quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Virada Cultural de Ilhéus

A Virada Cultural, realizada com grande sucesso nas principais capitais do País, reunindo artistas de diferentes segmentos, serve de referência para Ilhéus, que hoje, 04 de novembro, a partir das 18 horas, em frente ao Teatro Municipal, até as 22 horas de amanhã, 05, Dia Nacional da Cultura, realizará também a sua. Serão 30 horas de atividades ininterruptas de atividades culturais.

Na cidade, a programação terá a participação de cantores e bandas de estilos variados. Do rock à MPB, passando pelos grupos afros, reggae e rap. Haverá também visitas abertas às casas de cultura, galerias e museus, além de atividades literárias, teatrais e cinema nacional.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meu amigo Ildásio - João Ubaldo Ribeiro lembra Ildásio Tavares

Depois dos quarenta, mais ou menos, a gente dificilmente faz amigos. Faz companheiros, aliados, cúmplices, sócios, correligionários, o que lá for, mas amigos mesmo, desses que conhecem a alma da gente, desses com quem às vezes a gente conversa sem precisar falar, desses que, mesmo sem nos dar razão, ficam do nosso lado, desses que carregam com eles lances fundamentais de nossa história, amigos que se abraçam com calor depois de uma longa ausência, amigos com quem se quer partilhar todas as alegrias, nossas e deles, amigos de raiz, esses amigos se fazem ainda cedo. A vida afasta alguns, talvez muitos, mas os que permanecem são suficientes para provar o valor supremo da amizade, o sentimento mais nobre que podemos abrigar.

Quanto mais velhos ficamos, menos desses amigos fazemos e mais nos reaproximamos dos antigos. Com a idade se vão as ilusões que nos arrebatavam na juventude, juntam-se os desenganos, brota um certo cinismo tido na conta de sabedoria, cresce talvez o ceticismo quanto à natureza humana. E fazer uma nova amizade dá muito trabalho, não é uma empresa simples, enquanto os dois candidatos a amigos passam um ao outro o seu perfil e a biografia que querem ter, se familiarizam com a personalidade de cada um, decidem sobre concessões mútuas e, enfim, se entregam a um período de sintonia que frequentemente não se completa, dá mesmo muito trabalho.

Também quanto mais velhos ficamos, vamos compreendendo com maior vividez como os amigos são importantes, muito mais importantes do que imaginávamos antes. Os amigos compõem a nossa identidade, quem entende nossos amigos nos entende um pouco, quem conhece nossos amigos nos conhece um pouco. Somos vistos e avaliados não apenas pelo que temos de individual, mas também pelo que nossos amigos nos acrescentam, até porque aprendemos com eles, e eles conosco. E, a par disso, como é bom contar com um interlocutor que nos ouve e quer genuinamente o nosso bem, que desperta em nós o que de melhor temos, que nos traz lembranças alegres e cuja convivência nos deixa um pouco mais em paz com a vida, e nos torna a existência menos solitária. Como, por tudo isso, são raros e preciosos os amigos, mais raros e mais preciosos a cada instante.

Quando morre um amigo assim, morremos também um pouco. Por ser lugar-comum, não deixa de ser verdade. Acabo de morrer um pouco, acabo de morrer bastante, porque morreu meu amigo Ildásio Marques Tavares, de quem jamais vou deixar de sentir grande saudade e cuja memória procurarei sempre honrar. As amizades não se explicam, acontecem espontaneamente e amadurecem com o convívio. Minha amizade com Ildásio veio de afinidades descobertas desde a adolescência e se fortaleceu ao longo dos anos, culminando em compadragem, porque ele me convidou para batizar seu filho Gil Vicente. Lemos juntos, escrevemos juntos, fizemos farras juntos, viramos noites estudando juntos, aprontamos happenings juntos, juntos reformamos o Brasil e o mundo. Sua memória certeira guardava praticamente todos os momentos dessa convivência — e tudo agora lá se foi, lá me fui eu também um pouco, a recuperação é impossível.

Perda pessoal muita dura de enfrentar, é difícil estimar sua extensão, o vazio que vai deixar. Só sei que uma grande referência minha desaparece, uma das mais importantes, desde que Glauber morreu. Ildásio não tinha nada a ver com Glauber, mas com ambos eu podia aparecer de peito aberto, mostrar fraqueza, pedir palpite, conversar desguarnecido, abrir segredos. E ambos seguraram minha barra, quando enfrentei vicissitudes para as quais não estava preparado, me acudiram quando precisei de força. Até hoje não me habituei à ausência de Glauber e sei que não vou habituar-me à ausência de Ildásio, o mundo ficou desfalcado.

E a Bahia também ficou desfalcada. Ildásio era um intelectual superior, conhecedor íntimo do ofício das letras, de senso crítico aguçado e erudito. Talvez isso não se percebesse com facilidade, por trás de seu comportamento muitas vezes desabusado, sua poesia satírica (de magnífica qualidade e da qual nem amigos como eu escapavam), seus modos informais e irreverentes. Escritor de cultura sólida, ensaísta informado e sensível, poeta laureado, meu compadre Ildásio era, além disso, um homem bom, de belos sentimentos e apego a causas nobres. E, para mim, sobretudo um velho amigo de fé, um grande amigo, insubstituível amigo, querido amigo, saudoso amigo, que Deus o tenha em Sua glória.

Publicada: 03/11/2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ENTREVISTA COM ILDÁSIO TAVARES

É possível que essa tenha sido a última entrevista concedida por Ildásio Tavares. É a primeira vez que a publico na íntegra.
1940 - 2010
GUSTAVO FELICÍSSIMO - Fazer poesia, atualmente, tem sido o mesmo que tirar de onde está vazio e colocar onde está cheio?
ILDÁSIO TAVARES – Eu diria que sempre foi muito mais perceber o vazio para tentar alcançar plenitude. A graça está na tentativa.

GFNa lírica moderna o poeta passou a cantar a própria poesia em oposição à realidade opressora do nosso tempo. Como você analisa tal fato?
IT – Sempre foi assim. Contudo, em nossa época, o poeta sofre uma crise tão forte de identidade ante um sistema esmagador que, às vezes, cantar sabe a um grito no escuro.

GF – E o que, na sua ótica, justifica esse grito?
IT – A total necessidade de expressão do indivíduo amordaçado pelo sistema.

GFÉ possível que a falta de critério no uso do verso livre esteja proporcionando a retoma do estudo da versificação por parte dos novos escritores ou você acha que essa é uma condição cíclica?
IT – Eu precisaria ter mais dados para fazer uma avaliação. Todavia este é um processo dialético, o esvaziamento de um conduz a valorização do outro. O verso medido nunca saiu de cena, nem em 22, mais tarde Vinicius e, com ênfase em 45. Cada período tem seu verso medido, tem seu verso livre. E precisa achá-los. Achar a dicção do seu tempo. O decassílabo de Camões e o de Carlos Falck, ambos têm dez sílabas métricas. Mas são dois versos diferentes.

GF – Por falar em 22, o que o modernismo trouxe de colaboração à poesia e aos poetas brasileiros?
IT – 22, por um lado, trouxe um maior sentido de liberdade e de brasilidade a uma poesia que tendia para cair na camisa de força e por outro lado a imitar apenas os modelos estrangeiros. Contudo, 22 prestou um desserviço à poesia brasileira que a partir da liberdade caiu, muitas vezes, na permissividade e no vulgarismo.

GFVocê já afirmou que acha mais difícil criar um poema com versos livres que um poema dentro da métrica, por quê?
IT – Por que a métrica te dá um parâmetro, uma referência fixa, um modelo estrutural para você preencher. Para o verso livre, você tem que criar este modelo estrutural. Enquanto para um você tem uma métrica geral pré-estabelecida para o outro você tem que criar uma métrica particular para cada poema. Muitos poetas quebram a cara aí porque pensam que o verso livre é anárquico ou prosaico. Não, você pode fazer arte do caos, mas não fazer caos da arte. O verso é livre, não caótico ou frouxo.

GFVocê está otimista quanto ao futuro da poesia feita no Brasil e na Bahia em particular?
IT – Nem otimista nem pessimista. Realista. Oropa, França e Bahia, sempre haverá bons e maus poetas. Difícil é a má poesia grassar como um todo. Vai sempre aparecer uma luzinha brilhando.

GFExiste algo na literatura que o tem deixado feliz?
IT – A maior capacidade, de certo tempo pra cá, de realizar o poema do jeito exato que eu queria. Não me preocupo se o poema é bom ou ruim, se vão gostar ou não, é aquela sensação de que eu consegui colocar no papel exatamente o que eu concebi como poema, um ser, um animal, um bicho novo, me olhando ali no papel, É muito gratificante. Tenho poemas assim há mais de 20 anos na gaveta.

GFPra terminar. Apesar de ter nascido aqui na região cacaueira, muito cedo você foi morar em Salvador. Você se sente grapiúna?
IT – Sempre disse que antes de ser baiano sou grapiúna. Ilhéus é a minha capital. Meu umbigo está enterrado em Gongogi, na Fazenda São Carlos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Uma notícia indesejada: Faleceu hoje, 31 de outubro, o poeta Ildásio Tavares

Acabo de receber a notícia por intermédio de Maria da Conceição Paranhos. Acompanhei o drama de Ildásio desde o lançamento de Silêncios, em Salvador, quando estive com Gil Vicente, seu filho, que me falou da sensível situação em que o poeta se encontrava.
Para mim é difícil imaginar a situação, pois em menos de um ano estive com Ildásio em três oportunidades, duas delas falando sobre sua poesia: uma na Academia de Letras da Bahia, a outra no evento em homenagem aos seus 70 anos, ambos em Salvador. Ainda em outra oportunidade, durante o colóquio Bahia de Todas as Letras, para o qual consegui trazê-lo a Ilhéus, onde fez uma conferência sobre literatura baiana. Em todas as oportunidades ele se mostrava bem e disposto, lúcido e falante como sempre.
Muito se falará no meio literário Brasileiro sobre sua importância e contribuições, sobretudo como poeta, ensaísta e tradutor. Para mim ficará, acima de tudo isso, a importância do homem, do mestre e do amigo, me auxiliando sempre nos estudos, pelo menos durante os últimos três anos.
Deixo para o leitor o artigo que escrevi para o Encontro Literário da Academia de Letras da Bahia sobre a poesia de Ildásio, provavelmente a figura mais importante da poesia baiana do século que passou.

Ildásio Tavares: existência consagrada à poesia

É impossível ater-se à história da literatura baiana no Século XX sem se dedicar demoradamente a Ildásio Tavares. É tão vasta a sua obra, sua formação e suas incursões literárias que seria inviável e extravagante, no curto espaço que temos, discorrer sobre essa questão.
Mas vale lembrar que aos nove anos de idade Ildásio já tinha lido toda a obra infantil de Monteiro Lobato, que antes do ginásio era fluente em latim, francês e inglês. Formado em Direito e Letras pela UFBA, tem Mestrado cursado na Southern Illinois University, USA, em 1971; Doutorado em Língua Portuguesa na UFRJ, em 1984; e Pós-Doutorado na Universidade de Lisboa, com bolsa do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1990.
Como literatura não se faz com nomes nem com títulos, ao seu agente sempre é exigido produção, renovação ou silêncio, como é o caso de muitos escritores que não passaram de um par de livros, ou até mesmo de um único, o que não o impede de ter a obra reconhecida e valorizada, como é o caso de Sosígenes Costa, grapiúna como Ildásio, falecido em 1968 com apenas um livro publicado.
Esse, certamente, não foi o caso de Ildásio Tavares que estreia na poesia no ano de 1967, com poemas inseridos na antologia “Moderna Poesia Bahiana”. Seu primeiro livro veio ao público em 1968, com “Somente Canto”, a esse seguem-se outros, entre os quais se destacam: “Tapete do Tempo”, 1980; “IX Sonetos da Inconfidência”, 1997; e o moderno “Odes Brasileiras”, de 1999.
Talvez o próprio vate não se dê conta, mas também podemos acrescentar à sua biografia a importante e valorosa contribuição que dá ao futuro da poesia brasileira ao abrir, generosamente, as portas da sua casa aos jovens escritores baianos que para lá marcham semanalmente em busca de um papo agradável e, principalmente, conselhos sobre seus escritos.
 Ali, na varanda da casa, na espaçosa sala de visitas ou no escritório repleto de livros e correspondências, tendo ao fundo o mar de Itapuã, muita gente ouviu Ildásio falar sobre a arte de escrever. Ali, sob sua pena severa, porque severa é a poesia, muita gente aprendeu a escandir um verso, muita gente ouviu falar pela primeira vez em soneto, redondilha, ode ou terça rima. Ali, muitos livros, poemas, poetas e críticos foram estudados à exaustão.

No dizer de Jorge Luis Borges um livro somente merece ser lido se for capaz de entreter. Foi dessa forma, me entretendo, dando inúmeras gargalhadas, literalmente, que li ainda no original o livro mais recente de Ildásio Tavares, “As Flores do Caos”, 2009, vencedor do prêmio literário do Pen Clube de Portugal em 2010, uma obra que reúne sonetos selecionados pelo autor, frutos de uma vida inteira dedica à arte, especialmente à poesia. Entre eles estão os IX Sonetos da Inconfidência, escolhidos para esse encontro.
Em meio a tão bons poemas, cada leitor acaba tendo o seu preferido. Certo mesmo é que tudo gira em torno de personagens importantes da Inconfidência Mineira. Esses personagens se transformam em símbolos, e as composições em versos decassílabos, com grande versatilidade e muita inventividade.
Sentia-me feliz ao descobrir em cada poema uma variação métrica própria, a forma como o poeta desloca a cesura dos versos sem perder a musicalidade. Aqui o de Arte Maior, ali o Sáfico, o Heróico. Vemos a estrutura do poema cedendo ao impulso da emoção.
O destaque maior fica por conta do poema III, O Alferes. Trata-se de um grito zombeteiro, apesar de angustiado, de Joaquim José da Silva Xavier, dentista e militar de baixa patente que ficou sendo o símbolo maior do movimento. Enforcado, teve seu corpo esquartejado e seus pedaços exibidos em lugares onde pregou ideais de liberdade. O alferes no primeiro quarteto: Meu coração é um arsenal de horrores/ e dores que atropelam meu país./ Gargalha, puta! Zomba, meretriz!/ O dia há de chegar dos teus senhores.
Fábio Lucas, um dos mais importantes críticos e conferencistas internacionais de literatura brasileira, unanimemente apontado como um dos críticos literários mais importantes do Brasil, reportou-se sobre estes poemas dizendo que O trabalho de Ildásio Tavares vai além do divertimento semântico. Sob pretexto de celebrar personagens de nossa história, constrói sonetos carregados de sentido, mensagens plurivocais, pejadas de palavras explosivas, pois, no curso da sonora abundância, se atiram além das idéias, como uma carruagem iluminada na escuridão da noite.

Em “O canto do homem cotidiano”, 1977, a poesia de Ildásio Tavares estabelece uma lírica que quer se esquivar da realidade opressora do nosso tempo, sem, contudo, deixar de reconhecê-la, como faz no poema que dá título ao livro: Eu canto o homem vulgar, desconhecido/ Da imprensa, do sucesso, da evidência/ O herói da rotina,/ O rei do pijama,/ O magnata/ Do décimo terceiro mês,/ O play-boy das mariposas/ O imperador da contabilidade.” (...) “Mas que, na frustração cotidiana,/ Vai encontrando aos poucos sua glória/ Por isso eu canto a luta sem memória/ Desse homem que perde, e não se ufana/ De no rosário de derrotas várias/ E de omissões, e condições precárias/ Poder contar com uma só vitória/ Que não se exprime nas mentiras tantas/ Espirradas sem medo das gargantas/ Mas sim no que ele vence sem saber/ E não se orgulha, campeão na história/ Da eterna luta de sobreviver.

Este é o homem que encontramos nas ruas, nos bares, nas praças, nos bancos. Homens que jogam bola, capoeira, dama, dominó. São profissionais autônomos, empregados no comércio, na indústria e funcionários públicos. Todos estes, matéria prima para a lírica moderna, onde o poeta canta a própria existência em confronto à realidade opressora do nosso tempo. Perguntado sobre essa questão em uma entrevista que nos concedeu o poeta responde que sempre foi assim. Contudo, em nossa época, o poeta sofre uma crise tão forte de identidade ante um sistema esmagador que, às vezes, cantar sabe a um grito no escuro.
Ciente que o tempo do artista difere do tempo do homem comum, o poeta abre mão das cronologias para privilegiar o seu tempo interior e mostra-nos uma alma que difere do mundo circunstante. Alheia às necessidades humanas, a poesia insiste em colocar o inexistente acima do existente. No poema O meu tempo (infelizmente fora do rol que nos foi passado), do qual trazemos aqui apenas um fragmento, ele nos mostra tal implicação com clareza:

Não existe hora certa, existe o meu relógio,
Lembrando sempre com seu tic-tac
Que há vida
Para ser vivida,
Que houve a vida
Que não se viveu.
Não importa que o rádio renitente ruja
São tal hora e tal minuto,
Hora oficial,
Afinal,
Que há de oficial em minha vida?

Se O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada, como afiança Cora Coralina, então, povoada de momentos de uma história construída pelos trajetos que vem percorrendo, de análises teóricas dos autores, de poetas, de músicos, enfim, o cotidiano presente, da religiosidade, ilustrando o acadêmico, o conhecimento e as ideias, o cognitivo e o afetivo, o singular no plural, o universal no particular, com inventividade e ironia, a obra de Ildásio Tavares, pode-se dizer, tem as qualidades necessárias para, por certo, ser considerada uma obra importante.
Podemos afirmar que o substrato da sua poesia está em uma determinada concepção onde o criador se constrói ao se relacionar com o mundo concreto, como observamos também no poema Restos, onde ao estabelecer relações e interações com outros homens, se apropria dos dados da cultura através das mediações simbólicas que estabelece e que se configura por sua totalidade, causando a estranheza necessária para tirar o leitor da sua inércia e levá-lo à reflexão.

Para concluir, compartilhamos as palavras do crítico literário e historiador Nelson Werneck Sodré sobre o poder de criação de Ildásio Tavares, considerações com as quais nos alinhamos totalmente. Diz ele: É fácil compreender a alta qualidade do poeta. Em primeiro lugar pelo domínio da arte poética na linguagem de síntese que é sua essência. E ainda pela capacidade, nessa linguagem, praticar aquilo que Brecht ensinou, as diferentes maneiras de dizer a verdade.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quase toda cultura - Grave denúncia feita pelo poeta e profº Jotacê Freitas

Tive acesso ao CATÁLOGO – CULTURAS POPULARES & IDENTITÁRIAS DA BAHIA e fiquei estarrecido e estupefato com informações incompletas para um livro que se propõe a mostrar TODA CULTURA, como o apresenta o Secretário de Cultura.

A edição é primorosa e de qualidade técnica exuberante, fotos de qualidade e breves textos de apresentação das manifestações culturais populares da Bahia. O referido catálogo foi produzido pela gráfica do Liceu de Recife, o que mostra que nem pro próprio Governo a EGBA faz um trabalho com preço baixo.

Meu primeiro susto foi ir ao capítulo 13.CORDEL & POESIA POPULAR, ilustrado com a capa de um dos meus folhetos, PANVERMINA E ZABELÊ NAS QUEBRADAS DO SERTÃO, premiado no Concurso Nacional de Literatura de Cordel, promovido pela Fundação Cultural em 2005 e não encontrar o nome do autor exposto, muito menos relacionado na lista de cordelistas da Bahia, que aliás contém apenas os dados de 20 poetas, sendo 3 de Salvador, o que não corresponde à realidade da nossa Literatura de Cordel.

Parece que os funcionários da Secult não quiseram visitar o próprio acervo e pesquisar na Antologia Baiana de Literatura de Cordel, editado em 1997, no Censo da Cultura Popular publicado em 2000 com 10 volumes, ou ainda, no Catálogo do Acervo Bibliográfico da Fundação Cultural do estado da Bahia – Coleção Folhetos de Cordel, publicado em 2006.

Os editores nos informam na apresentação que “mestres e agentes de cultura, representantes de manifestações, associações culturais, brincantes, folcloristas, líderes comunitários, trabalhadores comuns, artistas e pesquisadores da área, preencheram, manual ou eletronicamente, o formulário, respondendo à chamada pública da Secretaria.” Mesmo não tendo recebido esse chamado e o formulário eletrônico, tive meu nome e de outros poetas encaminhados à Secult para esse fim. Alguns que receberam e preencheram o formulário não foram contemplados da mesma forma. Ficamos sem saber quais os critérios adotados para a inclusão no catálogo.

Talvez digam que estou ressentido e magoado pela exclusão, mas de certa maneira estou contente por estar junto de grandes mestres que também não constam nesta relação, alguns internacionalmente conhecidos: Franklin Maxado, Bule-Bule, Antonio Queiroz, Caboquinho, João Ramos, Jurivaldo Silva, Antonio Alves, Ismoca, Mariano Imperador, Zévalter Pires, Creusa Meira, Pardal de Jaguaribe, João Augusto, Sérgio Baialista, Carlos Alberto, Davi Nunes, Gutemberg Cruz, Zumar Sérgio, Gilmara Cláudia, Maysa Miranda, Litinho, Otacílio Teixeira, Nestor de Piatã, Alvinho do Riacho, Zaia e muitos outros que não lembro no momento, mas que numa sentada no arquivo de folhetos poderia citar uns cem, imagina trabalhando confortavelmente numa cadeira giroflex numa sala acarpetada com ar-condicionado, água gelada e cafezinho quente à disposição?

No evento que ocorreu durante a semana no Pelourinho, a Feira de Cordel possuía apenas 15% de folhetos produzidos por poetas baianos, os 85% restantes eram de pernambucanos, paraibanos, cearenses e potiguares, nada contra os colegas nordestinos, mas se o evento era de Cultura e Identidade Baiana, nada mais coerente que ter autores baianos participando.

Em relação à minha cidade, Senhor do Bonfim, e às outras manifestações, fiquei mais frustrado ainda, pois temos servidores representantes de cultura e apenas Tijuaçu teve o nome incluso em duas categorias: Capítulo 11-Comunidades Quilombolas e Capítulo 33- Samba.

Será que não temos manifestações ativas nas categorias: Banda de Pífanos, Culinária, Danças de Roda, Literatura de Cordel, Expressões culturais religiosas, Forró&sanfoneiros, Quadrilha, Teatro de Rua & Teatro Popular?

Talvez a metodologia do Governo seja a de que ‘democraticamente divulgamos na internet e nossos servidores reencaminham aos interessados’ esquecendo-se de que os artistas populares têm dificuldade de comunicação, locomoção e informação.

Pra chatear mais ainda, no texto de apresentação, os editores afirmam que “só é possível(...) implementar políticas públicas que possam promover o segmento com a participação efetiva da população.” Aonde???

O pior de tudo é saber que nosso dinheiro, arrancado de nossos bolsos através de impostos direto na fonte salarial ou nas compras de bens básicos para a sobrevivência e bem estar, está sendo mal usado e esse catálogo, com certeza, em breve estará servindo de escora para algum móvel numa repartição pública qualquer ou mofando num dos depósitos da Secult.

Uma forcinha pro Rafael Noris

Pessoal, o ótimo blog Hai-Kais (ver link ao lado), do Rafael Noris, está no 2º turno do Prêmio Top Blog 2010. Ou seja, está entre os 100 melhores blogs do Brasil na categoria cultura. Ele agora precisa de uma forcinha nossa para que consiga ir ainda mais longe.

Vamos nessa! É só cadastrar nome e e-mail, depois eles enviam uma mensagem para que se confirme o voto.

Eis o link:

Vem aí o 21º Encontro Brasileiro de Haikai

O evento acontecerá em São Paulo, no dia 6 de novembro, sábado, das 14 às 17 horas, na Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil. Eu deveria estar presente fazendo o lançamento de Silêncios para o público paulista, mas um compromisso assumido anteriormente impossibilita a minha participação. No mesmo dia farei uma apresentação com a banda Mendigos Blues na segunda edição do Rock & Poesia, em Ilhéus.

Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil
Rua Fagundes, 152, Liberdade, São Paulo, SP
(Entre as estações de metrô Liberdade e São Joaquim)

Anúncio de voto de Ferreira Gullar é falso

Circula na internet um falso anúncio em que o poeta Ferreira Gullar, “pela grandeza do nosso país”, pede votos para Dilma, informa Ancelmo Gois. Gullar, eleitor de Serra, acaba de dar entrevista ao “Público”, de Portugal, dizendo que “Lula comprou os pobres do Brasil”. O jornalista Eric Nepomuceno, um dos organizadores do ato dos intelectuais pró-Dilma, também recebeu o falso anúncio e condena quem fez isto com Gullar “Têm circulado listas de adesão à candidata do PT completamente falsas. Tentam desmoralizar um trabalho sério”.

Fonte:
O Globo - 27/10/2010 - Por Ancelmo Gois

Confira a citada entrevista do Gullar:
http://antenacrista.blogspot.com/2010/10/lula-comprou-os-pobres-do-brasil.html

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As leituras de Fernando Pessoa chegam à web

Conhecer o que lia Fernando Pessoa, as anotações que fazia nos seus livros, como ideias para poemas surgiam durante suas leituras. Agora, isso vai ser possível a qualquer pessoa: já está disponível na internet a biblioteca digital do poeta português, no site da casa-museu dedicada a ele. Os livros são os que acompanharam o poeta desde a adolescência - na época em que ele ainda morava na África do Sul. "O livro mais antigo é do século 19, quando Pessoa tinha 12 a 14 anos. São livros que vão desde essa época até sua morte, com 47 anos", conta o professor Jerônimo Pizarro, responsável pelo trabalho. O último livro foi parar na biblioteca do escritor em outubro de 1935, um mês antes de sua morte. No total, o espólio de Fernando Pessoa que está na casa-museu reúne 1.312 títulos. No entanto, apenas pouco mais de 1.100 estarão disponíveis para consulta.



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Novo blog discute o futuro digital do livro

Muito se fala informalmente sobre o livro digital, entretanto há pouca fonte de informação sobre o assunto em português, mas com a chegada do blog Tipos Digitais, a informação virá mais completa. Nele, Carlo Carrenho, diretor do PublishNews, pretende analisar o mercado do livro digital, sempre do ponto de vista que interesse ao mercado brasileiro, mas sem perder o foco nas experiências internacionais. “A revolução digital já começou e está acontecendo com uma rapidez assustadora. Criei esse blog para apresentar as tendências internacionais e analisar o que ocorre no Brasil”.

Acesse o blog: www.tiposdigitais.com