Por e-mail o compositor e escritor contesta postura de algumas colunas de O Globo. Na breve nota, Chico Buarque diz que “Em competições artísticas, o primeiro prêmio costuma carregar uma espécie de maldição. O que acontece com Leite derramado, aliás, é pinto, perto do que passamos no Maracanãzinho em 1968, Tom Jobim, eu e a nossa “Sabiá”. Não estou aqui para defender a excelência dos meus romances. Também já compreendi que, para muitos, é inconcebível que um cantor e compositor de música popular ganhe prêmios literários. Só me estranha que algumas recentes colunas de “O Globo” tenham voltado a questionar os critérios de premiação do Prêmio Jabuti, que a meu ver já foram esclarecidos há mais de um mês por Miguel Conde, nas páginas deste mesmo jornal”.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Quem não gosta de Chico Buarque?
Por Arnaldo
Bloch (O Globo)
Anúncio
de prêmio literário é que nem beisebol, ou Teoria da Relatividade. Mesmo que
alguém tente explicar as regras, é impossível entender, de fato, o que se
passa. Para opinar, eu deveria ter lido todos os livros inscritos. Vou me
abster de opinar sobre quem tem razão na briga em torno dos livros de Chico
Buarque e Edney Silvestre. Tanto o percurso narrativo de Leite derramado
(Companhia das Letras) quanto o painel histórico-memorialístico da alegoria
construída por Edney em Se eu fechar os olhos agora (Record) são trabalhos de
alta qualidade, recomendáveis a qualquer leitor. Sequer consigo estabelecer
minha preferência, são dois livros de que gosto muito. A tecnicalidade que
levou Sérgio Machado a berrar sua indignação em praça pública e a guerra que se
seguiu com seu colega Luiz Schwarcz se transformaram num fuzuê jornalístico
divertido de se acompanhar. Este fuzuê, porém, acabou ofuscando a apreciação de
um livro que esteve entre os finalistas de vários prêmios e não ganhou nenhum:
Pornopopéia (Objetiva), de Reinaldo Moraes. A cada prêmio que Pornopopéia não
conquistava, leitores suspiravam diante do sentido de absurdo aí contido e
lamentavam a falta de ousadia e de coragem dos jurados, ou dos critérios.
Reinaldo Moraes fala de Pornopopéia:
Marcadores:
Arnaldo Bloch,
Chico Buarque,
dney Silvestre,
O Globo,
Pornopopéia,
Reinaldo Moraes,
Sério Machado
Pólvora & Poesia
Henrique Wagner escreve sobre a peça de Fernando Guerreiro, montada a partir do premiado texto de Acides Nogueira sobre o romance entre Paul Verlaine e Arthur Rimbaud. Assista ao texto do HW; vá ler a peça...
Texto na íntegra:
http://www.expoart.com.br/artigos/?idt1=11&idt2=col&idt3=henrique_wagner_teatro
Marcadores:
alcides nogueira,
fernando guerreiro,
henrique wagner,
rimbaud,
verlaine
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Quarta canção para Flora
Sentado
à margem deste rio,
onde
me sinto um peregrino,
revejo
as nuvens no infinito
e
por instantes sou menino;
eu
solto pipa, jogo bola,
rodo
pião à espanhola;
e
como sou aquele infante
sentado
à margem deste rio,
em
meu olhar um diamante:
o
sorriso da minha filha
e
uma lágrima maltrapilha.
sábado, 4 de dezembro de 2010
5ª Semana de Rock & Poesia
Neste sábado, 04 de dezembro, às 20 horas, a Casa dos Artistas (Ilhéus) recebe o poeta George Pellegrini e, diferentemente do que estava previsto, a banda Dr. Imbira, não a Meu Amor & Uns Centavos que, infelizmente, sofreu baixas consideráveis e está impossibilitada de se apresentar. No programa, poemas pulsantes e canções pungentes para espantar os fantasmas da mesmice e da caretice renitente.
Semana que vem é a vez da Infected Minds e Rubem Garcia sacudirem as estruturas na última semana do evento, oportunidade em que também será lançada a 2ª Edição (revista e ampliada) de Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna.
Taí o convite: é rockear & poemar à vontade.
Aproveite, visite o blog do Diálogos: www.livrodialogos.blogspot.com
Marcadores:
Diálogos,
Dr. Imbira,
George Pellegrini,
Rock e Poesia,
rubem garcia
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Tá rebocado! Prêmio LeYa não terá vencedor
Faltam “promessas” na
literatura feita em língua portuguesa? Em 2008, foi criado o Prêmio LeYa para
justamente descobrir novos talentos. Ao vencedor é concedido o prêmio de R$ 100 mil
e ainda a oportunidade de publicar a obra. Na primeira edição, o brasileiro Murilo
Carvalho foi escolhido por seu romance “O rastro do jaguar”. Em 2009, o
vencedor foi o moçambicano João Paulo Borges Coelho, autor do então inédito “O
olho de Hertzog”. Mas neste ano não haverá vencedor. O júri surpreendeu a todos
ao anunciar que “perante originais que, apesar de algumas potencialidades, se
apresentam prejudicados por limitações na composição narrativa e por
fragilidades estilísticas, o Júri entendeu que as obras a concurso não
correspondem à importância e ao prestígio do Prémio LeYa no âmbito das
literaturas de língua portuguesa”. A decisão de pular o ano 2010 foi unânime e
o comunicado foi assinado por Manuel Alegre, Carlos Heitor Cony, Rita Chaves,
Lourenço do Rosário, Nuno Júdice, Pepetela e José Carlos Seabra Pereira.
A comissão
julgadora, ao tomar tal decisão, perdeu de vista que o prêmio é dedicado aos novos
talentos, compreendidos aí como escritores em formação, não escritores definitivamente
prontos para o mercado, como Cony ou Pepetela, por exemplo. E como tal, a obra escolhida poderia ainda ser
melhorada, ajustada pelo próprio autor a partir de uma avaliação criteriosa dos
ilustres membros da comissão julgadora, pois como a nota afirma, havia obras com “algumas
potencialidades”. Ignorar essas "potencialidades" não me parece a decisão mais sensata.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Pitada de Pitacos do Carlos Verçosa I I
Pitada de pitacos
para a receita de Gustavo Felicissimo:“Dendê no haikai – Aspectos do Haikai na Bahia”,
tese em andamento aumentativo
[Tomo II]
Carlos Verçosa
“Sempre
é o espírito que acerta,
o
espírito que mata. Pontaria
é um talento
todo na ideia."
GUIMARÃES ROSA (1908-1967)
[in Grande Sertão: Veredas]
“As
fontes da poesia são:
espontaneidade,
intuição
e
aperfeiçoamento espiritual.
Elas
se alcançam pela visão direta
e
não na projeção do ego
num bom
hokku.”
MATSUO BASHÔ (1644-1694)
Uns e Outros
Naturalmente, na Bahia, os primeiros
nomes importantes a serem lembrados para a viagem que você fará nesta quase
centenária estrada do haikai são os de Oldegar
Vieira (1915-2006) e Abel Pereira
(1908-2006), além do pioneiríssimo Afrânio
Peixoto (1876-1947).
Aqueles pelo elevado grau alcançado
em sua arte haikai, e, este, pelas entradas e bandeiras do haikai no Brasil e
nas Américas, demonstrando sua visão aguçada e avançada para o seu tempo.
Mas claro
que vale documentar, também, a existência de todos os demais autores que se
dedicaram ou que se dedicam ao haikai por aqui, ainda que esporadicamente.
Trata-se,
naturalmente, de uma lista incompleta, pois muitos são os apontamentos e
registros existentes, tanto de haikaistas confessos como daqueles que o
praticam sem sabê-lo ou que se aproximam do espírito haikai.
Daí, que irei citar, inicialmente, os primeiros nomes que me
ocorrem, prometendo enviar-lhe novas dicas sempre que as tiver da baianada.
Uns assim, outros assado. Não importa. O importante não é
apenas a seta no centro do alvo. Às vezes o tiro irregular do arqueiro é mais
importante por preservar a mosca.
[Na arte cavalheiresca do arqueiro das palavras precisas e
certeiras que vêm das minas gerais – e das veredas: grande sertão – a lição de
boa pontaria se justificava porque ali as flechas de chumbo eram atiradas com o
espírito.]
Vale o repeteco da sabedoria da epígrafe:
Outra flecha nonada do nosso maior
escritor:
"O silêncio, é a gente mesmo muito."
O nome da rosa dessa boa pontaria é teoria que só se consegue
na prática, na muita prática. Assim, também com o haikai.
[Aliás, acho que vale a pena lembrar: Guimarães Rosa foi também haikaista. E dos bons. Só não entrou na
primeira edição de “Oku – Viajando com
Bashô” porque não obtive autorização para tal.]
Explico. À época, 1995, tentei descolar uma cópia do primeiro
livro de Rosa, “Magma” (premiado no
concurso da Academia Brasileira de Letras em 1936).
Existiam,
confirmados, apenas três exemplares datilografados pelo autor – um deles em
mãos do escritor e bibliófilo carioca Plinio
Doyle (1906-2000).
[Era aquele que promovia os famosos Sabadoyles, reunindo escritores na sua casa todo sábado – entre doces e salgados – para molhar as palavras e jogar conversa fora junto às boas vibrações dos quase 30 mil livros, fascículos e raridades da sua biblioteca.]
Plinio Doyle me confirmou, para minha alegria, que
havia, realmente, uma seção específica de haikais no primeiro livro de Rosa – “Magma” – que, apesar de premiado pela
ABL em 1936, sua existência e ineditismo – lendário e mal justificado – eram um
mistério até então.
Porém – há
sempre um porém – Doyle alegou que,
por decisão dos familiares de Guimarães
Rosa, enquanto persistisse uma pendenga judicial entre a eles e a editora
(que pretendia incluir “Magma” na
obra roseana completa), nada do seu conteúdo poderia ser revelado.
Curiosidade
saciada, pesquisa que deu frutos, dica confirmada, mas, como deixar Rosa fora do livro?
Cheguei
mesmo a pensar em publicar haikais que eu havia ‘pescado’ na sua obra (ele
passou efetivamente a inseri-los no contexto da sua prosa poética já no estouro
da boiada das palavras de “Sagarana”),
mas desisti.
Resultado: “Oku” saiu sem a necessária presença de Guimarães Rosa entre os escritores
brasileiros identificados como haikaistas e, um ano depois (1997), pendenga
judicial acordada, eis “Magma”,
finalmente nas livrarias de todo o país.
O livro da poesia de estreia de Guimarães Rosa (publicado tardiamente, 41 anos depois, em 1967)
trazia todos os haikais que eu tinha escutado de Plinio Doyle pelo telefone e alguns mais.
Fiquei de bem com ele, que gostou e escreveu palavras
carinhosas sobre meu livro, mas de mal com os leitores de “Oku” pela omissão dessa informação importante. E, principalmente,
de mal comigo mesmo pela vacilada de não ter incluído pelo menos os haikais
roseanos identificados e dispersos nos seus demais livros.
[“Magma” foi, portanto, nas minhas
contas, o terceiro livro de haikais escrito no Brasil, considerando a
obra antecipatória de Afrânio Peixoto,
in “O ‘haikái’ japonês ou epigrama lírico
– Ensaio de naturalização” (revista Exselsior,
jan. 1928), reproduzida no livro “Missangas”
(1931) e a publicação do livro “Haikais”
(1933), do escritor paulista Waldomiro
Siqueira Jr.]
Olha aí
alguns haikais retirados das páginas magmas deste haikaista brasileiro
pioneiro, que foi o grande Guimarães
Rosa:
Turismo sentimental
Viajei
toda a Ásia
ao
alisar o dorso
da
minha gata angorá...
Imensidão
Cheiro
salgado
de
um cavalo suado.
Quem
galopa no mar?…
Romance - I
No
cinzeiro cheio
de
cigarros fumados,
os
restos de uma carta…
Turbulência
O
vento experimenta
o
que irá fazer
com
sua liberdade…
Mundo pequeno
O
albatroz prepara
breve
passeio
de
Pólo a Pólo…
Como quem procura
acha, basta mergulhar de cabeça na obra roseana, pois que há muitas sacadas,
aqui e ali, onde haikais nacarados estão incrustados na concha dos textos,
esperando só serem sacados para brilharem. Exemplos:
é
num minuto de segundo
que
a paineira branca
se
enfolha
*
um
vaga-lume
lanterneiro
que riscou
um
psiu de luz
*
Deitado
no chão, fofo de tantas chuvas
Acompanho
as pontas de cipó que oscilam,
O
respirar das folhas…
*
entre
as folhas
de
um livro-de-reza
um
amor perfeito cai
Isso aí. Como ensina esta rosa do Rosa:
“Atirei. Atiravam. Isso não
é isto?
Nonada. A aragem.”
Resumindo. O poeta traça o dô (caminho) do haikai pelas sendas que fazem o cotidiano e busca a
poesia na esperança de que seja simples, sensível, iluminada.
Mas, errante navegante, o poeta erra. Erra mais e mais, muito
mais, do que acerta. Há sempre uma pedra no meio do caminho do poeta.
Por isso, desconfiado das palavras que escreve – que não
conseguem transportar fielmente nem a natureza e nem própria sensibilidade
entre as pedras de sua trilha – ao poeta
resta apenas continuar praticando, continuar aprendendo. Experimentando
sempre.
Vale a tentativa. A procura da jóia do trigo em meio ao joio.
Algumas vezes, poucas vezes, brota um bom haikai no terreno
árido dessa longa estrada.
Mas o poeta não se apega a ele: sai logo em busca de outro.
De uns e outros.
////// C’EST FINI LE TOME II //////
Marcadores:
Carlos Verçosa,
guimarães rosa,
magma,
plinio doyle
Assinar:
Postagens (Atom)














