Lançamento ontém foi repleto de êxito
No inusitado Cordel, os poetas realizam uma peleja virtual, inspirados nas pelejas dos repentistas e emboladores. A diferença está basicamente na diversidade das estrofes. Em “A Peleja Virtual Entre Dois Vates Arretados”, os autores introduzem um narrador que inicia a contação em estrofes de seis sílabas. Após, o embate principia com estrofes de sete; passa pela de oito com o Oitavão rebatido; pela estrofe de dez sílabas; onze, com um Galope à beira-mar. Após, retorna o narrador com uma sextilha, abrindo espaço para a conclusão da Peleja com um acróstico de cada poeta.
Comenta Jotacê Freitas a respeito desse folheto que “a peleja é uma forma poética de disputa de qualidades e exibição de cultura, é importante rebaixar o oponente e exaltar-se para a platéia. Tradicionalmente, entre violeiros repentistas, os poetas saíam até na mão para resolver uma questão poética. No folheto premiado, os duelistas fazem uma exposição de vantagens pessoais e passeiam pela história da literatura grapiúna através dos seus maiores autores. Todo esse trabalho é construído com belos versos compassados pelas rimas, métricas e diversas formas do cordel, como pede uma boa peleja”.
Alguns trechos:
Narrador
Pelas vias da internet
Se encontraram certa vez
Dois poetas arretados
Todos dois com altivez
Prum embate curioso
Como assim nunca se fez
Narrador
Sem pandeiro e sem viola
Felicíssimo e Piligra
Começaram a peleja
E causaram muita intriga
Frente a um computador
Foi assim aquela briga:
GF
Neste meu Brasil andei
Sempre atrás de uma peleja,Comenta Jotacê Freitas a respeito desse folheto que “a peleja é uma forma poética de disputa de qualidades e exibição de cultura, é importante rebaixar o oponente e exaltar-se para a platéia. Tradicionalmente, entre violeiros repentistas, os poetas saíam até na mão para resolver uma questão poética. No folheto premiado, os duelistas fazem uma exposição de vantagens pessoais e passeiam pela história da literatura grapiúna através dos seus maiores autores. Todo esse trabalho é construído com belos versos compassados pelas rimas, métricas e diversas formas do cordel, como pede uma boa peleja”.
Alguns trechos:
Narrador
Pelas vias da internet
Se encontraram certa vez
Dois poetas arretados
Todos dois com altivez
Prum embate curioso
Como assim nunca se fez
Narrador
Sem pandeiro e sem viola
Felicíssimo e Piligra
Começaram a peleja
E causaram muita intriga
Frente a um computador
Foi assim aquela briga:
GF
Neste meu Brasil andei
Enfrentei muitos poetas,
Seu Piligra, não graceja,
Reze três Ave-Marias
Sete noites, sete dias,
Peça a Deus que te proteja.
PI
Não sou homem de peleja
Nem gosto de confusão,
Deus me ajuda todo dia
Mas de briga corro não,
Fique calmo seu Gustavo,
Não sou de levar agravo,
Peça ao padre a extrema-unção.
GF
Seu poeta falastrão
Ouça o meu enunciado,
Eu não peço extrema-unção,
Nem à corte do papado;
Faça como fez Camões
Peça a mim dois mil perdões
Que hoje estou endiabrado.
PI
Sou um homem batizado,
Devoto de São José,
Temo a Deus e sou cristão
E alimento a minha fé,
Perdão eu não vou pedir
Você pode desistir,
Poeta você não é.
E por aí vai.







A menina de 4 anos chegou da creche com um bilhete em punho: "Manhêê, lê!" Maria Helena, de 36 anos, três filhos e uma panela na mão, olhou o papel e logo voltou os olhos para a pia. Mas a filha não deu sossego. A mulher, então, deixou a panela, pegou a mão da garota e o bilhete e foi em busca de alguém que fizesse o favor de "entender as palavras escritas". A pequena fincou o pé e desabou num choro: "Não! É a mãe que tem que ler, não vale a vizinha, a professora mandou!" Cida tem 40 anos, é irmã de Maria Helena e trabalha como empregada doméstica. Ao som de seu radinho de pilha, Cida cumpre seus afazeres. Mas basta o carteiro aparecer para tirar o seu sossego. Cida sabe assinar o nome, "todinho, em letra corrida: Maria Aparecida de Oliveira da Silva", mas basta segurar a caneta para se esquecer das letras. Espalhados pelas cidades, metidos em uniformes de garis, buracos de construção, casas de família ou salões de cabeleireiros, há no Brasil 14 milhões de analfabetos. Eles ganham em média R$ 430, ante R$ 962 para aqueles que cursam o ensino médio. São analfabetos absolutos, que frequentaram muito pouco uma escola ou mesmo nunca pisaram numa delas. Essa população aprendeu a levar a vida no jeitinho, reconhece o ônibus pela cor ou guarda receitas e informações importantes na memória. Analfabetismo é um problema histórico difícil de resolver agora, diz ao Valor o economista Naercio Aquino Menezes Filho, do Insper-Instituto de Ensino e Pesquisa, de São Paulo. Segundo ele, ao longo do século XX, o Brasil não se esforçou suficientemente para pôr todas as crianças na escola.

