quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Parabéns pra Inaê Sodré
Anonimato
Nasci num quarto
Meio candeeiro
Meio alumiado.
Dezoito de fevereiro
Nasci Vagalume
O espaço todo
Todo mundo viu
O quarto
A casa
A rua
A cidade
Tudo luziu
Em vez de chorar,
O vagalume
Experimentando asas e volts,
Sorriu.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
2ª noite do Rock & Poesia
A Banda Rebocados também jogou duro. Mandou um repertório que, mesclando releituras de clássicos da música brasileira e composições próprias nos surpreendeu, fazendo por merecer os elogios ao seu som setentista, pra frente e alegre.
As letras da banda mostram mesmo que música não se faz com a bunda e os poemas de Daniela indicam que ela está próxima do seu segundo vôo solo. Evohé!
Daniela Galdino, sentada ao fundo, à esquerda, e a Banda Rebocados em momento de descontração
Nesta quarta-feira de cinzas tem uma mistura ainda mais ousada e improvável que as apresentadas até aqui. Vamos receber uma banda que faz um som grunge, a Infected Minds, fortemente influenciada pela Nirvana, e o poeta Ulisses Prudente, que faz um cordel muito ousado, sem métrica, rimas ou estrofes regulares, quase que totalmente desvinculado das tradições. O poeta chama seus poemas de Neo-Cordel.
É ver e conferir. Nesta quarta-feira, 17, às 20 horas, na Casa dos Artistas, em Ilhéus.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Contracultura e haikai
Em seu livro Hai kais[1], em breve introdução à obra, Millôr afirma ver o haikai como uma forma fundamentalmente popular e, inúmeras vezes, humorística. E assim compôs e publicou-os acompanhados por ilustração que acentua o sentido cômico dos seus versos.
Também não se pode descartar a importância de poetas concretistas como Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari que a partir da segunda metade do século passado buscaram traduzir ou transcrever o haikai japonês para o nosso idioma.
Entretanto, quando falamos de haikai no Brasil, o nome de Paulo Leminski surge invariavelmente em primeiro plano. Sabe-se que já no início da década de 60 ele começou a estudar japonês, cujo interesse teria surgido na academia de judô em que treinava. Alinhado aos valores contraculturais e libertários dos anos sessenta, Leminski produziu uma obra tensa, densa e provocadora como sua própria personalidade. E como Millôr, também produziu uma obra livre de amarras, cheia de sacadas, clicks, como ele dizia. São de sua lavra os seguintes haikais[2]:
passa e volta
a cada gole
uma revolta
***
esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem
***
nu como um grego
ouço um músico negro
e me desagrego
Referências:
[1] Editora Senzala, 1968
[2] Melhores poemas de Paulo Leminski, Seleção de Fred Góes e Álvaro Martins, 7ª edição, Editora Gaia, 2006
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O haikai de origem japonesa ou tradicional
Neste modo de composição deve-se introduzir no haikai um kigo, que nada mais é que um termo (nome de animal, mês, planta) que o escritor inclui para dar ao leitor uma noção da estação do ano em que foi escrito. Nele há um sentido de transitoriedade que simbolicamente reconhecemos no transcurso do tempo. Assim, entre muitos exemplos possíveis, um haikai de primavera deve conter termos como os que indiquem alegria, flores, renovação; os de verão calor, animação, liberdade; os de outono; melancolia, nostalgia, colheita; e inverno, festa junina, reclusão, frio.
Há muita diferença entre o haikai tradicional e o poema como entendemos no ocidente. Um dos motivos, aponta Sato Hiroaki, "se deve por sua frequente inabilidade de se sustentar sozinho como algo completo[1]". Talvez por isso não seja raro encontrarmos textos que afirmam não ser o haikai um poema em si, ou que para sua prática não é sequer necessário ser poeta.
Bons exemplos para este exemplo são os haikais de Teruko Oda. Vejamos alguns[2]:
Na beira da estrada
com as abelhas divido
meu caldo de cana.
Chega com o vento
um insistente chamado –
Cigarra de outono.
Um quê de leveza
no roçado ainda seco –
Canta o curió.
Referências:
[1] Segundo o autor (Franchetti, 1996 apud Observations on Haiku (publicado em Chanoyu – Quaterly (Tea and the Arts of Japan), nº 18, 1977, PP.21-27.
[2] Retirados do livro Flauta de Vento, Escrituras, São Paulo, 2005.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O haikai Guilhermino
VENTO DE MAIO
Risco branco e teso
que eu traço a giz, quando passo.
Meu cigarro aceso.
CARIDADE
Desfolha-se a rosa:
parece até que floresce
o chão cor-de-rosa.
O HAIKAI
Lava, escorre, agita
a areia. E enfim, na bateia,
fica uma pepita.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
As quatro formas de haikai praticadas no Brasil
As transformações havidas no Japão e no mundo ampliaram o horizonte do haikai, tornando sua estrutura adaptável. Como veremos, o haikai foi utilizado à maneira que melhor se adequou à necessidade de cada autor e lugar.
Todavia, teorizar demais sobre o haikai é ao mesmo tempo perdê-lo, sendo suficiente dizer que a ele devemos nos amalgamar, como se acompanhássemos naturalmente o fluir do tempo, o curso de um rio que se transforma em algo diverso quando encontra o mar. Assim também é o haikai quando buscamos capturar um instante, uma ação, e representá-la com palavras. Entretanto se faz necessário registrar as formas de haikai produzidas no Brasil ao longo do tempo, que são quatro no total.
I - O modelo trazido por Afrânio Peixoto
Para Carlos Verçosa[1], autor de Oku: viajando com Bashô[2], coube a Afrânio Peixoto não apenas o mérito pioneiro de introduzir e divulgar o haikai no Brasil, em 1919, apresentando o haikai como “epigrama lírico”, em Trovas Brasileiras. Peixoto também teria sido o nosso primeiro poeta a publicar um livro de haikai.
Em Missangas[3], no capítulo X[4], após o ensaio O haikai japonês ou epigrama lírico, Peixoto traz 52 haikais de sua autoria. Diz Verçosa que se trata de um autêntico livro inserido em um outro livro. Desse modo, o poeta baiano não só pode ser considerado o precursor do haikai no Brasil, como também o primeiro poeta a publicar um livro de haikai no nosso país. São 52 haikais com título e métrica (5/7/5 sílabas), como os que seguem:
COMO OS CÃES DA RUA
Na lata de lixo,
Coitadinho, procurava
Um naco de pão...
COMPARAÇÃO
Um aeroplano
Em busca de combustível...
Oh! é um mosquito.
A BELEZA ETERNA
O sabiá canta,
Sempre uma mesma canção:
O belo não cansa.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
1ª noite do Rock & Poesia
Abaixo, uma foto de um momento de descontração, quando rolava um bate-papo com a platéia. E lá estou, ao fundo, de branco e chapéu, alguns integrantes da banda ao lado e os quadros que Cícero pintou durante o evento. A foto é do amigo Pedro Montalvão.
Semana que vem tem mais: Daniela Galdino & Rebocados.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Nova edição do Correio das Artes
Está disponível para download a nova edição do Correio das Artes. A matéria de capa é dedicada ao cantor e compositor Gilberto Gil. Em entrevista exclusiva o músico fala de fé, misticismo, ciência e a presença desses temas na sua música.Também consta um artigo nosso contestando os critérios de Marco Lucchesi para inclusão de autores em Roteiro da poesia brasileira, anos 2000, que saiu pela Global.
O Correio das Artes é um suplemento cultural do jornal paraibano A União, produto governo do estado da Paraíba. É editada por Antônio Mariano e diagramado por Junior Damasceno. Esta edição traz ilustrações de Tônio e Nivaldo Araújo.
Eis o link:
http://www.paraiba.pb.gov.br/images/stories/editais/correio_das_artes_janeiro2010.pdf

