quarta-feira, 19 de maio de 2010

Encontros Literários na Academia de Letras da Bahia

Bate-papo com escritores, leitura e discussão de textos previamente selecionados, objetivando a aproximação do público leitor com autores baianos, no oferecimento de uma visão panorâmica de nossa literatura atual, é a proposta do Encontros Literários da Academia de Letras da Bahia que, nesta próxima edição, conta com a participação de Aleilton Fonseca e Állex Leylla. Os comentários são de Mirella Márcia e Rosei Soares.


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Data: 21 de maio, sexta-feira, às 17h

Local: Academia de Letras da Bahia - Av. Joana Angélica, 198 - Salvador

Mais informações: (71) 3321-4308

USP promove seminário sobre Jorge Amado


A Falcudade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP promove nos dias 24 e 25 de maio o Seminário Acadêmico Internacional Jorge Amado. Entre os temas abordados no evento estarão a cultura afro-baiana, a mestiçagem, questões de gênero e a política, todos de alguma forma envolvidos na obra do escritor baiano. O seminário é coordenado pelo Departamento de Antropologia da FFLCH e acontece no anfiteatro da História (Av. Professor Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo).

Veja a programação e como participar clicando aqui: http://www.fflch.usp.br/da/uploads/2010/Flyer_Seminario_Jorge_Amado_SP.jpg

sexta-feira, 14 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

UMA PEQUENA PAUSA

Caríssimos, enquanto dou uma pausa para curtir a chegada da minha primeira filhota, Flora, convido a todos para conhecerem três poemas que estarão em meu primeiro livro solo, Revelação & Outros Poemas, que já está em diagramação e deve vir a público entre Julho e Agosto. Eis o link: http://poesiadiversidade.blogspot.com/2010/04/o-poeta-gustavo-felicissimo.html

sábado, 8 de maio de 2010

RESPEITO ENTRE DESAFETOS & INIMIGOS

Gustavo Felicíssimo

Não é fácil e muito pouco confortável escrever sobre o tema a que me proponho, embora apenas o faça devido ao terrível e nada agradável ambiente que vivemos no meio literário baiano, especificamente em Salvador. Também não escrevo para apontar ou nominar diretamente algum desafeto meu, mas, sobretudo, para oferecer uma reflexão sobre o momento que passamos.
No cerne de uma briga de egos estão alguns poetas emergentes, divididos basicamente em duas vertentes. De um lado aqueles que se mostram preocupados em dar ao texto algum valor de interesse fundamental; e do outro aqueles que produzem uma poesia vacilante, cuja leitura não proporciona nada mais que uma intelecção abstrata.
Os poetas que fazem parte desta segunda vertente são aqueles que ao invés de trabalharem pela sua poesia, trabalham pelos seus nomes, ainda que para isso seja necessário diminuir com palavras arbitrárias a obra do outro, sem oferecer-lhe uma crítica consistente. Esses, em verdade, trabalham intensamente para verem a mediocridade festejada.
Os poetas da primeira vertente, ao invés de ignorarem os da segunda, os abominam, e não é pela baixa poesia que produzem, mas pelo fato desses serem aqueles que melhor se articulam entre si e com o poder, os financiadores e meios de comunicação. O resultado é que são os da segunda vertente que conseguem grassar a maior parte do todo.
O resultado inevitável de uma situação como essa é o embate, pois nenhum dos lados está sendo capaz de enxergar que a temporada que passamos neste inferno é a nossa única oportunidade de transcendência, de construção, que temos. E olha, um dos poetas mais amargos que conheço é justamente aquele que mais fala em transcendência.
O pior é que antes de ser um embate apenas no campo das ideias, este está sendo um embate de ofensas, com resultados desastrosos, pois a situação supera qualquer limite. De um lado, poetas afrontam outros com epigramas assinados sob pseudônimo e atingem o oponente com palavras desnecessárias e agressivas. Do outro, aqueles que foram ofendidos pelos epigramistas, mesmo sem saberem com certeza quem são, andam a ameaçar aqueles de quem desconfiam com empurrões pelas ruas e ofensas em mesa de bar.
Sei que ao longo do tempo a convivência entre poetas nunca foi muito pacífica, pois sob a carapaça de cada um existe uma angústia que deveria nos ajudar em nosso processo evolutivo, nos obrigando a resolver dilemas profundos. Mas não é assim que funciona.
Alerto para o fato de que essa convivência precisa ser ao menos honesta, por isso conclamo a todos a refletirem sobre suas posturas e que procurem exercer a tolerância.
Estou certo que o conflito entre poetas deve habitar apenas o campo das ideias, pois cabe a cada um de nós o direito de ter a sua poesia conhecida pelo leitor comum e pelos seus pares, uma vez que, como atestam os versos de Alberto da Cunha Melo, cada vez mais escrevemos “para esse público dos ermos/ composto apenas de nós mesmos”. Do mesmo modo, aqueles que pretendem exercer a crítica possuem o direito de, sobretudo, tecer críticas negativas, porém construtivas.
Sei que muitos vão torcer o nariz para essas poucas e insuficientes palavras, muito embora possamos considerar que apenas agindo com ética, com bom juízo moral, poderemos exercer plenamente a dialética e tornar o nosso meio um pouco mais enriquecido de reais valores. Mas se assim não for, proponho que cada um se afogue dentro do seu narcisismo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Duas sugestões de leitura

1ª - Quatro poemas de Henrique Wagner, um dos poetas e críticos da minha geração que mais admiro. Eis o link: http://poesiadiversidade.blogspot.com/

2ª - Prefácio que escrevi para “Rascunhos do Absurdo”, novo livro do poeta capixaba Jorge Elias Neto, publicado no Portal Cronópios. Eis o link: http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=4543

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Cordel & Cantoria em Ilhéus

Começa hoje pessoal, vamos prestigiar!

confira a programação completa
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Com o objetivo de divulgar o trabalho artístico dos nossos Cantadores e Cordelistas, a Casa dos Artistas, com o apoio da Fundação Cultural de Ilhéus, apresenta CORDEL & CANTORIA, uma festa da nossa cultura popular que se realizará em todas as quartas-feiras do mês de Maio. Trata-se mais uma vez de uma atividade lítero musical, um desdobramento do Rock & Poesia, devido o grande sucesso e repercussão alcançada.

Dessa vez, cantadores e cordelistas dividirão o palco da Casa dos Artistas em busca da simbiose perfeita entre música e literatura popular, nutrindo de brasilidade o espectador com vozes destacadas da nossa cultura, mesclando o erudito e o popular dentro da tradição da depuração de estilos e virtuosismo, tanto instrumental como literário, numa travessia que vai se inscrevendo no tempo, ligando a cultura ao seu povo.

Nos diálogos que acontecerão, perceberemos o quanto nossos artistas, tanto os mais jovens quanto os mais experimentados, dignificam e ressignificam a nossa cultura popular.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rascunhos do Absurdo, novo livro de Jorge Elias Neto

Capixaba, de Vitória, Jorge Elias Neto lança nesta sexta-feira, 07 de Maio, seu segundo livro, “Rascunhos do Absurdo”, na Biblioteca Pública do Estado do Espírito Santo. Sua busca se inicia com a questão ontológica basilar: o sentido do ser. Sua obra poética é marcadamente filosófica, metafísica e existencialista, partindo da realidade vivida para a apreensão de um sentido maior, através da poesia.
Foi, para mim, motivo de enorme alegria receber de Jorge Elias Neto o convite para a preparação dos seus poemas, pois trata-se, sobretudo, de um poeta que é um formidável esteta, criador de imagens cortantes, observador e crítico da condição humana.


A prazo


Levem-me as horas
para os caprichos mundanos!

Já destaquei a etiqueta.

Tomei posse do indivíduo.

Será que não vêem
no meu ante-braço
o carimbo de “pago”?


A dor do corte


Violei o túmulo de minha mãe antes da sua morte.
Dilapidei o que já eram escombros.

Cobrei dela as palavras
com que me lavava os cabelos.

A palavra “verdade” – por exemplo.


Micro entrevista com o poeta

Gustavo Felicíssimo – Jorge, o exercício da cardiologia, uma área tão delicada da medicina, foi que te trouxe esse arsenal existencialista impresso na sua poesia, ou isso é algo inerente ao seu ser?
Jorge Elias Neto
- Quando pequeno, muito me chamou a atenção a estória de David Copperfield que desde a mais tenra idade teve que lidar com a idéia de morte e de perda. De alguma forma, ficou em mim incutida a impressão que eu deveria ser uma pessoa forte a lidar com a morte e que, em algum momento, me confrontaria com a “inesperada das gentes”. Percebi, com o tempo, que essa tarefa não me seria assim tão fácil...
Tornei-me médico, lidei com inúmeros casos graves, presenciei, ao longo dos últimos 25 anos, as diversas formas como o homem, à beira da morte, bem como os seus convivas, enfrentavam esse momento único e, para mim, definitivo (a verdade básica da vida).
E esse enfrentamento tornou-se uma questão de vida: trabalhar a idéia de morte e entender a multiplicidade de atitudes do homem frente a essa locomotiva que “sempre chega pontualmente na hora incerta”. Passei a entender a relevância desse entendimento na minha formação como homem. Li as reflexões nos Ensaios de Montaigne, n’O sofrimento do jovem Werther, de Goethe, Nietsche, Kant, Camus e fui fazendo meu percurso.
Hoje, tenho a tendência a crer que a morte é branca, que é o nosso retorno à irracionalidade e à nossa perfeita integração ao caos universal. Entendi que esse absurdo – a coexistência entre o homem e o universo –, só vale a pena se repisarmos cada segundo e que, para mim, já não é mais permitido o alento da religião. É difícil, eu sei, mas esse é o meu caminho.
Daí minha poesia ser carregada de questões metafísicas, existencialistas. Nela busco expressar minhas meias-verdades.
"Ninguém deixou de sentir alguma vez que o destino é poderoso e estúpido, que é inocente e também inumano. Para essa convicção, que pode ser passageira ou contínua, mas que ninguém evita, podemos escrever nossos versos" Jorge Luis Borges

GF- Em que medida você vê o poeta marcado pelos elementos do mito de Sísifo?
JEN
- Por que viver? Em um poema onde retrato o suicida, eu narro um fato real. Um amigo “comum”, trabalhador, bem situado profissionalmente, do tipo “família”, após realizar sua grande obra profissional – suicidou-se. Retirei seu corpo do mar juntamente com dois amigos: um ascético extremo e um espírita. Naquele momento, olhei meu amigo morto e observei a reação de meus outros amigos. No meu caso, me pareceu clara a decisão dele: cansou-se da rotina de rolar a vida e, ao constatar o absurdo de viver, decidiu dar o salto para o nada.
Como disse Nietsche: “Cada um tem a verdade que é capaz de suportar”.
Quanto ao poeta?... Bem, o poeta, como todo ser humano, é marcado pelos elementos do mito de Sísifo.
O poeta é o protótipo do herói absurdo, tal qual Sísifo. A poesia se faz da vida do poeta, dos seus “guardados”. Respondo esta questão à partir do meu entendimento: optei pela vida e tento levá-la da forma mais intensa possível – tento insistentemente entendê-la.
Rolo as pedras, e coloco em minha poesia meu processo de aprendizado. Quanto a ser um médico ou um poeta, para ambos é necessário o fazer diário, mas com o prazer comedido do eterno aprendiz.
Acho que o poeta é um felizardo ao conseguir, nos momentos em que se encontra no limiar da melancolia, ter a possibilidade de externar seus pensamentos na forma de poema.
Desculpem-me os que vêem a poesia de uma forma mecanicista, mas creio na poesia que parte de uma emoção (com consciência e sem pieguices, é claro).

GF - Não te pedirei escolhas entre a poesia e a medicina. Mas, pegando uma carona em Rilke, eu te pergunto: serias capaz de viver sem uma ou outra atividade?
JEN
- Não. Na minha adolescência iniciei uma pausa de 25 anos em relação ao fazer poético, período este totalmente dedicado a minha formação profissional, durante o qual tudo que escrevi foram textos médicos.
Certo dia, retomei a poesia e sinto que ela também passou a ser essencial no meu sentido de estar vivo. É óbvio que, apesar dos avanços na medicina cada vez aumentarem minha possibilidade de manter-me ativo profissionalmente, tornar-me-ei um profissional ultrapassado, mas isso é algo natural.
Quanto ao poeta, este ainda é muito jovem e pleno de incertezas e imperfeições. Espero que meus conhecimentos como médico, apesar das idiossincrasias cometidas, permitam-me uma terceira idade madura na poesia.
Penso que ambas, a poesia e a medicina, me permitirão um legado sem tragédia.

Sobre o mito de Sísifo


A labuta não respeita o portal das casas.
Dentro e fora – rolam-se pedras.

– Avisem-me
quem joga o bilboquê de pedra
dos dias.

E segue o homem-bastão
entre romper o barbante
ou deixar que lhe caia sobre a cabeça
o peso da tomada de consciência.

O homem é um ser interrompido.

Seja no curtume das horas
ou nas contas do terço,
ele sempre se agasalha
com a tênue esperança.

“roda peão,
bambeia peão...”
No absurdo de agora
e à espera da vida eterna,
Amém!

Quem quiser adquirir o livro poderá entrar em contato com o poeta através do seu blog, cujo endereço é o seguinte:
http://jeliasneto.blogspot.com/

Leia o prefácio que escrevemos para Rascunhos do Absurdo em: http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=4543

sábado, 1 de maio de 2010

A Pele de Esaú, novo livro de Silvério Duque

Caríssimos leitores, na próxima quinta-feira, 06 de Maio, será lançado em Feira de Santana, A Pele de Esaú, de Silvério Duque, pela Via Litterarum. Trata-se da obra de um dos melhores poetas da minha geração, um autor que faz jus à tradição de grandes poetas que a Bahia legou ao Brasil. Abaixo, um texto nosso que foi inserido na orelha do livro.

Creio na existência de dois tipos de leituras: a erudita, revelada por autores preocupados em dar ao texto um valor de interesse fundamental; e a vacilante, que engloba as leituras que proporcionam intelecção abstrata, não conferindo nenhuma sacralidade à obra lida. Certamente os poemas deste A pele de Esaú, de Silvério Duque, se inserem dentre aquelas do primeiro tipo, pois foram baseados em uma narrativa bíblica antiquíssima (sobre a qual Ildásio Tavares discorre muito bem no prefácio da obra), fonte de enigma e sabedoria.
Vale lembrar que nada na trajetória humana foi capaz de inspirar tantas obras de arte, tantos artistas, nas mais diferentes latitudes e longitudes do mundo ocidental, do que a bíblia. Levando-se em conta que o livro sagrado do cristianismo está no centro da nossa civilização, estranho seria se não fosse assim. E foram muitos os poetas que nela ou no cristianismo se inspiraram, com interesses e motivos vários, de diversas estirpes e épocas distintas, como Camões ou Bruno Tolentino, de quem se pode ouvir o eco na poesia de Silvério Duque, passando por Antero de Quental e Jorge de Lima, até encontrarmos o frescor de A pele de Esaú, uma obra dada ao leitor contemplativo, pois favorece a um recolhimento que possa proporcionar a reflexão adequada em relação ao universo circundante à obra.
Após ler os primeiros poemas deste livro percebi claramente que não se tratava de um compêndio qualquer de poesia, mas de uma obra refinada, alquímica, tecida com engenho e arte, em que o poeta apresenta-nos uma alternância riquíssima de perspectivas e expressões dramáticas do contrário, bem diversa e não apenas catártica, resultando em um canto verdadeiro, uma unidade e uma realidade concreta, não apenas a história evocada, objeto de meditação, mas os dramas pessoais do autor, suas vicissitudes, sonhos e desilusão. Enfim, uma obra muito superior ao que nos vem sendo apresentado pela maioria dos nossos contemporâneos.
Se pudesse resumir A pele de Esaú em uma única palavra, eu diria: inefável!

A pele de Esaú (Poema 04)

E o que eu adoro em ti é a tua carne,
porque tudo o que é vivo se deseja;
assim, desejo em ti o meu tormento
que há-de crescer na proporção do tempo.

O que eu almejo em ti é a tua sombra,
pois toda boca habita as mesmas vozes
que hão-de tecer com gritos o teu nome
na tarde azul tragada pela noite.

Beijo o teu rosto como se existisse
algum lugar pr’além do Precipício,
e, junto ao gosto de teu lábio esquivo,

uma palavra, sobrescrita em sangue,
há-de adornar o verso em que eu me esqueço
e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.

OBS:
1) A Pele de Esaú poderá ser adquirido em breve através do site da editora, que é o seguinte: http://www.vleditora.com.br/

2) Confira outros poemas de Silvério Duque em: http://poesiadiversidade.blogspot.com/2010/04/apresentacao-do-poeta-silverio-duque.html

3) A belíssima ilustração da capa é do artista plástico Gabriel Ferreira.