sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Polêmica: Record não participa mais do Jabuti


Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o Grupo Editorial Record não vai mais participar do Prêmio Jabuti de literatura para "não compactuar com uma comédia de erros", segundo Sergio Machado, presidente da empresa. Ele não se conforma com o fato de Leite derramado, de Chico Buarque, ter sido agraciado como livro de ficção do ano na categoria romance. "O Jabuti virou um concurso de beleza, com critérios de programas como os de Faustão e Silvio Santos", diz. O grupo enviou correspondência ontem à Câmara Brasileira do Livro, organizadora do prêmio, dizendo ainda que a premiação deste ano foi "pautada por critérios políticos, sejam da grande política nacional, sejam da pequena política do setor livreiro-editorial". Procurada, a CBL não se manifestou.

Pirataria literária


Ser pirateado talvez seja o maior desejo da imensa maioria dos escritores, quase todos ávidos por popularidade. No Brasil, os casos mais clássicos são os serviços de fotocópias nas universidades. Entretanto, no Peru e na Argentina a coisa está indo um pouco mais longe.
Segundo o Valor Econômico do último dia 09, a polícia peruana apreendeu em um único fim de semana cerca de 1,3 mil cópias piratas do último livro de Mario Vargas Llosa, O sonho do celta. As cópias dos livros, que originalmente são editados pela Alfaguara, eram vendidos nas ruas de Lima por cerca de US$ 8. A apreensão causou surpresa entre as autoridades, já que não é comum encontrar versões pirateadas de obras literárias.
Já na Argentina, segundo a BBC Brasil, a pirataria literária está cada vez mais sofisticada e preocupa a indústria de livros do país. "É um fenômeno que está crescendo. Talvez não seja tão visível como é no Peru, onde a economia informal é intensa. Mas a pirataria de livros está crescendo na Argentina e também no Chile", disse à BBC Brasil o porta-voz da editora Santillana, Augusto di Marco. Segundo ele, os falsificadores estariam explorando brechas nas leis argentinas e chilenas – mais duras com a pirataria do que as de outros países sul-americanos – para ampliar seus negócios. Especula-se no setor editorial que esta produção regional poderia chegar a 10% ou 15% do volume da indústria de livros. Os livros falsificados são vendidos no varejo até 50% mais baratos do que cópias oficiais.
É evidente que a indústria do livro precisa se preocupar, defender seus interesses, já os escritores, nem tanto, pois a pirataria assim como a internet, ao que parece, hoje é capaz de popularidade a quem há pouco tempo não passava de mais um na multidão.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nuvens de Iowa


Acabo de receber uma correspondência do poeta e tradutor José Lira, do Recife, com algumas publicações muito bacanas, todas elas em livretos no formato de Cordel, embora com papel de boa qualidade e ótima apresentação gráfica. Chamou-me a atenção a sua tradução (que me parece estar mais para uma paráfrase) de O Corvo, de Edgar Allan Poe, e de Nuvens de Iowa, onde estão alguns haikais (ou tercetos como querem alguns) do Jack Kerouac publicados em Book of Haikus.
A seguir, alguns dos mais interessantes:

Nuvens de Iowa,
Uma seguindo a outra
À eternidade

***

Se pego o mesmo
Ou diferentes caminhos
Lá vai a lua

***

Neva no bairro –
O carteiro e o poeta
Caminhando

Da assessoria de imprensa de Oswaldo Montenegro


A respeito da publicação da nota na coluna de Ancelmo Goes (O Globo - 03/11/10) afirmando que Oswaldo Montenegro teria plagiado Ferreira Gullar, segue, abaixo, e-mail da editora deste último, Editora José Olympio, com as datas das publicações do poema "Traduzir-se".
Com isso, deixamos claro, e em caráter oficial, que "Metade", de Oswaldo Montenegro, não é plágio do "Traduzir-se", de Ferreira Gullar, pois o poema de Gullar foi publicado pela primeira vez em 1980 no livro Vertigens do Dia, portanto cinco anos após a publicação do "Metade", de Montenegro.

Esperamos, assim, esclarecer em definitivo essa desagradável e constrangedora confusão.

Att,
Kamila Pistori
Assessoria de Imprensa - Oswaldo Montenegro

***

Olá, Kamila.
Fizemos a pesquisa e a 1ª edição de Na vertigem do dia, foi publicada em 1980, pela Civilização Brasileira. A 1ª edição de Toda poesia, também foi publicada pela Civilização Brasileira, em 1980. Na vertigem do dia faz parte de Toda poesia a partir de 1987, já pela José Olympio.

Espero ter ajudado.

Cordialmente,
Soraya Araujo
Editora José Olympio

Ferreira Gullar X Oswaldo Montenegro

O jornalista Ancelmo Góis, em O Globo do último dia 03, levanta uma questão sobre plágio que é muito interessante e relativamente pouco conhecida. O entrevero se dá entre Ferreira Gullar e Oswaldo Montenegro. Segundo Ancelmo, Oswaldo Montenegro rebate acusação de Ferreira Gullar, de que a letra de sua música “Metade” é um plágio de “Traduzir-se”, poema que ficou nacionalmente conhecido após ser musicado por Fagner. “Esta confusão acontece há tempos. As duas obras são completamente distintas, embora abordem, ambas, a dualidade humana”, diz Montenegro. Gullar, como se sabe, não pensa assim.
Abaixo, poema e letra da música. Que acha o leitor?

Traduzir-se
Ferreira Gullar


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.


Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.


Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.


Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.


Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?



Metade
Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.


Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.


Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.


Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.


Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cinema e poesia nas terras de Adonias Filho

Com apoio do Minc, o Cineclube Afai, de Itajuípe, nesta sexta-feira e sábado apresenta a Mostra Especial Edgard Navarro, no Casarão da Praça, onde residiu o incomparável Adonias Filho. Na programação, a filmografia completa do autor de "Eu me Lembro", obra autobiográfica que assisti algumas vezes e recomendo.

Para Navarro, que é baiano de Salvador, fazer cinema “é algo quase religioso, uma necessidade visceral de sobrevivência”. Nascido em 1949, iniciou no cinema em 1976, com o curta “Alice no país das mil novilhas”, realizado no formato super-8, com o qual faz mais quatro filmes até 1981. Valendo-se da paródia explicitada nos títulos de algumas obras, os filmes dessa época caracterizam-se pela irreverência e por um humor iconoclasta, cáustico e provocativo.

No momento Navarro está finalizando o seu segundo longa, “O Homem Que Não Dormia”, gravado na cidade de Igatu, interior do estado da Bahia. E o Canal Brasil prepara um filme sobre sua vida e obra com direção de André Luiz Oliveira, diretor de "Meteorango Kid".

A organização do evento também está preparando um sarau que acontecerá no sábado, às 16 horas, do qual participarei lançando Silêncios e fazendo parte de um bate-papo com Rita Santana e George Pellegrini.

Veja a programação completa:

clique na imagem para vê-la maior

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chico Buarque leva o Prêmio Portugal Telecom

Chico Buarque ganhou seu segundo prêmio literário em menos de uma semana. E, mais uma vez, foi recebê-lo. “Leite derramado” foi escolhido pelo júri como o melhor livro em língua portuguesa lançado em 2009. Nesta segunda-feira (8), durante o anúncio dos vencedores em São Paulo, ele disse que mesmo 20 anos depois de ter lançado seu primeiro livro, e com três dos quatro premiados, muitos ainda o consideram amador. Para ele, isso é natural. “As pessoas, muitas vezes, leem um livro de ficção sem dissociar o narrador da pessoa pública. Tem essa coisa que contamina a leitura e fica uma certa prevenção contra o escritor que não é escritor em tempo integral porque ele faz isso como um hobby”, comentou. Rodrigo Lacerda, autor de “Outra vida”, foi o segundo colocado, e Armando Freitas Filho, com “Lar”, ficou em terceiro.

Fonte:
PublishNews - 09/11/2010

Uma postagem puxa outra

Agora o poeta e blogueiro Henrique Pimenta, de Campo Grande (MS), me envia mensagem mostrando um seu haikai escrito há algum tempo com o mesmo motivo:

Os pássaros sabem
de cor, ou eles inventam
essa partitura?

Enfim, são poetas e músicos de lugares e tempos distintos inspirados pelo mesmo tema, ou seria partitura?

Blog do Henrique Pimenta:

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pássaros nos fios inspiram haikai e música


O amigo e mestre Carlos Verçosa, comprometido e juramentado (em mesa de bar) a colaborar com este blog uma vez por semana, me envia o vídeo abaixo se dizendo desconfiando de que eu gostaria dele. Ele também adianta que o haikaísta Oldegar Vieira havia se antecipado em pelo menos 70 anos ao músico, cunhando o seguinte haikai:

Pentagrama vivo:
cantam passarinhos
nos fios telegráficos
      
Este haikai foi publicado no livro "Folhas de Chá" (1940). Oldegar Vieira viria refazê-lo na segunda edição, 36 anos depois:
      
Semifusas, fusas...
Andorinhas eletrônicas
nas pautas dos fios

Assistam ao vídeo