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domingo, 26 de junho de 2011

Gitanjali - Poema 58

Deixa que todos os acordes da alegria misturem-se no meu último canto – o júbilo que faz a terra transbordar no excesso violento da relva; o júbilo que dispõe  a vida e a morte – irmãs gêmeas – dançando juntas pelo mundo imenso; o júbilo que arrebata como a tempestade, sacudindo e despertando a vida numa gargalhada; o júbilo que repousa silencioso como as suas lágrimas dentro   do lótus entreaberto e vermelho da dor; o júbilo que atira ao pó tudo quanto possui e que não se traduz em palavras.

Rabindranath Tagore, em Gitanjali (3ª Edição). Poema 58. Coordenada – Editora de Brasília. Tradução de Gasparino Damata.

Obs: Conheça melhor esse magnífico poeta indiano clicando AQUI.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Embriaguem-se


É preciso estarem sempre embriagados. Aí é que tudo está: esta é a única questão. Para não sentirem o horrível  fardo do Tempo que lhes quebra os ombros e recurva  o dorso, precisam embriagar-se sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à sua guisa. Mas embriaguem-se.
E se, de vez em quando, vocês acordarem na escada de um palácio, na relva verde de uma vala ou na morna solidão do seu quarto, tendo a embriaguez já diminuído ou desaparecido, perguntem ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são, e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-lhe-ão: “É hora de embriagar-se! Para não serem escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude,  à sua guisa”.

Charles Baudelaire, O Esplim de Paris: Pequenos poemas em prosa. Ed. Martim Claret. Tradução de Oleg Almeida.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Meus poemas nascem sangrando


                                Sentir, sinta quem lê
                         Fernando Pessoa


          Como pode descer dos céus um poema assim mesmo feito um raio? Seria presente dos deuses ou condenação sumária? Viver permanentemente atado aos desejos de outrem...
          Não, senhores, o poema não é um dom divino. Antes ele é uma conquista, fruto da imaginação e da destreza do poeta. O poema também não é o sentir, antes ele é o sentido. Mas quem quiser que sinta! Eu transpiro enquanto escrevo.
          Meus poemas nascem sangrando.