Em uma chata e mal
conduzida entrevista, Albino Rubim, o novo secretário de cultura da Bahia, fala
(sempre na primeira pessoa) sobre teatro, cinema, cultura popular,
interiorização dos recursos, seu antecessor e outras coisas, mas não toca em
temas ligados à nossa literatura. Poderia ser melhor...
sábado, 29 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Tom Zé no MinC
A
campanha lançada ontem à noite com o nome do compositor baiano Tom Zé para
presidir o Ministério da Cultura surgiu de um descontentamento geral da classe
artística com as declarações da recém-empossada Ministra da Cultura, provocando
uma reação em cadeia que já atinge proporções continentais.
Tudo começou após uma articulação inédita
entre manifestantes da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. As lideranças afirmam que o
movimento é apartidário mas, por se tratarem dos três maiores colégios
eleitorais do país alguns políticos já começam a se posicionar favoravelmente.
Em
Irará a expectativa é grande e há vigília na cidade desde a madrugada. Niemeyer
e Dona Canô já manifestaram apoio. Na porta do seu prédio no bairro paulistano
de Perdizes uma pequena multidão de jornalistas e curiosos já se aglomeram em
busca de informações.
Há
notícias de que o baiano já está Estudando o MinC. O movimento agora se espalha
como um viral pelas redes sociais e os analistas já consideram inevitável a
mudança. A presidente Dilma Roussef deve fazer um pronunciamento sobre o fato
em algumas horas...
Abaixo, o manifesto que
vem sendo construído colaborativamente na rede, dê sua contribuição:
“Queremos um ministério
sem mistério, menos austero e mais criativo, menos peso morto, mais leve e
vivo! Queremos principalmente um ministério da cultura livre, no conteúdo e na
forma, no regulamento e na norma, no regimento e na matéria que informa! Não só
o criador, mas também a criatura! Abaixo à censura! Queremos Tom Zé no
Ministério da Cultura!
Acredite quem quiser...
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Virtualismo, o que é isso mesmo?
Hoje, a palavra da moda é virtualidade. Não há
dúvidas. Embora eu quisesse falar sobre poesia e coisas do gênero, alguns
amigos (jornalistas, historiadores e outros canalhas), na mesa do bar, tentavam me convencer a deixar o orkut e ingressar no
facebook.
Perda de tempo total, pois quem está em vias de mandar um às favas não
irá aderir ao outro.
Fingindo prestar atenção ao que me diziam, lembrei
de um texto do Baudelaire, onde está grafado que jamais
devemos apresentar ao cão “os perfumes delicados que o exasperam, mas sim o
lixo cuidadosamente escolhido.
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o cão e o frasco,
virtualismo
domingo, 23 de janeiro de 2011
SOS RIO: ARTISTAS SOLIDÁRIOS EM ILHÉUS
Artistas ilheenses das mais diversas expressões se
reúnem na próxima segunda-feira, dia 24, das 15 às 21 horas, em frente à Casa
dos Artistas, e fazem apresentações gratuitas para o público a fim de chamarem
a atenção de todos para a necessária arrecadação de mantimentos para as vítimas
das enchentes no Rio de Janeiro que estará sendo feita no local.
A organização do programa SOS RIO: ARTISTAS SOLIDÁRIOS
busca mobilizar a população, recebendo doações que privilegiem itens de
primeira necessidade e em bom estado de conservação, como roupas, roupas de
cama, colchões, calçados, alimentos não-perecíveis e água potável, observando que:
* Os alimentos devem estar dentro do prazo de validade
e com a embalagem intacta, não-perecíveis;
* Colchões e roupas de cama devem estar em bom
estado de conservação, limpos e prontos para utilização;
* Roupas e calçados também devem estar limpos e em
condições de uso.
* Utensílios domésticos devem estar funcionando e
bem conservados.
Por indicação da Cruz Vermelha, os alimentos mais necessários
são: água, leite em pó, arroz, feijão, macarrão, óleo de cozinha. Também roupas
do vestuário masculino e feminino para crianças, adolescentes e adultos, calçados
(devem estar amarrados entre si, pé direito com esquerdo), fraldas
descartáveis, material de higiene e limpeza, cobertor, colchonete.
Todo material arrecadado será levado por uma
transportadora local para a sede da Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro, já na
terça-feira. Por isso, quem quiser colaborar precisa fazer suas doações ainda nesta
segunda-feira, até o encerramento do SOS RIO: ARTISTAS SOLIDÁRIOS.
Programação:
(sujeita a modificações)
15:50 - Abertura
16:00 – Francisco Susmaga (violinista)
15:40 - Teatro Popular de Ilhéus (O fiscal e a
fateira)
16:20 – Azulão Baiano (repentista) + Gilton Tomáz (Cordelista)
17:00 - Zé Delmo (O contador de histórias)
17:40 – Nozinho ( Cover do Tim Maia)
18:20 - Cia Casa Aberta de Teatro (comediantes)
19:00 - Dr. Imbira (Rock and roll) + Gustavo
Felicíssimo (Poeta)
19:40 - Délio Santiago (samba)
20:20 - Itassucy (MPB)
Contato
dos organizadores:
André Rosa: 8804-0751
Elielton Cabeça: 9928-0608
Gustavo Felicíssimo: 8842.2793
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
No ar a 52ª leva da Diversos Afins
Fabrício Brandão e
Leila Andrade colocaram no ar mais uma edição da revista eletrônica Diversos
Afins, a 52ª, destacando o seguinte:
- o sentido místico
presente nas telas da artista plástica Ana Luisa Kaminski.
- doses instigantes de
poesia com Rita Santana, Marcilio Medeiros, Adrianna Coelho, Piligra, Luís
Serra, Rubén Vedovaldi e Lílian Maial.
- a perspectiva do
documental numa entrevista com o fotógrafo Ricardo Sena.
- ecos humanos nos
contos de Adelaide Amorim, Juliana Gola e Nelson Alexandre.
- a estreia em disco de
Marcelo Jeneci pelas escutas de Larissa Mendes.
Prestigiemos:
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Leila Andrade
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Pitada de Pitacos do Carlos Verçosa - Tomo IV
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Pitada de pitacos
para a receita de Gustavo Felicissimo:“Dendê no haikai – Aspectos do
Haikai na Bahia”,
tese em andamento aumentativo
[Tomo IV]
Carlos Verçosa
“Os haikai são diferentes. Não têm dessa eloquência.
Sua eloquência é outra. É a eloquência de sugerir. De modo que uma simples leitura de nada vale. O essencial é senti-los, é escutar o eco dos três versos n’alma.” OLDEGAR VIEIRA (prefácio do livro “Folhas de Chá”, de 1940).
Na foto (de 1942), com a esposa
Edith e Paulo, primogênito).
MATSUO BASHÔ (1644-1694)
desenho de Yosa Buson,1716-1783
desenho de Yosa Buson,1716-1783
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“Folhas de Chá”, (1940), o livro de estreia de Oldegar Vieira,
teve capa e ilustrações da pintora estopim da bomba que explodira
no Modernismo, Anita Malfatti (1889-1964).
Eis algumas
daquelas primeiras ‘folhas de chá’,
entre luminosas e iluminadas, de Oldegar
Vieira:
Todas as
manhãs
meu
jasmineiro fragrante
cobre o
chão de flores…
A boca da
noite
Avançou na lua cheia;
Avançou na lua cheia;
um quarto
minguante.
Brutos
lenhadores!
Mas uma árvore pouparam.
Havia, nela, um ninho.
Mas uma árvore pouparam.
Havia, nela, um ninho.
A fogueira
branca
dos vagalumes
parece
um baile de
estrelas.
As sombras
se adensam
Mas a noite
é uma urupemba
peneirando estrelas…
Em revoadas
brancas
sobre os rochedos escuros,
gaivotas e espumas…
sobre os rochedos escuros,
gaivotas e espumas…
A cidade
dorme.
Só os cães
enfiam longos
uivos no
silêncio.
São os seus
cabelos
soltos no vento, ou um erradio
trapo da noite?
soltos no vento, ou um erradio
trapo da noite?
A noite se
empoa
com o
pom-pom da lua cheia
no espelho
do dique.
- Quem foi que apagou
a iluminação da rua?
a iluminação da rua?
– Um amigo da lua.
Imagine você
que Oldegar Vieira escreveu estes
haikais naquela Bahia acanhada dos anos 1930!
Devo registrar, também, que todos esses haikais, reunidos no
seu primeiro livro, eram, originalmente, encimados por títulos.
Mas, mais de uma vez, durante as entrevistas que fiz com
mestre Oldegar, ele próprio me
solicitou que, ao reproduzir qualquer dos seus haikais, eu deveria fazê-lo sem
o título.
O seu depoimento: “Prefiro assim. É o certo. Mas
naquela época toda poesia tinha de ter título. Como a gente não conhecia muito
o haikai, era comum fazer com título também. Só muito depois, estudando mais o
assunto, é que vim a descobrir que o haikai não deve ter título. No Japão é assim. Aqui também deve
ser assim. Ele amplia suas possibilidades de
encantamento e entendimento sem o título. O leitor participa mais do haikai”.
O engraçado é que, mais tarde, ele passou não a excluir, mas
a separar completamente os títulos dos seus haikais, de modo a permitir a
leitura como ela deve acontecer, sem forçar a barra.
Mesmo assim foi a força do hábito que imperou: ao incluir
minúsculos rodapés de página em corpo seis, Oldegar ainda estava a sugerir o que poderiam ser os títulos ou
identificações dos haikais, inclusive daqueles que traduzia (transcriava).
[Isso aconteceu inclusive no seu último livro de haikais, “Gravuras no vento” (1994), 54 anos
depois das primeiras “Folhas de Chá”]
Quando eu cobrei dele essa contradição, Oldegar Vieira ficou em silêncio por uns momentos e, em seguida,
sorrindo maliciosamente, sapecou: "É mesmo. Fica parecendo
faz-o-que-eu-digo-mas-não-faz-o-que-eu-faço… Mas não leve isso a sério não, é
hábito de poeta velho. Toda vez que eu cometer algum haikai com título, você
risca. Pronto.”
Devidamente
autorizado, passei a ignorá-los (os títulos) desde então (a partir de sua
transcrição em “Oku”).
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Mais haikais de Oldegar Vieira. O
primeiro deles recebeu ilustração especial de Anita Malfatti.
Bendizendo
a chuva,
dois
namorados juntinhos
sob um
guarda-chuva.
Em sombra
e silêncio
na imponente nave, a humilde
luz da lamparina.
na imponente nave, a humilde
luz da lamparina.
Particularmente, gosto muito de alguns haikais desse
autêntico haijin (poeta haikaista)
brasileiro, desde a primeira viagem.
O primeiro deles, transcrito abaixo, antecipa em 16 anos o
famoso poema do(s) galo(s) “Tecendo a
manhã” (1956), de João Cabral de Melo Neto:
Pouco a pouco, vai
o canto claro dos galos
clareando o dia.
o canto claro dos galos
clareando o dia.
Um velho coqueiro
interrogativamente
mira-se no rio…
interrogativamente
mira-se no rio…
***
No calor
da tarde
estão
parados os leques
das
carnaubeiras.
***
Cantam passarinhos
sobre as sepulturas. Penso
na vida ou na morte?
sobre as sepulturas. Penso
na vida ou na morte?
***
Os
mastros na noite
parecem
dedos que apontam
contando
as estrelas.
Uma borboleta!
O bastante para que
Se desfolhe a rosa.
O bastante para que
Se desfolhe a rosa.
Aliás, este último também foi destacado pelo poeta Manuel Bandeira (1886-1968) como um dos
“exemplares perfeitos do haikai entre
nós”.
Escrevendo sobre haikais (em crônicas elogiosas aos baianos Oldegar Vieira e Abel Pereira, publicadas em A
Manhã e Jornal do Brasil, 3 de
fevereiro de 1957), Bandeira
destacou a velha forma de poesia japonesa “levada
à sua perfeição por Bashô e seus
discípulos no século XVII”. Nesta crônica, Manuel
Bandeira – que se considerava “enamorado
do haikai” e também registra alguns na sua obra - cravou uma das melhores
definições que conheço sobre haikai (a do ‘milagre
da gota de água’, que está destacada na epígrafe deste tomo).
Manuel Bandeira ainda conservava os haikais de Oldegar Vieira numa estante especial, a dos livros da sua
preferência. Quando Oldegar o
visitou nos anos 1950 no apartamento da Esplanada do Castelo, no Rio de
Janeiro, Bandeira lhe disse que eram
os livros que estava “sempre lendo e
relendo e relendo, sempre”.
Palavras de Manuel
Bandeira ao ‘colega poeta menor’
baiano: “Oldegar,
gosto tanto de você que ‘Folhas de Chá” não sai daqui desta minha estante. O
seu livro tá aí, onde eu guardo os livros da minha predileção.”
Sobre a primeira edição de “Folhas de Chá”, ela foi viabilizada por iniciativa da revista Cadernos da Hora Presente, em São Paulo,
dirigida pelo jornalista Rui Arruda. “Ali foram publicados muitos moços
intelectuais da época, que se tornavam cada vez mais conhecidos, como Santiago Dantas, Miguel Reale, Tasso da
Silveira, entre outros”, conta Oldegar.
Os haikais do primeiro livro de Oldegar Vieira foram selecionados pelo jornalista Jorge Lacerda (1914-1958).
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[No jornal A Manhã, Jorge Lacerda foi responsável pelo
suplemento “Letras e Artes”, que
representou um marco importante na literatura brasileira. Mais tarde, nos anos
1950, ele seria governador de Santa Catarina.]
[Já o jornalista e
intelectual Rui Arruda tinha
dirigido o jornal A Razão, órgão de
imprensa do Partido Republicano Paulista (PRP), no início dos anos 1930 e as
revistas de cultura Panorama (1936) e
Cadernos da Hora Presente (a partir
de 1939). Eram revistas de matiz nacionalista e integralista, com a
participação de grande parte da intelectualidade brasileira daqueles anos.]
Oldegar Vieira revela que eles tinham
uma grande capacidade de distribuição e que, por isso, seu livro ficou
rapidamente conhecido em todo o Brasil: “Começaram a surgir críticas bastante
elogiosas do Rio Grande do Sul ao Pará”, conta.
Pois é: ao longo dos anos suas “Folhas de Chá” foram conquistando cada vez mais leitores, alguns
muito ilustres. Entre outros:
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Joaquim Ribeiro
(1907-1964): Uma das obras mais originais da poesia brasileira.
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Pedro Calmon
(1902-1985): Verdadeira e bela poesia.
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Leo Magnino (autor de “Liriche giapponese”, 1943): Refletem profundamente aquele
sentido oriental.
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Jorge Amado
(1912-2001): Que beleza!
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Malba Tahan
(1895-1974): São haikais realmente maravilhosos.
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Luiz da Câmara Cascudo (1898-1986): É livro claro e lindo!
Octavio de Faria (1908-1980): Clássico!
Alceu Amoroso Lima (1893-1983): Suas ‘Folhas de Chá’ nunca envelhecem.
Pois é. Muita gente boa participou sem cerimônia da leitura
destas “Folhas de Chá” perfumadas de
poesia haikai.
Na verdade, até o lançamento de “Folhas de Chá”, nenhum outro escritor tinha tocado este gênero
poético com tanta profundidade e maestria.
Daí, considerar que Oldegar
Vieira foi realmente o primeiro mestre haijin
(poeta de haikai) nascido no Brasil.
////// FIM DO TOMO IV //////
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