quinta-feira, 22 de julho de 2010

Semeando Jorge Medauar

Um dos mais importantes sites brasileiros sobre literatura está promovendo a revalorização da obra de Jorge Medauar

Trata-se, sem dúvida, de uma ação rara e muito simpática do pessoal do Cronópios, através do seu editor, o Pipol, e de Jorge Medauar Jr, parceiro no projeto. O objetivo é simples: semear textos de ou sobre o autor nascido em Água Preta do Mocambo, antigo distrito de Ilhéus, hoje Uruçuca, pelas tramas da web. Para tanto o site criou uma página especial com diversos textos, inclusive um de nossa autoria, e está preparando um documentário cujo preview, juntamente com os referidos textos, pode ser acessado.

Afirmam os editores que “o Cronópios dará prioridade a todo texto que chegar à redação sobre Jorge Medauar e sua obra”. Para quem não sabe, podemos dizer que Medauar ganhou destaque na literatura nacional por conta dos seus contos, muito embora tenha começado a publicar livros de poesia. Aliás, se tudo correr bem, dentro de pouco tempo sua obra poética será reunida em livro juntamente com um compêndio contendo os inéditos que o autor deixou.

Todos estão convidados a participar com trabalhos de criação, tendo a obra de Jorge Medauar como referência. Acesse o link e saiba mais sobre o projeto e também sobre o escritor: http://www.cronopios.com.br/jorge_medauar/

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Alguém me faça uma garapa!

A calamidade dos cursos de Letras no Brasil.

A notícia veiculada ontem, dia 20, n’O Estado de São Paulo, dando conta que Português é a matéria que puxa para baixo a média do Enem não é nenhuma novidade para quem convive com alunos do segundo grau e universitários.
No curso de Letras da universidade (pública) onde estudo, a Professora de Língua Portuguesa, por exemplo, no primeiro semestre teve que ensinar o alunado a fazer redação e resumo. Isso porque a esmagadora maioria dos meu colegas de turma chegaram à universidade sem o hábito da leitura e até, em casos extremos, analfabetos funcionais.
A coisa é tão calamitosa que celebrou-se o fato de, no Guia do Estudante da Editora Abril, a universidade ser avaliada com 3 Estrelas, em uma escala de 1 a 5, ao lado da PUC, UFRJ e UNB. Esse é o reflexo do estado crítico em que se encontram os cursos de Letras dessas universidades, afinal, mantendo-se a proporção, em uma escala de 1 a 10 essas 3 estrelas representariam 6, uma nota que, até que me provem o contrário, não é suficiente para aprovar aluno algum na universidade. É também um sinal de que os professores dedicados e talentosos (a maioria não são) tem muito o que fazer.

Diz o texto do jornalista Fábio Mazzitelli:

“O desempenho na área de Linguagens e Códigos puxou para baixo a média final das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009. Essa parte do exame foi a única em que nenhum colégio no País atingiu média de 700 pontos, numa escala de 0 a 1.000. Entre as escolas da capital, o melhor desempenho ficou com o Colégio Vértice, com 686,70 pontos. Nas questões dessa área foram medidas as habilidades dos jovens em língua portuguesa e interpretação de textos - diferentemente do Enem de 2009, o deste ano terá prova de idioma estrangeiro. Nas outras grandes áreas do conhecimento, a maior média dos colégios ficou entre 700 e 800 pontos. A pontuação máxima abaixo de 700 em linguagens é considerada "preocupante" e um reflexo da chamada "geração Y", educada com a ajuda da internet. Para gestores de escolas, com os jovens cada vez mais conectados em redes sociais, a linguagem desenvolvida no mundo virtual se distanciou da língua culta, empobrecendo o vocabulário e prejudicando a capacidade de interpretar textos mais longos”.

Parece-me muito cômodo jogar a culpa na internet, enquanto o problema mesmo está na formação dos educadores brasileiros. Neste caso, o problema está nos cursos de Letras, nos baixos salários que geram desestímulo e, por fim, no modelo escolar brasileiro que ao invés de ser revisto, repaginado, precisa ser implodido, exterminado, com vistas a um novo começo e modelo que deveria ser amplamente discutido pelos maiores pensadores e educadores da nação.

Agora sugiro que os amigos leiam um texto do Marcos Bagno aqui publicado, onde o escritor e linguista fala sobre a falência dos cursos de Letras Brasil afora. Eis o link: http://sopadepoesia.blogspot.com/2010/03/catastrofe-dos-cursos-de-letras.html

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Auto-retrato – Carlos Falck

Estou em mim e comigo,
tenho o que tenho e não sou
além do vento da tarde
o sentir que se tardou.

Vou ao sabor do que sinto
e sentimento é razão,
mas o que não me comove
é somente o coração.

Tenho o resto comovido
e por assim diferente
falo de mim sem ser eu
enquanto estou com a gente.

Mas ao sentir-me sozinho
volto ao que sou e que fui
enquanto a melancolia
calmamente se dilui.

Falck nasceu em Salvador no ano de 1936 e lá cometeu suicídio em 1964, com menos de 30 anos, portanto. Alguns dos seus poemas demonstram claramente essa disposição.

Mais sobre o autor: http://sopadepoesia.blogspot.com/2010/04/carlos-falck-eximio-e-sofrido-poeta.html

Frei Betto e Marcelo Gleiser juntos em livro

Fruto de um projeto audacioso, Frei Betto e o físico Marcelo Gleiser estão de quarta-feira (14), a pelo menos sábado (17), no Hotel Santa Teresa (RJ) debatendo religião e ciência para o livro “Conversa sobre a fé”, compêndio que sai em novembro pela Nova Fronteira. A obra integra uma coleção que já reuniu Luís Fernando Verissimo e Zuenir Ventura entrevistados por Arthur Dapieve.

Fonte:
O Globo - 17/07/2010

domingo, 18 de julho de 2010

Novos Acordes de Roberval Pereyr

Faz poucos dias recebi de Roberval Pereyr o seu mais novo livro. Falo de “Acordes”, uma obra que do ponto de vista estético dá segmento à produção anterior do autor, reunida em “Amálgama”. Pereyr é um poeta baiano, de Feira de Santana, mas sua poesia possui os elementos mais universais possíveis, pois trás em si as características marcantes do existencialismo e da metafísica. Em seus poemas notamos a busca pelo sentido do ser, mas sem nomear as coisas e as ações, muito embora buscando nelas a sua essência e seus valores. Afinal, nosso contato com o universo não se dá por meio das definições, mas das indagações e respostas que se instalam no campo do conhecimento ou no horizonte do tempo, pois é no tempo que o ser e as coisas acontecem.
Assim, algumas questões parecem saltar da sua obra. A principal parece ser esta: até que ponto podemos decifrar o mundo, o ser e as coisas através do universo poético? Mas uma outra também me assalta: até que ponto a linguagem de um poema e as coisas do mundo são realidades conflitantes? Quem responder vai ganhar um big-big.
Abaixo, poemas de Roberval Pereyr.

Amálgama

O exercício da mentira
assevera-nos o rosto;
petrifica-nos o busto
e engrandece-nos a ira.

O exercício da mentira
engrandece-nos as posses;
ajoelha-nos em preces
sob o teto das igrejas.

O exercício da mentira
faz-nos fortes barulhentos;
tece grandes pensamentos
para encher-nos de amarguras.

O exercício da mentira
faz-nos lúcidos, divinos;
torna os animais humanos
e torna os deuses caninos.

O exercício da mentira
(por que tamanha maldade?)
concedeu-nos - que loucura! -
o exercício da verdade.

Em Amálgama, Selo Letras da Bahia, 2004. Pág. 209.


Canção

Ao longe, calma paisagem,
pastava o gado inocente:

a noite é cheia de gado
a noite é cheia de gente.

Na noite, o curral o gado
encerra em fatal enredo:

a noite é cheia de medo
e em sangue enreda o passado.

Ao longe vejo, isolado,
um homem dentro de um prédio:

a noite é cheia de gado
a noite é cheia de tédio.

O gado tem dono ausente
de si e do próprio gado:

a noite é cheia de gente
com o registro apagado.

Em Acordes, Editora Tulle, 2010. Pág. 09.

Mais sobre o autor acesse:
http://www.revista.agulha.nom.br/perey.html

sábado, 17 de julho de 2010

Críticas aos 20 anos do ECA

Estatuto da Criança e do Adolescente acaba de completar 20 anos de existência sob fortes críticas de muitos educadores
Criado para oferecer proteção aos menores sobre qualquer tipo de violência ou abuso, o ECA completa 20 anos cercado de críticas por fomentar (e assim não combater) problemas que a sociedade conhece muito bem. Parece-nos que o ECA fomentou a sensação de impunidade, dificultando tanto a ação dos pais e, sobretudo, dos educadores. Eu que sou marido de uma professora ouço frequentemente relatos terríveis a esse respeito. Daí aqueles noticiário que vemos diariamente, provenientes da desestruturação familiar: jovens roubando, sequestrando, traficando, assassinando, estuprando. Tudo, agora, com a conveniência das autoridades. Em verdade são marginais protegidos pela lei.
Indignado, o poeta Jotacê Freitas, que é cordelista renomado aqui na Bahia, também educador graduado por uma universidade federal, e, sobretudo pai, escreveu um Cordel que reflete bem sobre essa questão.

OS PAIS JÁ NÃO PODEM MAIS
DAR PALMADAS EM SEUS FILHOS!

O Brasil anda pra trás
Nos trilhos da educação
Com a criação do ECA
Houve uma deturpação
Entre direito e dever
Pras crianças da nação.

Se passaram 20 anos
E o ECA só aumentou
Nossa marginalidade
Com o menor infrator
Que é sempre protegido
Faça lá seja o que for.

Querem tudo o que veem
E fazem tudo o que querem
Avisando aos pais
Que nada deles esperem
Até os dezoito anos
Pois assim as Leis proferem.

Muitos pais se preocupam
Em dar boa educação
Para que eles se formem
E tenham uma profissão
Se dedicam com afinco
E poucos lhes dão razão.

Acham que os pais são caretas
E estão ultrapassados
Preferem o mundo das drogas
Serem marginalizados
Em baladas requebrando
Nas ‘paradas’ bem ‘ligados’.

Se for pobre periférico
Os pais têm dificuldades
Para mantê-los em casa
Com suas necessidades
Pois sem o pão de cada dia
Não se tem felicidade.

Mandam eles pra escola
Por mera obrigação
Ou se livrar do ‘problema’
Ter quem preste atenção
Não orientam os filhos
Com justa dedicação.

Querem só bolsa família
Por cada filho que têm
Se tornaram dependentes
E ao governo convém
Pois o voto antecipado
É pago com esse vintém.

As mães dizem que não sabem
O que fazer com os filhos
Dizem que já castigaram
De joelhos sobre o milho
Mas meninos e meninas
Não querem andar nos trilhos.

Filhos não as obedecem
Pois não tiveram limites
Na escola não respeitam
A professora que insiste
Em lhes dar educação
Que pra eles não existe.

Qualquer coisa logo dizem
Que vão para o juizado
Pois conhecem seus direitos
Não querem ser perturbados
Saem da sala e não fazem
O dever recomendado.

Brigam o tempo inteiro
E imitam os marginais
Que veem nos noticiários
Ou nos filmes vesperais
Querem até matar polícia
Pois se acham os maiorais.

Ficam pelas sinaleiras
Ou fazendo avião
Menininhas imaturas
Já na prostituição
Alegando para todos
Que é sua profissão.

Os pais estão sem controle
E precisam aprender
A lidar com o problema
Antes dos filhos crescer
E virarem marginais
Como estamos a ver.

É claro que muitos pais
Exageram no castigo
Punem com espancamento
E aí está o perigo
Contra o pequeno indefeso
E isso não é preciso.

Quebrar dentes com um murro
Ou deixar com o olho roxo
Queimá-los com o cigarro
Por causa de um muxoxo
Marcá-los com a fivela
E até deixá-los coxos.

Existem alternativas
Como cortar diversão
Bicicleta vídeo-game
Recreio Televisão
Que nem sempre funcionam
Dar limite é a solução.

Um tapinha no bumbum
A parte mais recheada
Por Deus feita para isto
Pra levar boas palmadas
Contra a desobediência
Da criança malcriada.

Um bolo em cada mão
Também é forma decente
Como um puxão de orelha
Para o desobediente
Que depois que chora um pouco
Volta pro colo contente.

Dizem que essa nova Lei
É pra não banalizar
A violência que existe
Pra criança não afetar
Mas não sei como permitem
A TV funcionar.

Um ditado popular
Diz que é melhor que a mãe bata
No seu filho queridinho
Pois mão de mãe não maltrata
Pior é ir pra cadeia
Ou o traficante que mata.

As mães mais experientes
Dizem que é melhor bater
Do que apanhar um dia
Do filho que viu nascer
Nessa inversão de valores
Que querem estabelecer.

Maioridade penal
Precisa ser reduzida
Em país civilizado
Que valoriza a vida
Criança que rouba e mata
Também tem que ser punida.

As instituições que dizem
Proteger o ‘de menor’
Preferem eles nas ruas
Vivendo numa pior
Se drogando e roubando
Sem uma opção melhor.

Até mesmo orfanatos
Evitam a adoção
De crianças por estrangeiros
Pra não perder a porção
Do dinheiro do governo
Que vem pra manutenção.

Acredito que quem fez
Essa Lei só pode ser
Um maluco sem juízo
Ou nunca chegou a ter
Um filho em sua vida
Por isso a quis fazer.

Congressista Deputado
Ou Ilustre Senador
Lembrem das suas infâncias
Quem foi que nunca apanhou
Da mamãe ou do papai
E vilão não se tornou?

Eu mesmo já apanhei
De cinto e de vassoura
E sempre amei os meus pais
Respeitei a professora
Não me senti oprimido
Nem tive vida opressora.

O Brasil tem mais problemas
Pra vocês se preocuparem
Corrupção desemprego
Leis para vocês mudarem
Para punir os bandidos
E não nos atormentarem.

Em vez de gastar dinheiro
Com uma copa do mundo
Onde a corrupção desvia
Para um buraco fundo
Criem escolas integrais
Com um ensino fecundo.

E os meninos de rua
Precisam ser acolhidos
Em internatos decentes
Que não os tornem bandidos
Mas cidadãos conscientes
Trabalhadores polidos.

Jotacê Freitas
Blog do Jotacê: oficinadecordel.blogspot.com

sexta-feira, 16 de julho de 2010

HAICAIS TÊM O “RUMOR DA ONDAS”

Por José Marins
Benedita Azevedo lança mais um livro de haicais realizados a partir de suas vivências na Praia do Anil, onde reside em Magé-RJ. São 99 poemas no estilo clássico que nos aproximam da natureza, dialogam com o leitor numa linguagem simples, mostrando imagens que passariam despercebidas não fosse a percepção treinada da autora e sua fina sensibilidade poética. Afinal a poética do haicai é a da observação, dos sentidos e das sensações que captam a diversidade natural e as manifestações humanas de nosso povo.
Na apresentação escreve a haicaísta Rosa Clement: “É um nome muito apropriado para quem mora perto do mar, e tem o privilégio de sentir a brisa e ouvir com frequência o rumor das ondas, como é o caso da autora. Rumor das Ondas é, portanto, um livro que oferece uma variedade de matizes e formas de paisagens e atividades humanas. É um esforço recompensado e um merecimento.”
Ler mais esse livro de Benedita Azevedo é um privilégio e um prazer para quem ama a poesia do haicai.

Eis alguns dos poemas do livro:

Quietude na praia –
Só a aragem da manhã
E o rumor das ondas.

-

Ao sol da manhã
Reflexos brilham no pasto –
Noite de geada.

-

Cintilando ao sol
As bolhas de sabão
Caem na varanda.

-

Ao romper da aurora
Suave perfume no ar –
Outra vez setembro.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TOC 140, Poesia no Twitter - Fliporto

Concurso de micro poesia vai dar R$ 3 mil ao vencedor

A Fliporto, que acaba de anunciar os primeiros convidados da festa marcada para novembro, começa a agitar também pelo Twitter (@fliportoPE). Até o dia 29 de setembro, tuiteiros de qualquer lugar do mundo podem inscrever micro-poemas em português no concurso “TOC 140, Poesia no Twitter”. O anúncio dos vencedores será feito no dia 30 de outubro e a premiação será entregue em 15 de novembro, durante a Fliporto Digital.
O primeiro lugar ganha R$ 3 mil; o segundo colocado leva R$ 2 mil e para o autor do terceiro melhor poema será dado R$ 1 mil. Os três ganham um kit da Fliporto 2010 e livre acesso a todas as palestras.

Para se inscrever e ler cronograma e regulamento: http://www.fliporto.net/premio_tok140.html

terça-feira, 13 de julho de 2010

Contos do Japim - de Ramon Barbosa Franco

Dois investigadores sem nome tentam desvendar o assassinato de um padre, um conto narrado em três períodos da história da humanidade, um tropeiro que busca uma mula que se perdeu da comitiva, um espião brasileiro infiltrado num grupo de rebeldes da Costa do Marfim, um homem que topa com um leão dentro do seu quarto, uma loira sensual que chega para uma missão e um jovem escritor perdido com Jorge Luís Borges num labirinto habitado pelo minotauro. Estas e outras narrativas enxutas estão no livro 'Contos do Japim', primeiro trabalho individual do escritor e jornalista Ramon Barbosa Franco. Dedicada ao também escritor e jornalista Romulo Nétto, a obra literária tem o selo da Tanta Tinta (Carlini & Caniato Editorial),com sede em Cuiabá (Mato Grosso), e integra o catálogo 2010 da companhia. A capa foi desenvolvida por Marcelo Cabral e o próprio Romulo Nétto, também autor da Tanta Tinta, preparou e revisou os originais. Além de Romulo Nétto, a Tanta Tinta é a editora de Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008), considerado por Hilda Hist e Glauber Rocha um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. "Os textos que formam o livro 'Contos do Japim' podem ser interpretados como o esboço inicial de um trabalho literário. Desde a infância escrevia meus continhos, aventuras inspiradas nos filmes do Indiana Jones, nas leituras do gibi Tex e também nos ninjas e samurais japoneses. Na adolescência, li Paulo Coelho e 'O alquimista' despertou em mim a busca pela lenda pessoal. Assim, me vi na perseverança de um dia me tornar escritor", destacou Ramon, que é jornalista em Marília, interior de São Paulo. Antes do primeiro livro individual, o escritor participou de outras três obras coletivas, sendo duas coletâneas (a do V Concurso Municipal de Conto, publicado pela Niterói Livros, e a do concurso estadual Mapa Cultural Paulista 2009-2010, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo) e uma biografia em co-autoria com a jornalista Silvia de Paula, publicada no ano de 2009 pela Poiesis Editora.
"Na minha formação, tanto de leitor, quanto de autor, estão autores brasileiros, como Graciliano Ramos, Marcos Rey e Orígenes Lessa, além de Guimarães Rosa e o meu amigo Romulo Nétto. Foi ele quem me sensibilizou à narrativa concisa e direta, tanto através de nossas conversas semanais, quanto pela sua Trilogia dos Gerais, publicada pela editora Carlini & Caniato", disse.
'O crime de batina', texto inicial de 'Contos do Japim', é um conto policial e, segundo observou Ramon, consiste no resultado da influência de autores ingleses, como Edgar Wallace, Conan Doyle e Agatha Christie, além dos cortes narrativos do norte-americano Edgar Allan Poe e do brasileiro Rubem Fonseca. "Rubem Fonseca e o português José Saramago solidificaram aquilo que começei a buscar a partir da leitura de Paulo Coelho. Li outro dia que o italiano Umberto Eco, autor de 'O nome da rosa', virou para o norte-americano Dan Brown, de 'O código da Vinci', e disse: 'Não é que eu não goste de você - afinal, eu criei você'. Acho que é mais ou menos isso que sinto ao pensar no Rubem Fonseca. Suas narrativas me criaram, me deram um norte. A literatura é assim, esta fluência sem limites. Mesmo sem nunca ter visto pessoalmente Rubem Fonseca ele me ensinou muito. O mesmo sinto pelo José Saramago. Ao receber a notícia de sua morte, no mês passado, parecia que perdia novamente meu avô materno ou um dos meus tios", comentou.
Além de 'O crime de batina', o leitor encontrará 'Trilogia', 'Arribada', 'Nosso Homem na África', 'Um leão entrou em casa', 'O marxista', 'Três minutos' e 'No labirinto'.
O lançamento oficial do livro acontecerá no dia 7 de agosto, durante o evento 'Literatura na calçada', em Cuiabá, entretanto, exemplares estarão disponíveis em livrarias no Estado de São Paulo, e também de Cuiabá. Enquanto não circula pelo Brasil afora, a obra pode ser encomendada pelo site da editora: http://editora-carlini-caniato.blogspot.com/

Contos do Japim
Autor: Ramon Barbosa Franco
Editora Tanta Tinta, Carlini & Caniato Editoral
88 páginas
Gênero: Contos
Preço: R$ 23,90
E-mail da editora: comercial@tantatina.com.br
E-mail do autor: monfranco8@hotmail.com
Blog do autor: http://www.ramonbarbosafranco.blogspot.com/

Capa: Marcelo Cabral

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Futebol & Poesia - I

Tal pai, tal filha
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