segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Convite para o lançamento da Tradução de "Mahâbhârata", nova obra de Edson Cruz


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Mahâbhârata, épico da literatura indiana, originalmente escrito em sânscrito, é uma obra imensa, que foi condensada pelo poeta Edson Cruz, como mais um título da Coleção Clássicos do Mundo, da Editora Paulinas. Livro reverenciado pelos indianos, nele estão os fundamentos filosóficos do hinduísmo. Texto precioso que trata de sentimentos e verdades universais e aponta, por meio de suas metáforas, o caminho para se viver uma vida iluminada.

Na versão de Cruz, Ganesha, o senhor dos obstáculos, é quem toma a pena e ‘molha as palavras’ para narrar o conflito entre Pândavas e Káuravas, cerne do enredo de Mahâbhârata (que significa a grande história dos Bhârata), em que duas famílias, se enfrentam em uma guerra cruel pela disputa do reino da Índia. O momento culminante da narrativa acontece quando o príncipe Arjuna, em um momento de hesitação e de tocante reflexão, confidencia ao avatar Krishna o desejo de abandonar o campo de batalha para evitar mortes de amigos e familiares. Krishna, que há muito tempo previra a queda dos Káuravas, convence Arjuna de que aquela guerra fazia parte do ‘destino’ do reino e não poderia ser evitada: “Não se pode escapar de praticar um ato que deva ser praticado e essa ação, com certeza, deixará sua marca latente.”

Intrigas, enganos, política, romances tudo se condensa em Mahâbhârata: os grandes descendentes de Bhârata, um livro em que reis, deuses, homens de boa e de má fé se encontram no palco da guerra que não apenas reivindica o poder, mas da guerra que lança luz à consciência daqueles que ainda se encontram na sombra.

Anasor, estudiosa e admiradora do livro sagrado indiano, por meio de suas ricas imagens rompendo em cores, apresenta uma leitura lúdica da narrativa, onde o palco da guerra é o picadeiro do circo, uma maneira sábia de observar as peripécias e aprendizados da vida.

Informações do autor e da ilustradora:

Edson Cruz, nascido em Ilhéus (BA), é poeta, editor e revisor. Desgraduou-se em muitas coisas e, atualmente, faz o curso de Letras na USP. Foi fundador e editor do site de literatura Cronópios e da revista literária Mnemozine. Lançou, em 2007, Sortilégio (poesias) e, como organizador, O que é poesia?. Participou de inúmeras antologias (entre elas Diálogos - Panorama da Nova Poesia Grapiúna) e escreve com frequência no blog http://sambaquis.blogspot.com

Anasor ed Searom é o pseudônimo de Rosana de Moraes, artista plástica paulistana, autodidata, que teve sua formação em museus e ateliês, em São Paulo. Suas obras estão presentes em coleções públicas e particulares de diversos países; suas pinturas ilustraram publicações de arte e poesia.

domingo, 28 de novembro de 2010

Aforismos sobre o amor - Hilton Valeriano


Nunca amamos o suficiente quando amamos o que desejamos.

*

No amor elevamos e rebaixamos o que desejamos.

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Nunca amamos o suficiente para não precisarmos odiar.

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Também destruímos ao amar.

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No amor pagamos tributo de nossos defeitos assim como de nossos melhores intentos.

Conheça o blog do Hilton Valeriano:

sábado, 27 de novembro de 2010

Provérbios do inferno - William Blake


William Blake por Thomas Phillips Cropped

A Prudência é uma velha solteirona, rica e feia, cortejada pela incapacidade.

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O tolo não vê a mesma árvore que o sábio

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As horas da tolice são medidas por ponteiros, mas as da sabedoria, não há relógio que as meça.

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Um morto não revida injúrias.

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A cisterna contém, a fonte transborda.

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Nunca a águia perdeu tanto tempo, como quando quis aprender com o corvo.

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Escuta a crítica dos imbecis. É um nobre elogio.

*

Seríamos tolos, se outros já não fossem.

Extraído de:
O casamento do céu e do inferno & outros escritos (L&PM)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Chegamos à 4ª semana do Rock & Poesia


Blues, Jazz, funk, rock, poemas líricos e incendiários é o que nos reserva o Rock & Poesia II deste sábado, dia 27, às 20h, na Casa dos Artistas, em Ilhéus.

Estarão se apresentado o poeta, e meu amigo, Heitor Brasileiro, os músicos Ricardo Maciel (guitarra) e convidados Cassiano Gatto (guitarra), Alexandre Bastos(contra-baixo) e Ricardo Matos (bateria), numa fusão bem dosada de poesia, blues, jazz, funk, contracenando  num  clima  rocker. Após apresentação a palavra é franqueada ao público, que terá oportunidade de interagir com os artistas. 

Veja programação completa
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A escrivã na cozinha

Só Deus pode dar nome à obra completa
— de nossa vida, explico — mas sugiro
Ao meio-dia, um rosal,
implica sol, calor, desejo de esponsais,
a mãe aflita com a festa,
pai orgulhoso de entregar sua filha
a moço tão escovado.
Nome é tão importante
quanto o jeito correto de se apresentar a entrevistas.
Melhor de barba feita e olho vivo,
ainda que por dentro
tenha a alma barbada e olhos de sono.
Sonhei com um forno desperdiçando calor,
eu querendo aproveitá-lo para torrar amendoim
e um pau roliço em brasa.
Explodiria se me obrigassem a caminhar por ele.
Ninguém me tortura, pois desmaio antes.
A beleza transfixa,
as palavras cansam porque não alcançam,
e preciso de muitas para dizer uma só.
Tão grande meu orgulho, parece mais
o de um ser divino em formação.
Neurônios não explicam nada.
Psicólogos só acertam se me ordenam:
Avia-te para sofrer — conselho pra distraídos—,
cristãos já sabem ao nascer
que este vale é de lágrimas.

Adélia Prado
Extraído de “A duração do dia"
(Editora Record, 2010, pág. 25)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os 40 anos da pedra no meio do caminho


Para marcar os 40 anos do poema “No meio do caminho”, Carlos Drummond de Andrade publicou, em 1967, o livro “Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema”, no qual reuniu uma ampla seleção com o que foi dito sobre os famosos versos. O Instituto Moreira Salles lança hoje (24), às 19h30, uma nova edição do livro concebido pelo próprio Drummond, ampliada pelo também poeta Eucanaã Ferraz.

Uma pedra no meio do caminho – Uma biografia de um poema
(Instituto Moreira Salles, 344 pp., R$ 50)