sexta-feira, 16 de julho de 2010

HAICAIS TÊM O “RUMOR DA ONDAS”

Por José Marins
Benedita Azevedo lança mais um livro de haicais realizados a partir de suas vivências na Praia do Anil, onde reside em Magé-RJ. São 99 poemas no estilo clássico que nos aproximam da natureza, dialogam com o leitor numa linguagem simples, mostrando imagens que passariam despercebidas não fosse a percepção treinada da autora e sua fina sensibilidade poética. Afinal a poética do haicai é a da observação, dos sentidos e das sensações que captam a diversidade natural e as manifestações humanas de nosso povo.
Na apresentação escreve a haicaísta Rosa Clement: “É um nome muito apropriado para quem mora perto do mar, e tem o privilégio de sentir a brisa e ouvir com frequência o rumor das ondas, como é o caso da autora. Rumor das Ondas é, portanto, um livro que oferece uma variedade de matizes e formas de paisagens e atividades humanas. É um esforço recompensado e um merecimento.”
Ler mais esse livro de Benedita Azevedo é um privilégio e um prazer para quem ama a poesia do haicai.

Eis alguns dos poemas do livro:

Quietude na praia –
Só a aragem da manhã
E o rumor das ondas.

-

Ao sol da manhã
Reflexos brilham no pasto –
Noite de geada.

-

Cintilando ao sol
As bolhas de sabão
Caem na varanda.

-

Ao romper da aurora
Suave perfume no ar –
Outra vez setembro.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

TOC 140, Poesia no Twitter - Fliporto

Concurso de micro poesia vai dar R$ 3 mil ao vencedor

A Fliporto, que acaba de anunciar os primeiros convidados da festa marcada para novembro, começa a agitar também pelo Twitter (@fliportoPE). Até o dia 29 de setembro, tuiteiros de qualquer lugar do mundo podem inscrever micro-poemas em português no concurso “TOC 140, Poesia no Twitter”. O anúncio dos vencedores será feito no dia 30 de outubro e a premiação será entregue em 15 de novembro, durante a Fliporto Digital.
O primeiro lugar ganha R$ 3 mil; o segundo colocado leva R$ 2 mil e para o autor do terceiro melhor poema será dado R$ 1 mil. Os três ganham um kit da Fliporto 2010 e livre acesso a todas as palestras.

Para se inscrever e ler cronograma e regulamento: http://www.fliporto.net/premio_tok140.html

terça-feira, 13 de julho de 2010

Contos do Japim - de Ramon Barbosa Franco

Dois investigadores sem nome tentam desvendar o assassinato de um padre, um conto narrado em três períodos da história da humanidade, um tropeiro que busca uma mula que se perdeu da comitiva, um espião brasileiro infiltrado num grupo de rebeldes da Costa do Marfim, um homem que topa com um leão dentro do seu quarto, uma loira sensual que chega para uma missão e um jovem escritor perdido com Jorge Luís Borges num labirinto habitado pelo minotauro. Estas e outras narrativas enxutas estão no livro 'Contos do Japim', primeiro trabalho individual do escritor e jornalista Ramon Barbosa Franco. Dedicada ao também escritor e jornalista Romulo Nétto, a obra literária tem o selo da Tanta Tinta (Carlini & Caniato Editorial),com sede em Cuiabá (Mato Grosso), e integra o catálogo 2010 da companhia. A capa foi desenvolvida por Marcelo Cabral e o próprio Romulo Nétto, também autor da Tanta Tinta, preparou e revisou os originais. Além de Romulo Nétto, a Tanta Tinta é a editora de Ricardo Guilherme Dicke (1936-2008), considerado por Hilda Hist e Glauber Rocha um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. "Os textos que formam o livro 'Contos do Japim' podem ser interpretados como o esboço inicial de um trabalho literário. Desde a infância escrevia meus continhos, aventuras inspiradas nos filmes do Indiana Jones, nas leituras do gibi Tex e também nos ninjas e samurais japoneses. Na adolescência, li Paulo Coelho e 'O alquimista' despertou em mim a busca pela lenda pessoal. Assim, me vi na perseverança de um dia me tornar escritor", destacou Ramon, que é jornalista em Marília, interior de São Paulo. Antes do primeiro livro individual, o escritor participou de outras três obras coletivas, sendo duas coletâneas (a do V Concurso Municipal de Conto, publicado pela Niterói Livros, e a do concurso estadual Mapa Cultural Paulista 2009-2010, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo) e uma biografia em co-autoria com a jornalista Silvia de Paula, publicada no ano de 2009 pela Poiesis Editora.
"Na minha formação, tanto de leitor, quanto de autor, estão autores brasileiros, como Graciliano Ramos, Marcos Rey e Orígenes Lessa, além de Guimarães Rosa e o meu amigo Romulo Nétto. Foi ele quem me sensibilizou à narrativa concisa e direta, tanto através de nossas conversas semanais, quanto pela sua Trilogia dos Gerais, publicada pela editora Carlini & Caniato", disse.
'O crime de batina', texto inicial de 'Contos do Japim', é um conto policial e, segundo observou Ramon, consiste no resultado da influência de autores ingleses, como Edgar Wallace, Conan Doyle e Agatha Christie, além dos cortes narrativos do norte-americano Edgar Allan Poe e do brasileiro Rubem Fonseca. "Rubem Fonseca e o português José Saramago solidificaram aquilo que começei a buscar a partir da leitura de Paulo Coelho. Li outro dia que o italiano Umberto Eco, autor de 'O nome da rosa', virou para o norte-americano Dan Brown, de 'O código da Vinci', e disse: 'Não é que eu não goste de você - afinal, eu criei você'. Acho que é mais ou menos isso que sinto ao pensar no Rubem Fonseca. Suas narrativas me criaram, me deram um norte. A literatura é assim, esta fluência sem limites. Mesmo sem nunca ter visto pessoalmente Rubem Fonseca ele me ensinou muito. O mesmo sinto pelo José Saramago. Ao receber a notícia de sua morte, no mês passado, parecia que perdia novamente meu avô materno ou um dos meus tios", comentou.
Além de 'O crime de batina', o leitor encontrará 'Trilogia', 'Arribada', 'Nosso Homem na África', 'Um leão entrou em casa', 'O marxista', 'Três minutos' e 'No labirinto'.
O lançamento oficial do livro acontecerá no dia 7 de agosto, durante o evento 'Literatura na calçada', em Cuiabá, entretanto, exemplares estarão disponíveis em livrarias no Estado de São Paulo, e também de Cuiabá. Enquanto não circula pelo Brasil afora, a obra pode ser encomendada pelo site da editora: http://editora-carlini-caniato.blogspot.com/

Contos do Japim
Autor: Ramon Barbosa Franco
Editora Tanta Tinta, Carlini & Caniato Editoral
88 páginas
Gênero: Contos
Preço: R$ 23,90
E-mail da editora: comercial@tantatina.com.br
E-mail do autor: monfranco8@hotmail.com
Blog do autor: http://www.ramonbarbosafranco.blogspot.com/

Capa: Marcelo Cabral

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Futebol & Poesia - I

Tal pai, tal filha
clique na imagem para vê-la maior

Festival do Japão, em São Paulo

A Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil, entidade que divulga a produção literária da comunidade nipo-brasileira, mais uma vez se fará presente no Festival do Japão, em São Paulo, no Centro de Exposições Imigrantes, nos dias 16, 17 e 18 de julho de 2010. Em seu estande, haverá exposição de tanka e haikais em língua japonesa, tanto os produzidos por seus associados radicados no Brasil, como aqueles escritos por grandes poetas do Japão, todos acompanhados de tradução para o português. Além da língua japonesa, o haikai em língua portuguesa também terá seu espaço, através dos trabalhos de autores brasileiros.

O haikai tradicional, poema de três versos que discorre objetivamente sobre temas da natureza, é certamente a maior contribuição do Japão para a literatura brasileira. Durante os três dias do Festival ocorrerão concursos de haikai e tanka em japonês. Além disso, será realizado o 3º Concurso de Haikai Masuda Goga, exclusivamente em língua portuguesa. Masuda Goga (1911-2008) foi um mestre imigrante que contribuiu enormemente para a divulgação do haicai entre os brasileiros. O concurso deste ano será dividido em duas categorias: infanto-juvenil e adulta.

Considerado um dos maiores eventos de cultura japonesa no mundo, o Festival do Japão apresentará shows musicais, atrações culturais, danças típicas, culinária, exposições e atividades para crianças. O evento é realizado desde 1998 pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias Japonesas no Brasil), entidade que reúne as 47 associações de províncias japonesas sediadas no Brasil e tem o objetivo de divulgar e preservar a cultura e as tradições japonesas. Também auxilia entidades e projetos assistenciais.

Maiores informações:
http://www.festivaldojapao.com

domingo, 11 de julho de 2010

Brigam Espanha e Holanda

Leila Diniz

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar.
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar.
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar.
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.

Do livro:
"Leila Diniz", Editora Brasiliense, 1983, SP

sábado, 10 de julho de 2010

HAIKAI COLETIVO

escritos a seis mãos
Dia 02 de Julho, após a Seleção Brasileira tomar aquele vareio da Holanda, eu e os poetas George Pellegrini e Piligra fomos almoçar em uma churrascaria e tomar umas geladas a fim de colocarmos o papo em dia.
De uma das laterais do restaurante apreciamos a bela vista do Rio Cachoeira, parte da mata atlântica e a vida pulsando ao seu redor. Muitas cores. Inúmeros pássaros, como garças e graúnas, à margem do rio espreitando suas presas; outros, ao final da tarde, revoando em busca de abrigo.
Em clima de descontração começamos a escrever haikais. Exercícios apenas, embora frutos da vivência, de momentos observando a natureza.

Alguns deles são individuais, outros foram feitos a seis mãos. Ao final, há até a tentativa de uma renga (que acredito possamos retomar). Os haikais individuais estão assinados com as iniciais de cada autor: George Pellegrini (GP); Piligra (PI); Gustavo Felicíssimo (GF). Os coletivos estão com as três iniciais (GP PI GF).

as garças imóveis
lamentam a existência -
os carros passeiam
(GF)

tantas baronesas
e uma ponte solitária -
o mundo é cruel
(GP)

o rio segue a sina
da solidão da existência -
o mar: sua piscina
(PI)

gavião planando -
o olhar aguçado espreita
a presa sonhando
(GP PI GF)

paisagem invernal -
uma pintura abstrata:
roupas no varal
(GP)

reflete a cidade
sob o concreto da ponte -
piligra sorri
(GF)

reflexo difuso -
o rio como espelho vivo
e a imagem de um vôo
(PI)

as garças paradas
são pontos brancos no rio:
velho cachoeira
(GP)

feito uma galinha
a saracura se move:
atriz no tablado
(GF PI GP)

na margem do rio
a garça contempla calma
o peixe arredio
(PI)

as pedras cinzentas -
herança amaldiçoada
do rio cachoeira
(GP)

no voo de uma garça
a eternidade imprópria
sempre me ultrapassa
(PI)

céu azul turqueza
após a mata atlântica
um mar de beleza
(GF)

branco, branco, branco -
é imponenente o império
das garças no rio
(GP)

congelada a estátua
da garça, na margem cinza
é pura poesia
(PI)


desce o rio cortando
ávores, pássaros e pedras -
o olhar do poeta
(GP PI GF)

a pedra polida
deixa o rio insatisfeito -
é a regra da vida
(PI)

a regra da vida
nega a nossa existência -
instinto fatal
(GF)

-

parado o rio
calado, insonoro -
histórias a fio

na colcha de minha avó
as imagens da infância
(GP)

flores sobre a mesa -
no olhar do poeta triste
o abstrato não existe!

não fosse a ponte sobre o rio
de um dos lados faria frio
(PI GF)

Piligra é Lourival P. Júnior, Professor universitário (UESC/BA) com Mestrado em filosofia pela UFPB (Universidade Federal das Paraíba). Publicou “Fractais”, 1996. Possui poemas publicados em “Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna”. Blog: http://kartei.blogspot.com/

George Pellegrini é licenciado em Letras pela UESC e doutorando em Literatura e Comunicação pela Universid de Sevilla (Espanha). Recebeu vários prêmios em poesia e conto, entre eles o Jorge Amado (UESB) e o Castro Alves (Salvador). Possui poemas publicados em “Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna”. E-mail: pellegrini13@yahoo.es

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Peleja Virtual entre Dois Vates Arretados

Lançamento ontém foi repleto de êxito
No inusitado Cordel, os poetas realizam uma peleja virtual, inspirados nas pelejas dos repentistas e emboladores. A diferença está basicamente na diversidade das estrofes. Em “A Peleja Virtual Entre Dois Vates Arretados”, os autores introduzem um narrador que inicia a contação em estrofes de seis sílabas. Após, o embate principia com estrofes de sete; passa pela de oito com o Oitavão rebatido; pela estrofe de dez sílabas; onze, com um Galope à beira-mar. Após, retorna o narrador com uma sextilha, abrindo espaço para a conclusão da Peleja com um acróstico de cada poeta.
Comenta Jotacê Freitas a respeito desse folheto que “a peleja é uma forma poética de disputa de qualidades e exibição de cultura, é importante rebaixar o oponente e exaltar-se para a platéia. Tradicionalmente, entre violeiros repentistas, os poetas saíam até na mão para resolver uma questão poética. No folheto premiado, os duelistas fazem uma exposição de vantagens pessoais e passeiam pela história da literatura grapiúna através dos seus maiores autores. Todo esse trabalho é construído com belos versos compassados pelas rimas, métricas e diversas formas do cordel, como pede uma boa peleja”.

Alguns trechos:

Narrador
Pelas vias da internet
Se encontraram certa vez
Dois poetas arretados
Todos dois com altivez
Prum embate curioso
Como assim nunca se fez

Narrador
Sem pandeiro e sem viola
Felicíssimo e Piligra
Começaram a peleja
E causaram muita intriga
Frente a um computador
Foi assim aquela briga:

GF
Neste meu Brasil andei
Sempre atrás de uma peleja,
Enfrentei muitos poetas,
Seu Piligra, não graceja,
Reze três Ave-Marias
Sete noites, sete dias,
Peça a Deus que te proteja.


PI
Não sou homem de peleja
Nem gosto de confusão,
Deus me ajuda todo dia
Mas de briga corro não,
Fique calmo seu Gustavo,
Não sou de levar agravo,
Peça ao padre a extrema-unção.

GF
Seu poeta falastrão
Ouça o meu enunciado,
Eu não peço extrema-unção,
Nem à corte do papado;
Faça como fez Camões
Peça a mim dois mil perdões
Que hoje estou endiabrado.


PI
Sou um homem batizado,
Devoto de São José,
Temo a Deus e sou cristão
E alimento a minha fé,
Perdão eu não vou pedir
Você pode desistir,
Poeta você não é.

E por aí vai.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Auto-retrato - Bocage

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,

Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Salomé, obra de Oscar Wilde originalmente escrita em francês ganha tradução de Ivo Barroso

O poema dramático “Salomé”, de Oscar Wilde, destaca-se pela intensa carga simbólica. A peça foi escrita em 1891, no seu melhor momento de produção literária. Escrito inicialmente em francês e depois traduzido para o inglês, o texto passou por sérias emendas que geraram críticas do próprio Wilde, que julgou o resultado decepcionante. Agora, a editora Berlendis & Vertecchia publica uma tradução de Ivo Barroso direta do francês, ao custo de R$32,00.
Para quem conhece “O Corvo & suas traduções”, organizado por Barroso, sabe que pode esperar um trabalho competentíssimo, ainda mais porque “Salomé” não só traz a história da princesa que dança sobre o sangue para o tetrarca Herodes Antipas, com o intuito de conseguir a cabeça de João Batista, mas também textos explicativos comparando as traduções em inglês e francês, curiosidades como os originais bíblicos que fundamentaram a peça, além de trechos relacionados de Fagundes Varela, Gustave Flaubert e Eugênio de Castro.
O tradutor ainda teve o cuidado para que a peça não perdesse a sonoridade e pudesse ser usada para ser encenada. Para que o leitor entre no clima, também foram selecionadas 16 pinturas relevantes que demonstram os diversos tratamentos artísticos do tema, assim como sua longevidade. As ilustrações vão do século XV ao século XX e incluem reproduções de obras de Rogier van der Weyden, Caravaggio, Ticiano, Jean Benner, Oscar Kokoschka, Frans Stuck, Gustav Klimt, entre outros.

Site da editora: http://www.berlendis.com