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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A primavera do dragão


Nesta sexta-feira, 14, a partir das 19h, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, Nelson Motta lança o livro A primavera do dragão - A juventude de Glauber Rocha (Objetiva, 368 pp., R$ 56,90). Além da noite de autógrafos, haverá palestra no auditório do museu e projeção gratuita do longa Deus e o Diabo na Terra do Sol. O livro traz o relato sobre a juventude inquietante do cineasta baiano e a criação do Cinema Novo, que revolucionou a estética cinematográfica brasileira. Nelson traça o panorama de uma geração que inscreveu o Brasil no mapa do cinema internacional e arrancou elogios de Truffaut a Sartre.

Leia também um texto jornalístico sobre o acervo de Glauber Rocha em São Paulo CLICANDO AQUI.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Maranhão 66 - O avesso do avesso


                 Por Nelson Motta

Está bombando no YouTube e provocando acessos de gargalhadas e deboches um filme de sete minutos em preto e branco com o prosaico título Maranhão 66.
Aparentemente é um documentário sobre a posse de José Sarney no governo do Estado, feito por encomenda do eleito. Mas é assinado por Glauber Rocha.
Com 35 anos, cabelos e bigode pretos, Sarney discursa para o povo na praça, num estilo de oratória que evoca Odorico Paraguaçu, mas sem humor, à sério, que o faz ainda mais caricato e engraçado. Sobre seu palavrório demagógico, Glauber insere imagens da realidade miserável do Maranhão, cadeias cheias de presos, doentes morrendo em hospitais imundos, mendigos maltrapilhos pelas ruas, crianças esquálidas e famintas, enquanto Sarney fala do potencial do babaçu.
Só alguém muito ingênuo, ou mal-intencionado, poderia imaginar que Glauber Rocha fizesse um filme chapa branca. Em 1964, com 25 anos, ele tinha se consagrado internacionalmente com Deus e o diabo na terra do sol e vivia um momento de grande prestígio, alta criatividade e absoluto domínio da técnica e da narrativa cinematográfica. E odiava a ditadura que Sarney apoiava.
O filme dentro do filme é imaginar o susto de Sarney quando o viu. Em vez de filmar uma celebração vitoriosa, Glauber usou e abusou da vaidade e do patrocínio de Sarney para fazer um devastador documentário sobre um arquetípico político brasileiro.
           Glauber dizia que o artista também tem de ser um profeta; mas a sua obrigação é de profetizar, não de que as suas profecias se realizem. O discurso de Sarney e as imagens de Maranhão 66 são os mesmos do Maranhão 2011, num filme trágico, cômico, e, 46 anos depois, profético.

        Para assistir o filme (antes que seja tarde), acesse, clicando aqui.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Acervo de Glauber Rocha está todo em São Paulo


O que faltou para que o acervo glauberiano fosse trazido para a Bahia, terra natal do cineasta?


No dia 22 de agosto completa-se 30 anos da morte de Glauber Rocha. Nesse mês o cineasta baiano certamente será muito lembrado e homenageado. Muitas matérias estamparão jornais, sites e blogues do país. A primeira delas, nada agradável – pelo menos é assim que a vejo – para os baianos, quem deu foi O Estado de São Paulo no último dia 12. Abaixo, alguns trechos da matéria:

  Originado da obstinação da mãe de Glauber em fazer as palavras do filho ecoarem mundo afora, o Tempo Glauber, no Rio, (...) sempre viveu na corda bamba. Desde o início do ano, não recebe recursos do Ministério da Cultura destinados a seu custeio, o que faz com que a família Rocha use dinheiro próprio para mantê-lo aberto, abrigando e difundindo sua produção intelectual. Anteontem, a luz chegou a ser cortada. (...) Sem querer arriscar um acervo riquíssimo salvaguardado por Dona Lúcia com doses iguais de amor e meticulosidade, eles venderam em dezembro à Cinemateca Brasileira, por R$ 3 milhões, roteiros, fotografias, manuscritos, poemas (cabem et ceteras) - tudo digitalizado -, num total de 25 metros lineares reveladores do pensamento e da poética do cineasta. A transferência para São Paulo já foi feita.

***

Em relação ao acervo glauberiano, o que me intriga é o fato dele não estar aqui na Bahia, em Salvador ou na sua cidade natal, Vitória da Conquista, onde a casa em que o cineasta nasceu continua bem preservada, com um jardim lateral bem cuidado e enormes janelas frontais ao estilo colonial.
Em março de 2008, na abertura da exposição Glauber, Uma Revolução Baiana, no foyer do Teatro Castro Alves, filha e mãe do cineasta, Paloma Rocha e Lúcia Rocha, anunciavam que todo acervo do cineasta poderia vir para a Bahia, que "tudo agora está nas mãos dos poderosos". Entre os tais "poderosos", estava o secretário de Cultura do Estado, Marcio Meirelles, que fez o convite para que acontecesse aquela exposição em homenagem aos 69 anos de Glauber. Na abertura da exposição, Meirelles e familiares do cineasta assinaram um compromisso de intenção para trazer o acervo digital do Tempo Glauber para Salvador.
Segundo o Jornal A Tarde de 14 de março de 2008, as conversas iniciais indicavam que havia o interesse de que este ponto digital, que daria acesso aos quase 70 mil documentos da produção intelectual do cineasta, fosse para a Diretoria de Artes Visuais e Multimeios, mas a maior possibilidade é que fosse instalado dentro da UFBA. Entretanto, em 2010 o acervo em questão foi adquirido pela Cinemateca Brasileira, órgão do Ministério da Cultura, e foi para a sua sede em São Paulo.
Nada contra a Cinemateca Brasileira, de belíssima história, onde tenho certeza que o acervo de Glauber estará muito bem preservado, tampouco contra a cidade da garoa, mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: o que faltou para que o acervo glauberiano fosse trazido para a Bahia, terra natal do cineasta? Se alguém puder nos responder...

Visite o site do Tempo Glauber clicando AQUI.
AQUI para ler ótimo texto do mestre André Setaro sobre Glauber Rocha.