segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A volta de dona doida

Adélia Prado lança novo livro nesta semana

Desde 1999, quando publicou Oráculos de maio, a poeta Adélia Prado não lançava um livro de poemas. O jejum termina nesta semana, quando chega às livrarias A duração do dia (Record, 112 pp., R$27,90), no qual ela continua a escrever para manter um diálogo com Deus – em seus versos, estabelece-se uma ponte com a transcendência e uma crença na perenidade da carne e na eternidade da alma. Considerada uma das maiores poetas brasileiras vivas, Adélia tanto flerta com a metafísica como se atém aos detalhes do cotidiano, mas, acima de tudo, aposta na grandeza das pequenas coisas. Soma agora oito títulos de poesia, versos que traduzem o sagrado no cotidiano e que inspiraram Fernanda Montenegro a montar o monólogo Dona Doida, em 1987, com poemas colhidos em sua obra.

Fonte:
O Estado de S. Paulo - 08/08/2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Mostra Jorge Amado de arte & cultura

Se vivo estivesse, nesta terça-feira, dia 10, Jorge Amado completaria 98 anos
Na próxima terça-feira, se vivo estivesse, Jorge Amado completaria 98 anos bem vividos. Para comemorar a data, mas já preparando o terreno para o seu Centenário em 2012, estamos realizando através da Fundação Cultural de Ilhéus, onde sou Diretor de Projetos, entre 09 e 13 de agosto, a Mostra Jorge Amado de Arte & Cultura, reunindo diversas manifestações artísticas que buscam valorizar o imaginário, a obra e preservar a memória do escritor que tanto colaborou com a divulgação direta e indireta do nosso município em âmbito internacional.
Neste ano, uma programação ampla e diversificada inclui visitas dirigidas de estudantes e população à Casa de Jorge Amado com receptivo artístico; apresentações gratuitas de filmes baseados na obra de Jorge Amado; exposição de artes plásticas sob a coordenação do artista plástico e Professor Guilherme Albagli, com obras e biografia de pintores que ilustraram capas de livros de Jorge Amado. E não pára por aí. Também está programada a apresentação do espetáculo: “Jorge Amado: Santo de Casa”, sob direção de Soânne Marry, que mescla dança, teatro e música ao vivo. Trata-se de uma apresentação exclusivamente pensada e concebida para homenagear o autor em seu mês de aniversário. Na oportunidade haverá o agradecimento público a algumas personalidades que têm dado apoio ao fomento da cultura na cidade.

Também estamos promovendo em parceria com o Departamento de Letras e Artes da UESC, o Seminário sobre a obra de Jorge Amado. Trata-se de um evento aberto a todos os estudantes, universitários ou secundaristas, que contará com palestras de importantes estudiosos da nossa região. Entre eles: Ruy Póvoas (A influência da religiosidade africana na obra amadiana), Maria de Lourdes Netto Simões (O turista leitor de Jorge Amado) e André Rosa (Memória e identidade na obra de Jorge), com mediação de Maurício Corso, Jornalista e Presidente da Fundação Cultural de Ilhéus. Ainda teremos o lançamento de obras literárias inspiradas na obra de Jorge Amado e apresentação de vídeo-documentário.
Para Maurício Corso, a Mostra está cercada pela essência e pelo respeito à obra amadiana, também a toda história regional, conceituando suas ações na perspectiva de oferecer não apenas mais uma referência, mas o fomento à memória, à arte e cultura.
A Mostra conta com o total apoio da Prefeitura Municipal de Ilhéus e da Universidade Estadual de Santa Cruz.

PROGRAMAÇÃO
De 09 a 13
Horas: Dia todo
Local: Casa de Jorge Amado
Atividade: Visitas dirigidas de estudantes e população à Casa de Jorge Amado com receptivo artístico.

Dias 09 e 12
Horas: 18:30h
Local: Sala de TV da Casa de Jorge Amado
Atividade: Apresentações gratuitas de obras cinematográficas baseadas na obra de Jorge Amado. São elas: Seara Vermelha e Gabriela.

Dia 09
Horas: 16h
Local: Foyer do Teatro Municipal de Ilhéus
Atividade: Abertura da exposição de artes plásticas com obras e biografia de pintores que ilustraram capas de livros de Jorge Amado. Coordenação: Prof. Guilherme Albagli/UESC.
Dia 10
Horas: 20h
Local: Teatro Municipal de Ilhéus
Espetáculo “Jorge Amado: Santo de Casa”. Apresentação dirigida por Soânne Marry. Exclusivamente pensado para homenagear Jorge Amado em seu mês de aniversário. Trata-se de um espetáculo que mescla dança, teatro e música ao vivo.

Dia 11
Horas: 18h
Local: Auditório da Fundação Cultural de Ilhéus
Seminário sobre a obra de Jorge Amado, em parceria com o DLA da UESC. Palestras de Prof. Msc. Ruy Póvoas (A religiosidade africana na obra amadiana); Profa. Dra. Maria de Lourdes Netto Simões (O turista leitor de Jorge Amado); Prof. Dr. André Rosa (Memória e identidade na obra de Jorge Amado).

Dia 13
Horas: 18h
Local: casa de Jorge Amado
Atividade: Lançamento do livro: Documentário e Turismo Cultural: Um Olhar sobre Jorge Amado de Renata Smith – com apresentação de vídeo-documentário.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

De olhos fechados

Henrique Wagner

A escuridão de não poder te ver
parece feita de uma estranha luz:
de muita dor e de irreal prazer,
que à imensidão e a meu papel conduz.

Escrevo tudo o que me faz reler
em cada verso de canções azuis,
a natureza de um real Monet
e a tua ausência, que inda me seduz.

Pois foi por ti que me guiei no escuro,
e se é verdade que inda te procuro
é porque vives, bem no fundo, em mim.

Se nesta febre de viver aceso
eu me encontrar a ti, eterno e preso,
é que cheguei por onde outrora vim.

Henrique Wagner é baiano de Salvador, onde reside. É poeta, contista, ensaísta e crítico de cinema. Colaborou com os jornais A TARDE, Correio Brasiliense, Rascunho, entre outros. Publicou os livros de poemas “O grande pássaro” e “As horas do mundo”, e o livro de ensaio “A linguagem como estética do pensamento”.

Atacando de Letrista

Tenho feito letras de música em parceria com alguns compositores aqui da minha região. Entre eles Mither Amorim, da Banda Manzuá. Os primeiros frutos estão começando a aprarecer, pois com a música África ficamos em 2º Lugar no já tradicional Festival Multiarte Firmino Rocha. As vocalistas da banda, Brisa Aziz e Laísa Eça ficaram com o prêmio de melhor intérprete feminino.
Abaixo, a apresentação no Festival.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Continuando com o Pasticho

Lourival Pereira Filho, o Piligra, é, apesar de bastante jovem, provavelmente, o poeta brasileiro que mais se valeu do Alexandrino Trímetro (verso com cesura nas 4ª, 8ª e 12ª sílabas) para compor a sua lira, tendo escrito mais de dois mil sonetos dentro dessa forma. Temos um contato muito próximo, o que nos faz ter acesso em primeira mão à produção um do outro. O resultado dessa forte amizade é que sobrou para mim a revisão dos poemas do seu próximo livro, o que me levou a internalizar o ritmo da sua poesia e cometer também o meu Pasticho, um exercício apenas, dentro daquela forma poética tão peculiar do meu amigo. Aproveitei o tema impresso em “Desencanto” e “Esperança”, de Manuel Bandeira e Jorge Medauar, respectivamente, para construir o meu Alexandrino, embora na forma e na linguagem, o modelo é a poesia do meu amigo.

Concepção
Piligra

eu já concebo o verso assim metrificado
como arquiteto que planeja um edifício
na exatidão do prumo reto e equilibrado
sem perguntar se isto é fácil ou é difícil!

eu já concebo a rima assim – intercalada,
numa urdidura trabalhosa e singular –
puxando o fio de cada sílaba marcada
pelo tecido de uma métrica “sem par”!

eu já concebo o meu soneto alexandrino
(como a matriz de uma equação vetorial)
fazendo cálculo semântico e verbal,

com meu compasso atrapalhado de menino!
eu já concebo o meu poema ornamental
como operário que dá forma ao que é divino!


Inóspita Claridade
Gustavo Felicíssimo

Eu faço versos por viver na poesia
todo universo do real e do abstrato,
feito um menino que contempla a fantasia
enquanto bárbaros renegam seu retrato.

Eu faço versos porque vejo a claridade
do novo tempo que está prestes a nascer,
quando irmanados e distante a falsidade
a humanidade poderá se conhecer.

Verá sua face no sorriso da criança,
em cada gesto de modéstia ou de virtude:
no seu semblante verá toda plenitude.

Verá que a luz se faz presente e a esperança,
palavra viva, vem somar-se à liberdade,
reconduzida ao seu lugar, junto à verdade.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Flip em toda parte

O assunto que agora está na boca do povo é a literatura. Nas páginas dos jornais e revistas. A 8ª Festa Literária Internacional de Paraty começa na quarta-feira (4) e foi destaque em todos os cadernos culturais do fim de semana. O Prosa & Verso, do Globo, por exemplo, dedicou todo o caderno à festa e incluiu resenhas dos livros que serão lançados lá. A matéria principal, no entanto, falava sobre a repetição dos autores brasileiros, também tema de matéria da Folha de S. Paulo. A falta de ficcionistas na programação também foi sentida. A revista Época questionou a capacidade de Paraty receber o número sempre crescente de turistas, mas comentou sobre o bem que o evento faz para a cidade. Já o Estadão foi ouvir Liz Calder, a mãe da Flip, ou a dama das letras como colocaram, que se lembrou de fatos curiosos, como o sorriso do sisudo Coetzee ao comprar um pé de moleque na rua.

Fonte:
PublishNews - 02/08/2010

Ainda Bandeira e Medauar

Após o Pasticho a que nos referimos na postagem anterior, Manuel Bandeira em uma de suas crônicas transcreveu os versos de Medauar e lhes deu resposta impressa no poema “A Jorge Medauar”, justificando a tréplica dizendo com o seguinte argumento: Eu poderia me limitar a agradecer ao poeta o abraço e dizer-lhe que lhe ficam muito bem os sentimentos expressos nesses versos. Mas, em mim, pelo menos, verso puxa verso. Aquelas “tintas da madrugada” alvoroçaram o que ainda me resta de bossa poética, no coração contrito. O resultado foi essa insignificância, que ofereço, dedico e consagro

A Jorge Medauar
Manuel Bandeira

Há trint’anos (tanto corre
O tempo! escrevi a poesia
Onde disse que fazia
Meus versos como quem morre.

Ainda não eras nascido.
Agora, orgulhosamente
Moço, ao poeta velho e doente
Parodiaste destemido:

“Das batalhas em que estive
É o suor que em meu verso escorre!
Tu o fazes como quem morre:
Eu o faço como quem vive!”

Façam-no como quem morre
Ou quem vive, que ele viva!
Vive o que é belo e deriva

Da alma e para outra alma corre.

Verso que dele se prive,
Ai dele! Quem lhe socorre?
Nem Marx nem Deus! Ele morre.
Só o verso, com alma, vive.

Deste ou daquele pensar,
Esta me parece a reta,
A justa linha do poeta,
Poeta Jorge Medauar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um Pasticho genial

Pasticho é a imitação do estilo de determinado autor. Muitas vezes elaborado para ser a outra face do poema original. Não confundir com paródia, pois enquanto um à maioria das vezes homenageia o autor imitado, a outra imita com intenção satírica.
Em “Desencanto”, famoso poema de Manuel Bandeira, o poeta, por motivos muito conhecidos canta “Eu faço versos como quem morre”. Mais de trinta anos após, Jorge Medauar, ainda um jovem, diz em outro poema: “Eu faço versos como quem vive”. Deu-se, então, segundo Hélio Pólvora, “uma escaramuça cordial, com ampla repercussão nos meios literários do Rio de Janeiro”. O próprio Bandeira, ao nosso ver, erroneamente, tratou o poema de Medauar como uma paródia, o que, sem dúvida alguma, não é.


Desencanto
Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo algum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai gota à gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

Esperança
Jorge Medauar

Eu faço versos como quem luta
De armas em punho... de armas nas mãos...
Forma ao meu lado, pois na labuta
Os companheiros são como irmãos.

Meu verso é aço. Fornalha ardente...
Peito ou bigorna... Braço ou trator...
Corre entre o povo. Salgado e quente,
Cai gota a gota, por que é suor.

E nestes versos de luta ousada
Deixo a esperança que sempre tive
Nas tintas rubras da madrugada.

- Eu faço versos como quem vive.

domingo, 1 de agosto de 2010

Micro entrevista do mês com Zeca Baleiro

Esse é apenas um excerto de uma entrevista que fiz com Zeca Baleiro há alguns anos atrás, quando lançou “Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé – de Ariana para Dionísio”, onde musicou dez poemas de Hilda Hilst e contou com algumas intérpretes de peso da música brasileira como Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Na Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byington, Mônica Salmaso e Ângela Maria.
GF – Como se deu o seu encontro com a poesia?
ZB
– Desde menino fui estimulado a ler muitos livros. Meu pai sempre foi um leitor compulsivo e quase que nos abrigava a ler os clássicos, Machado, José de Alencar, Dostoievski, etc... Eu, de todos os irmãos, devo ter sido o que menos livros li, preguiçoso que eu era. Por preguiça até, lia mais livros de poesia que romances, por exemplo. Foi assim que conheci grandes poetas e me encantei com a poesia.

GF – Inúmeros poetas e críticos literários sempre fizeram questão de afirmar que letra de música não é poesia, o que você pensa sobre esse assunto?
ZB
– É poesia sim, só que noutra instância, diferente da poesia literária. É outro “approach”, outra abordagem, tem que servir à música, e deve ser mais acessível, mais palatável.

GF – Você faz poesia que serve à essa estética literária?
ZB
– Tenho umas coisas guardadas, mas não sinto vontade de publicar, pelo menos não por agora.