domingo, 28 de novembro de 2010

Aforismos sobre o amor - Hilton Valeriano


Nunca amamos o suficiente quando amamos o que desejamos.

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No amor elevamos e rebaixamos o que desejamos.

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Nunca amamos o suficiente para não precisarmos odiar.

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Também destruímos ao amar.

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No amor pagamos tributo de nossos defeitos assim como de nossos melhores intentos.

Conheça o blog do Hilton Valeriano:

sábado, 27 de novembro de 2010

Provérbios do inferno - William Blake


William Blake por Thomas Phillips Cropped

A Prudência é uma velha solteirona, rica e feia, cortejada pela incapacidade.

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O tolo não vê a mesma árvore que o sábio

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As horas da tolice são medidas por ponteiros, mas as da sabedoria, não há relógio que as meça.

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Um morto não revida injúrias.

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A cisterna contém, a fonte transborda.

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Nunca a águia perdeu tanto tempo, como quando quis aprender com o corvo.

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Escuta a crítica dos imbecis. É um nobre elogio.

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Seríamos tolos, se outros já não fossem.

Extraído de:
O casamento do céu e do inferno & outros escritos (L&PM)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Chegamos à 4ª semana do Rock & Poesia


Blues, Jazz, funk, rock, poemas líricos e incendiários é o que nos reserva o Rock & Poesia II deste sábado, dia 27, às 20h, na Casa dos Artistas, em Ilhéus.

Estarão se apresentado o poeta, e meu amigo, Heitor Brasileiro, os músicos Ricardo Maciel (guitarra) e convidados Cassiano Gatto (guitarra), Alexandre Bastos(contra-baixo) e Ricardo Matos (bateria), numa fusão bem dosada de poesia, blues, jazz, funk, contracenando  num  clima  rocker. Após apresentação a palavra é franqueada ao público, que terá oportunidade de interagir com os artistas. 

Veja programação completa
clique na imagem para vê-la maior

A escrivã na cozinha

Só Deus pode dar nome à obra completa
— de nossa vida, explico — mas sugiro
Ao meio-dia, um rosal,
implica sol, calor, desejo de esponsais,
a mãe aflita com a festa,
pai orgulhoso de entregar sua filha
a moço tão escovado.
Nome é tão importante
quanto o jeito correto de se apresentar a entrevistas.
Melhor de barba feita e olho vivo,
ainda que por dentro
tenha a alma barbada e olhos de sono.
Sonhei com um forno desperdiçando calor,
eu querendo aproveitá-lo para torrar amendoim
e um pau roliço em brasa.
Explodiria se me obrigassem a caminhar por ele.
Ninguém me tortura, pois desmaio antes.
A beleza transfixa,
as palavras cansam porque não alcançam,
e preciso de muitas para dizer uma só.
Tão grande meu orgulho, parece mais
o de um ser divino em formação.
Neurônios não explicam nada.
Psicólogos só acertam se me ordenam:
Avia-te para sofrer — conselho pra distraídos—,
cristãos já sabem ao nascer
que este vale é de lágrimas.

Adélia Prado
Extraído de “A duração do dia"
(Editora Record, 2010, pág. 25)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os 40 anos da pedra no meio do caminho


Para marcar os 40 anos do poema “No meio do caminho”, Carlos Drummond de Andrade publicou, em 1967, o livro “Uma pedra no meio do caminho – Biografia de um poema”, no qual reuniu uma ampla seleção com o que foi dito sobre os famosos versos. O Instituto Moreira Salles lança hoje (24), às 19h30, uma nova edição do livro concebido pelo próprio Drummond, ampliada pelo também poeta Eucanaã Ferraz.

Uma pedra no meio do caminho – Uma biografia de um poema
(Instituto Moreira Salles, 344 pp., R$ 50)

Ariano Suassuna no Correio das Artes


Recebi hoje, do Astier Basílio, a versão impressa da edição de outubro do Correio da Artes, publicação da qual é o editor. Especialíssima edição, pois tem como entrevistado e, ao mesmo tempo homenageado, uma das montanhas do nosso tempo: Ariano Suassuna. Imperdível!
A edição ainda traz o prosseguimento do ensaio de Hildeberto Barbosa Filho sobre as relações do escritor contemporâneo com o regionalismo; um texto de João Batista de Brito sobre o filme “Testemunha de acusação”, do ótimo Billy Wilder; a coluna Cybercultura, do  antenadíssimo Edson Cruz e muitíssimo mais.

Inóspita Claridade


Eu faço versos por viver na poesia
todo universo do real e do abstrato,
feito um menino que contempla a fantasia
enquanto bárbaros renegam seu retrato.

Eu faço versos porque vejo a claridade
do novo tempo que está prestes a nascer,
quando irmanados e distante a falsidade
a humanidade poderá se conhecer.

Verá sua face no sorriso da criança,
em cada gesto de modéstia ou de virtude:
no seu semblante verá toda plenitude.

Verá que a luz se faz presente e a esperança,
palavra viva, vem somar-se à liberdade,
reconduzida ao seu lugar, junto à verdade. 


Gustavo Felicíssimo