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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Hoje - Lançamento duplo de livros e belo sarau na Academia de Letras da Bahia


Nesta terça-feira, 28, lanço em Salvador, na Academia de Letras da Bahia, a partir das 19 horas, o livro Procura e Outros Poemas (Mondrongo Livros, 88p. R$ 20,00). Na oportunidade também será apresentada ao público a obra Cantos deContar (Editora Paés, RS 50,00), obra inédita (com capa dura e numerada) de Alberto da Cunha Melo. Haverá a participação de Cláudia Cordeiro (viúva e musa do poeta), Silvério Duque e eu, sob mediação de Walter Ramos, em que será debatida a obra de Alberto. O evento ainda contará com a participação de Marcela Martinez em um recital poético.
Como se pode ver, a noite promete ser muito agradável e todos estão convidados. Mais informações AQUI.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Um inédito de Alberto da Cunha Melo

         Neste ano, em que se vivo estivesse, Alberto da Cunha Melo completaria 70 anos de vida, a Editora Paés, de Pernambuco, terra natal do poeta, lança em Salvador e Recife, Cantos de Contar, em uma justa homenagem a esse que foi, seguramente, um dos melhores poetas surgidos no Brasil nos últimos tempos.
         A mim esses eventos trazem uma alegria dupla, primeiramente por poder receber Cláudia Cordeiro (musa e viúva do poeta) e o livro, tão bem cuidado por ela e a trupe da Paés, depois, pelo fato de ter a oportunidade de levar meu livro mais recente, Procura e Outros Poemas, ao público e amigos de Salvador e Recife, obra que é toda construída por Retrancas, forma poética e estrófica criada por Alberto da Cunha Melo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Uma imagem para a história


        Revisitando o site PLATAFORMA PARA A POESIA, todo reformulado, e com um conteúdo pra lá de formidável, encontro essa fotografia – tirada por Cláudia Cordeiro – que é o flagrante e testemunho excepcional de um instante, onde se encontram nada menos que dois dos maiores poetas da história recente do Brasil: Alberto da Cunha Melo e Bruno Tolentino. Ambos fazem parte da minha formação de poeta e leitor. Alberto, pela maneira ao mesmo tempo simples e sofisticada de tratar alguns dos temas basilares da nossa existência. Bruno, pela sua cultura e coragem com que enfrentou o debate sobre a literatura no Brasil. Abaixo, um poema de cada um desses gênios.

CASA VAZIA
Alberto da Cunha Melo

Poema nenhum, nunca mais
será um acontecimento:
escrevemos cada vez mais
para um mundo cada vez menos,

para esse público de ermos,
composto apenas de nós mesmos,

uns joões batistas a pregar
para as dobras de suas túnicas,
seu deserto particular;

ou cães latindo, noite e dia,
dentro de uma casa vazia.


Nihil Obstat
Bruno Tolentino

É preciso que a música aparente
no vaso harmonizado pelo oleiro
seja perfeitamente consistente
com o gesto interior, seu companheiro

e fazedor. O vaso encerra o cheiro
e os ritmos da terra e da semente
porque antes de ser forma foi primeiro
humildade de barro paciente.

Deus, que concebe o cântaro e o separa
da argila lentamente, foi fazendo
do meu aprendizado o Seu compêndio

de opacidades cada vez mais claras,
e com silêncios sempre mais esplêndidos
foi limando, aguçando o que escutara.