ao poético e estético, com o poema “Monólogo de Don Juan” e a música “Sete Espinhos”.

Serviço:
Espetáculo Catedrais Suspensas, com a banda Enttropia e o poeta Gustavo Felicíssimo, no lançamento do livro Rua dos Avessos, de Herculano Assis.
Sede da Filarmônia 15 de Setembro
Entrada: Gratuita
Belmonte - BA

Dia mundial do rock


            Para Heitor Brasileiro Filho
Para Elielton Cabeça

Todo dia é dia de Rock and roll,
nele solto o meu baixo grito,
verdade com jeito de bicho grilo
e a cabeça fora do lugar.
Um corpo ao meu se apega
no espaço de alguns passos infindos,
entre acordes dissonantes
e o peso da guitarra que não cessa,
que não cessa...
É pau de dar em doido
e apenas quem é do rock
amanhece ao sol
que leve vem bailando,
refluxo da vida a desfilar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Projeto Memórias do Rio Cachoeira

Gostaria de pedir a atenção especial dos leitores desse blog para uma causa super justa que envolve a excepcional banda Manzuá, aqui da Bahia. A banda participa do projeto Memórias do Rio Cachoeira que foi aprovado por um edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) e consiste na produção de um documentário sobre o Rio Cachoeira, com trilha sonora composta de poemas musicados pela Manzuá.
A idéia é unir música, poesia e audiovisual em um trabalho que será finalizado em um box com um DVD com o documentário e um CD com as 12 faixas da trilha sonora. Os integrantes do projeto gostariam de produzir um evento de lançamento deste produto no mês de Novembro, porém a verba não é suficiente para cobrir os custos. Por isso, cadastraram o projeto no site CATARSE.ME (site de divulgação e apoio de contrapartida a projetos culturais) para tentar arrecadar fundos para este evento.
Para contribuir é só clicar AQUI.
Desde já agradeço a todos e torço para que o evento se realize.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Confissão de um velho boêmio


Toda vida devia ser
uma festa sem fim, velório
festivo da morte do tempo,
fogueira de azuis, crematório

ou, mesmo, hospital de lembranças
dos que nunca foram crianças,

e pularam toda a pureza,
ao invés de pular a corda,
dançar nas horas da beleza;

dos que hoje morrem sem saber
que festa acabam de perder.

Alberto da Cunha Melo

Saiba mais sobre esse formidável poeta clicando AQUI.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Edição da Granta se propõe a apresentar os 20 melhores jovens escritores brasileiros


 Fonte: PublishNews 

Sai primeiro em português, em julho, e logo depois em inglês, em outubro, a edição da Granta que se propõe a apresentar os 20 melhores jovens escritores brasileiros. As inscrições podem ser feitas entre os dias 10 de julho e 30 de setembro e é necessário que se tenha publicado ao menos um texto de ficção (já impresso ou com pelo menos o contrato de publicação assinado). E ter menos de 39 anos. A comissão julgadora será formada por seis brasileiros (Cristóvão Tezza, Samuel Titan, Manuel da Costa Pinto, Ítalo Moriconi e os editores da Alfaguara Isa Pessoa e Marcelo Ferroni) e pelo americano Benjamin Moser. Essa edição especial, que não pretende ser definitiva e nem revelar talentos, mas sim mostrar um pouco o que se produz no Brasil, foi anunciada nesta quinta-feira, dia 07, na Festa Literária Internacional de Paraty, pelo editor da Granta, John Freeman e por Roberto Feith, da Objetiva/Alfaguara, que edita a revista aqui desde 2007. Uma segunda edição deve ser lançada em 2022.
Inscrições AQUI.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Por ser o que não sou é que padeço


Por ser o que não sou é que padeço.
Padeço um existir quase alternado
Entre tudo o que tenho e não mereço.
E o que mereço, nunca me foi dado.

Assim, o que não digo, reconheço
Ser o que mais por mim foi meditado.
O que revelo é paga - apenas preço
Do que também a mim foi ocultado.

Se esse existir se parte entre dois gumes
Posso ver pela noite vaga-lumes
E dizer que são luzes nos caminhos.

Maldito o que me vê como não sou:
Podendo dar-lhe mel, apenas dou,
Ocultos, entre pétalas, espinhos.

Jorge (Emílio) Medauar,  poeta e contista, nasceu a 15 de abril de 1918, em Água Preta do Mocambo, sede do então distrito de Ilhéus, hoje cidade e município de Uruçuca. Descende de pais sírio-libaneses, que chegaram ao sul da Bahia em busca de melhores condições de vida, atraídos pelo cultivo do cacau. Publicou os seguintes livros de poesia: Chuva sobre a Tua Semente (1945), Morada de Paz (1949), Prelúdios, Noturnos e Temas de Amor (1954) e Às Estrelas e aos Bichos (1956). Seu êxito maior viria, no entanto, a partir de 1958, com o livro de contos Água Preta, ao que se seguiram A Procissão e os Porcos (1960) e O Incêndio (1963), formando uma trilogia recebida com alto apreço pela crítica. Foi um dos maiores contistas da época até o final da década de 70. Escreveu ainda Histórias de Menino (1961) e O Visgo da Terra (1996), este, um romance urdido com os seus contos sobre Água Preta e Ilhéus. Participou de várias antologias nacionais e internacionais e, também dedicavou-se à literatura infanto-juvenil.

Conheça um pouco mais sobre a obra de Medauar clicando AQUI

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tabucchi ataca Brasil em jornal italiano


Folha de S. Paulo - 06/07/2011
                
Com o título "O meu não ao Brasil de Battisti", um artigo estampado na primeira página do jornal italiano "La Repubblica", anteontem, detalhava as justificativas do escritor Antonio Tabucchi para não vir à Flip. No texto, Tabucchi critica as instituições brasileiras pela recusa em extraditar o ex-militante esquerdista Cesare Battisti, acusado de quatro mortes na Itália quando atuava numa organização terrorista. Segundo ele, o fato de o Supremo Tribunal Federal ter remetido a decisão ao então presidente Lula demonstra o quanto, no Brasil, "o Poder Judiciário é submisso ao poder político". Tabucchi opina que o desfecho "não constitui somente uma ofensa à República italiana, mas é também uma ferida que se inflige ao direito internacional". Para o escritor, o argumento do Executivo brasileiro de que Battisti poderia ser torturado nas prisões italianas é insustentável. Tabucchi mencionou a onda de rebeliões em presídios simultânea aos ataques do PCC em São Paulo em 2006 como sinal de que é o Brasil quem deve cuidar de sua política carcerária.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Estado de São Paulo publica texto de Augusto de Campos sobre Oswald de Andrade

Conheci "Oswáld" (não "Ôswald") em 1949, na companhia de Décio Pignatari e Haroldo de Campos. Eu tinha 18 anos, Décio, o mais velho, 22. Fomos apresentados a Oswald por Mário da Silva Brito, que nos levou ao apartamento do poeta. Estava ainda muito ativo, defendendo o Modernismo e combatendo a "geração de 45", em conferências e desaforadas crônicas (Telefonemas), e às vezes aos risos e berros no Clube de Poesia, com o costumeiro sarcasmo e muitos trocadilhos.

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